SINPAF faz coro contra PL da Devastação aprovado pelo Congresso: veta, presidente Lula!
Por: Camila Bordinha
A Diretoria Nacional do SINPAF manifesta veemente repúdio à aprovação do Projeto de Lei nº 2.159/2021, conhecido como PL da Devastação, e faz coro com as comunidades científicas e ambientais ao pedido para que o presidente Lula vete o texto integralmente. Aprovado na madrugada desta quinta-feira (17) pela Câmara dos Deputados com 267 votos favoráveis e 116 contrários, o projeto representa um dos maiores retrocessos ambientais das últimas décadas no Brasil.
Também apelidado de “PL mãe de todas as boiadas”, o texto altera profundamente as regras do licenciamento ambiental, abrindo caminho para que grandes empreendimentos sejam autorizados sem estudos prévios de impacto, sem fiscalização do poder público e sem consulta às populações potencialmente afetadas. O projeto já havia sido aprovado no Senado e agora segue para a sanção presidencial, com prazo de 15 dias para que Lula se manifeste com vetos.
Retrocesso ambiental e ameaça aos direitos sociais
A proposta desconsidera completamente o cenário atual de crise climática, enfraquece a legislação ambiental brasileira e representa uma ameaça direta aos direitos dos povos indígenas, comunidades tradicionais e populações que dependem da conservação dos recursos naturais para viver.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, alertou sobre os riscos trazidos pelo projeto. “A proposta impõe retrocessos estruturais e cria vulnerabilidades socioambientais e insegurança jurídica, podendo inclusive ser questionada na justiça por setores da sociedade. […] Precisamos de um marco legal do licenciamento ambiental à altura das nossas riquezas naturais e dos princípios da sustentabilidade”, declarou.
Comunidade científica denuncia afronta à ciência
Mais de 160 instituições científicas brasileiras, lideradas pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), assinaram um Manifesto da Ciência Brasileira contra o PL 2.159/2021. O documento destaca que o projeto representa uma afronta à produção científica nacional e viola acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário.
Segundo o manifesto das instituições científicas, o texto aprovado ignora as evidências científicas sobre a gravidade da crise climática e atende a interesses setoriais do agronegócio e grandes empreendimentos, em detrimento da preservação ambiental e da segurança das populações. Entre os principais impactos negativos listados estão:
- Aumento potencial das emissões de carbono.
- Dispensa de licenciamento para atividades do agronegócio.
- Desvinculação do licenciamento da outorga do uso da água.
- Ameaça direta às Unidades de Conservação.
- Fragilização de direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
- Enfraquecimento de condicionantes ambientais.
- Ausência de uma lista mínima de atividades sujeitas ao licenciamento.
- Criação da Licença Ambiental Especial (LAE) sem critérios técnicos, transparência ou controle social.
SINPAF reforça apelo por veto presidencial
Ao lado da comunidade científica e dos movimentos ambientalistas, e em destaque pelo ano da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025) no Brasil, o SINPAF reforça o apelo ao presidente Lula para que vete integralmente o PL 2.159/2021, impedindo que o país retroceda em sua legislação ambiental e em seus compromissos com o desenvolvimento sustentável.
“Não há democracia ambiental quando se ignora o conhecimento técnico-científico, a proteção da vida e os direitos dos povos do campo, das águas e das florestas. É urgente que o presidente Lula vete esse projeto em sua totalidade”, afirma o presidente do SINPAF, Marcus Vinicius Sidoruk Vidal.

