Proposta da Embrapa limita-se à reposição da inflação e mantém sem resposta reivindicações apresentadas pelo SINPAF
Por: Leandro Sinpaf
A Embrapa apresentou, nesta quarta-feira (22), sua primeira proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027, após 160 dias da entrega da pauta de reivindicações pelo SINPAF. Em resposta ao descaso, categoria realiza um ato na manhã desta quinta-feira (23), a partir das 9h, na Esplanada dos Ministérios.
Durante a 11ª rodada de negociação, a empresa ofereceu reajuste de 4,11% sobre salários e benefícios. O índice corresponde apenas à reposição da inflação acumulada entre maio de 2025 e abril de 2026.
“Terrível para a classe trabalhadora.” Essa foi a avaliação do presidente do SINPAF, Jean Kleber, sobre a proposta apresentada pela Embrapa.
O resultado da reunião causou forte insatisfação entre os representantes dos trabalhadores. Além de não apresentar ganho real, a proposta não contempla as principais reivindicações da categoria nem oferece respostas para a maior parte das cláusulas sociais discutidas desde o início da campanha salarial, como:
1. Elevação escolaridade;
2. Café da manhã;
3. Transporte das 13 distantes;
4. 100 % recomposição salarial;
5. Aumento real no ticket;
6. CPPCAM nas Unidades;
7. Crédito em publicações;
8. 60% e 40% na Casembrapa
9. Folga mensal;
10. Adicional ambiente inóspito em toda região norte.
Proposta chega após meses de negociação
Desde a entrega da pauta, em fevereiro, o SINPAF e a Comissão Nacional de Negociação participaram de sucessivas reuniões sem receber uma proposta concreta da empresa.
Para Antônio Guedes, Secretário Geral do SINPAF, o conteúdo apresentado nesta quarta-feira poderia ter chegado à mesa ainda nos primeiros meses da negociação.
“Entregamos a pauta em fevereiro, com a expectativa de que andasse com mais celeridade. O compromisso da presidência da empresa tinha até o dia 6 de abril. Em tese, poderia ter feito o acordo que quisesse. Não tinha restrição, aspecto que impedisse. Agora ficou no passado, entendemos as limitações, mas também quero trazer que fizemos o Acordo Coletivo da Codevasf antes do prazo e avançamos em três cláusulas”, afirmou.
O presidente destacou que a negociação com a Codevasf incorporou reivindicações relacionadas ao intervalo para alimentação, ao banco de horas e à ampliação da licença-paternidade. Na Embrapa, as propostas apresentadas pela categoria não tiveram o mesmo encaminhamento.
“Além do acordo da Codevasf, não vimos avançar na Embrapa, uma empresa que representa, por excelência, uma das maiores estatais deste país. Não conseguir avançar em nada mostra desarticulação política. A empresa não consegue atender aos anseios históricos da nossa base por motivos de gestão, da burocracia e da falta de interação política com órgãos do governo”, declarou Jean.
“O cenário é muito ruim. A gente chegou hoje ao que poderia ter sido apresentado em abril ou maio. O sentimento é de que a gente nadou e está quase morrendo na praia”, completou o Diretor de Relações Institucionais do SINPAF, Waltterlenne de Lima.
Embrapa atribui demora às regras da CGPAR
Durante a reunião, representantes da Embrapa afirmaram que a Resolução CGPAR nº 52 modificou o processo de negociação coletiva nas empresas estatais.
O SINPAF reconheceu a existência de etapas administrativas, mas criticou a condução do processo. Para o Sindicato, a burocracia não justifica a ausência de respostas sobre reivindicações sem impacto econômico imediato.
Para o presidente do SINPAF, cabe à direção da empresa encontrar alternativas jurídicas e administrativas capazes de viabilizar as propostas.
“Quem manda é a presidenta. Quando ela quer criar uma diretoria, estala o dedo e cria. Criar bolsa ou assessoria, para mim, é falar como vou fazer dentro da lei, não é para dizer que não pode”, afirmou.
Reivindicações históricas seguem pendentes
Entre os temas discutidos durante a rodada está o reconhecimento da elevação de escolaridade dos cargos de técnico e assistente. Representantes da categoria criticaram a falta de reconhecimento desses trabalhadores e alertaram para a redução das contratações nessas funções.
O SINPAF ressaltou que técnicos e assistentes exercem atividades fundamentais para a pesquisa, a administração e o funcionamento das unidades da Embrapa. A falta de concursos e de políticas de valorização ameaça a continuidade de conhecimentos acumulados dentro da empresa.
Também foram abordadas questões relacionadas às atribuições dos assistentes, à penosidade, à insalubridade, aos critérios de avaliação, às promoções e à segurança jurídica dos trabalhadores diante da possibilidade de dissídio coletivo.
Parte desses assuntos poderá ser encaminhada à mesa permanente de negociação. O Sindicato defende que esse espaço tenha metodologia clara, prazos definidos e capacidade de apresentar resultados.
SINPAF registra decepção e prepara resposta
Ao final da rodada, o SINPAF solicitou o registro em ata de sua decepção com a condução do processo negocial. O Sindicato apontou o excesso de burocracia interna e a aparente desarticulação política da direção da Embrapa como fatores que impediram avanços na campanha salarial.
O SINPAF deverá apresentar uma resposta formal à proposta da empresa até o dia 24 de julho.
A mobilização desta quinta-feira contará com a participação da Comissão Nacional de Negociação, de dirigentes do Sindicato e de representantes de diferentes regiões do país. O ato cobrará do governo federal uma proposta que reconheça as reivindicações e a importância dos trabalhadores da Embrapa.

