Paralisação leva categoria ao Palácio do Planalto e SEST surpreende ao afirmar desconhecer reivindicações dos trabalhadores da Embrapa
Por: Gisliene Hesse
A mobilização nacional das trabalhadoras e dos trabalhadores da Embrapa já começa a produzir resultados concretos. Após oito rodadas de negociação sem avanços significativos no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027, a força demonstrada pela categoria na paralisação nacional realizada em 17 de junho levou as reivindicações dos empregados e empregadas da empresa até o Palácio do Planalto. Nesta quarta-feira (18), dirigentes do SINPAF participaram de uma audiência com representantes da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulações em Políticas Públicas, vinculada à Diretoria de Diálogos Sociais da Presidência da República, para apresentar os pleitos da categoria e buscar apoio do governo federal para o avanço das negociações.
No mesmo dia, dirigentes sindicais também participaram de uma reunião previamente agendada com representantes da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), órgão vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
Para a surpresa da diretoria nacional do SINPAF, os representantes da SEST afirmaram não ter conhecimento sobre as reivindicações apresentadas pela categoria, pois até o momento não receberam as cláusulas negociadas e nem possíveis contrapropostas do ACT da Embrapa.
Para o presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, a informação reforça a falta de consideração da Embrapa durante o processo de negociação. “Ao longo das negociações, a empresa tem utilizado argumentos relacionados a diretrizes governamentais para justificar a não aceitação de diversas reivindicações da categoria. No entanto, fomos informados pela própria SEST de que o órgão desconhecia os pleitos dos(as) trabalhadores(as). Isso é muito grave e demonstra que a Embrapa não tem tratado esse processo com a celeridade que se comprometeu, criticou Jean Kleber.

Governo Federal
Durante o encontro com a Diretoria de Diálogos Sociais da Presidência da República, o SINPAF buscou sensibilizar o governo federal sobre os pleitos da categoria e solicitar apoio para o avanço das negociações do ACT 2026/2027. Para isso, os dirigentes apresentaram o cenário de impasse nas negociações, os motivos que levaram à paralisação nacional e os problemas de valorização profissional, reconhecimento e estrutura enfrentados pelos trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa.
Durante a reunião, os representantes do SINPAF destacaram que a insatisfação dos trabalhadores e trabalhadoras decorre do descaso da direção da empresa e também da postura adotada pelo Conselho de Administração (Consad) diante das reivindicações apresentadas pela categoria. Os dirigentes sindicais chamaram atenção para a necessidade urgente de valorização dos empregados e empregadas, especialmente daqueles que ocupam os cargos de assistente e técnico.
Um dos principais temas tratados foi a criação do Adicional de Escolaridade. Os dirigentes explicaram que a Embrapa se recusa a reconhecer adequadamente a qualificação profissional adquirida por trabalhadores(as) desses cargos, que investem em sua formação sem qualquer incentivo ou reconhecimento financeiro.
O presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, afirmou que o sindicato tem buscado soluções por meio do diálogo, mas que a empresa permanece sem apresentar respostas concretas às reivindicações da categoria.
“Estamos tentando fazer diálogo com a Embrapa sem sucesso e esperamos que o governo compreenda os pleitos da categoria e entre em ação para que esse cenário mude”, declarou Jean Kleber.
Ainda durante o encontro, o presidente informou que uma carta contendo as principais reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa, bem como os problemas enfrentados durante as negociações do ACT, foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O diretor Administrativo Financeiro do SINPAF, Zeca Magalhães, destacou a falta de valorização dos novos conhecimentos adquiridos pelos empregados da empresa.
“A Embrapa não reconhece adequadamente os novos saberes construídos pelos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo quando esse conhecimento retorna para a própria instituição na forma de qualificação e melhoria dos serviços prestados”, ressaltou.
Representando a Seção Sindical Cerrados, Lucas Ednei reforçou que grande parte da qualificação profissional ocorre por iniciativa dos próprios empregados.
“A qualificação é feita na marra pelos empregados e empregadas. Depois, a Embrapa utiliza esse conhecimento, mas não há o devido reconhecimento para quem buscou essa formação”, criticou.
A presidenta da Seção Sindical Cenargen, Ana Paula de Queiroz, chamou atenção para os impactos dessa realidade no cotidiano dos(as) trabalhadores(as).
“É uma situação muito grave. Além da falta de reconhecimento, os trabalhadores e trabalhadoras ainda enfrentam dificuldades justamente por quererem se qualificar”, frisou.
Outro ponto levado pelo SINPAF ao governo federal foi a desigualdade existente entre os diferentes cargos da empresa. O secretário-geral do sindicato, Antônio Guedes, relatou que técnicos e assistentes convivem com uma realidade marcada pela falta de reconhecimento e de oportunidades de valorização profissional.
Os dirigentes também lembraram que, durante uma gestão anterior, houve um processo de esvaziamento das atribuições dos assistentes, o que contribuiu para a perda de espaço e reconhecimento desses profissionais dentro da estrutura da empresa.
“Ao levar essas questões ao governo federal, o sindicato busca ampliar o diálogo institucional e encontrar caminhos para destravar as negociações do ACT”, afirmou Antônio Guedes.
Ao final da reunião, os representantes da Diretoria de Diálogos Sociais da Presidência da República se comprometeram a analisar os pontos apresentados pelo SINPAF e buscar formas de contribuir para o avanço no ACT da Embrapa.
Para a direção do sindicato, a reunião representa uma importante vitória da mobilização construída pelos trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa. A categoria segue unida e mobilizada, cobrando valorização profissional, reconhecimento e avanços concretos nas negociações do ACT 2026/2027.
Participaram da Reunião
SINPAF
Jean Kleber, presidente do SINPAF
Antônio Guedes, secretário-geral do SINPAF
Zeca Magalhães, diretor Administrativo-financeiro do SINPAF
Ana Paula de Queiroz, presidenta da Seção Sindical Cenargen
Lucas Ednei, presidente da Seção Sindical Cerrados
Secretária de Diálogos e Articulação de Políticas Públicas da Presidência da República
Carlos Balduíno, Coordenador-Geral de Diálogos Sociais
Orestes Araújo, Assessor
Rhayna Costa, Assitente


