Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Sinpaf alerta para os riscos das bets para renda e saúde das famílias

2 de outubro de 2026
Por: Thayná Cavalcante

Plataforma nova, Tigrinho, Bet, Foguetinho: são muitos os nomes para uma única armadilha contra o orçamento do trabalhador e da trabalhadora.  Sob o disfarce de uma falsa promessa de renda extra, os jogos de azar online corroem o salário, geram endividamento e adoecem a saúde mental de milhares de famílias. Diante disso, o Sinpaf traz a pauta como um alerta sobre os riscos desse cenário e incentiva a sociedade a se mobilizar no debate público sobre o tema.

A Oxfam Brasil classifica o ecossistema de apostas online como uma ferramenta de “transferência reversa de renda” que suga o dinheiro das camadas mais vulneráveis da população, que seria utilizado para sobrevivência e consumo básico, e o transforma em lucro financeiro privado, aprofundando a desigualdade social.

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), aponta que o país alcançou a marca de 50 milhões de apostadores nas capitais. Os dados revelam ainda que 25% dos entrevistados afirmam que já deixaram de pagar alguma conta para apostar, e 24% já tiveram o nome negativado por causa de gastos com jogos online. Para piorar o cenário, 28% dos apostadores admitiram ter recorrido ou considerado ações extremas para conseguir recursos para o jogo, como pegar dinheiro emprestado (12%), vender bens próprios ou da família sem consentimento (8%) ou utilizar cartões de terceiros sem autorização (8%).

A crise financeira vem acompanhada de uma emergência de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a taxa de mortalidade por suicídio cresce 15 vezes entre pessoas diagnosticadas com o vício em apostas. Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões, quase 79%, estão ligados à saúde, incluindo perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos. O Ministério da Saúde relata um aumento superior a 600% na busca por tratamento de ludopatia no Sistema Único de Saúde (SUS).

Conheça os sinais de alerta que indicam necessidade de cuidado, de acordo com o Ministério da Saúde:

  • Mudanças no sono, alimentação ou humor;
  • Desejo de apostar para aliviar estresse ou frustração;
  • Ansiedade, irritabilidade ou inquietação quando não tem acesso a apostas;
  • Mentir para familiares e amigos sobre as apostas;
  • Comprometimento de relações pessoais e profissionais;
  • Uso maior de álcool ou outras drogas;
  • Sentimentos de vergonha e culpa relacionados as apostas;
  • Desequilíbrio do orçamento pessoal ou familiar em razão de gastos com apostas.

O SUS por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) oferece suporte e tratamento para a dependência em jogos, sendo fundamental procurar orientação médica ou psicológica diante dos primeiros indícios de perda de controle.

Apesar da Medida Provisória nº 1394/2026, apresentada pela Presidência da República em 25 de setembro, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas, os rastros de destruição social permanecem.

A dor por trás dos dados

Atrás das estatísticas de endividamento, existem lares desestruturados pela exploração das plataformas. No canal Histórias de Terapia, a empreendedora Jéssica Lobo relatou a dolorosa perda de sua irmã, Ângela Maria, em decorrência do endividamento por conta de apostas online. A dor deu origem à ONG Ângela Maria, dedicada a acolher e apoiar pessoas que enfrentam os desafios do vício.

A gravidade dos números e o sofrimento de tantas famílias expõem a urgência de romper o estigma do vício e cobrar do Estado políticas públicas permanentes, que vão desde a proibição das plataformas até o suporte público às famílias atingidas pelo vício. É possível pressionar respondendo a Consulta Pública contra as bets no Portal e-Cidadania do Senado Federal.

O Sinpaf reforça seu compromisso com a defesa da vida. Falar sobre o tema e cobrar respostas firmes do Estado é um dever coletivo.

Assista ao depoimento completo de Jéssica Lobo no canal Histórias de Terapia:

Alerta! Esse vídeo aborda suicídio e pode ser gatilho para algumas pessoas.

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