Proposta da Embrapa ignora reivindicações da categoria e inclui pontos não negociados; categoria responde com luta
Por: Leandro Sinpaf
Nesta semana, trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa de todo o país intensificaram a mobilização em Brasília para pressionar a empresa por avanços no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A iniciativa também buscou ampliar o diálogo com os demais órgãos que integram o processo de negociação.
A série de ações foi uma resposta à proposta esdrúxula da Embrapa, após mais de 160 dias da entrega da pauta de reivindicações. O documento propõe reajuste de 4,11% sobre salários e benefícios — índice que corresponde apenas à reposição da inflação acumulada entre maio de 2025 e abril de 2026.
Além disso, não há sinalização de qualquer avanço em cláusulas econômicas e sociais, mesmo naquelas em que não há custos financeiros para a empresa. Para piorar, a Embrapa chantageia os trabalhadores e trabalhadoras a deliberarem sobre o conjunto de medidas até o dia 31 de julho e inclui pontos não negociados com a Comissão Nacional de Negociação do Sinpaf.
A categoria reivindica, entre outros pontos, 100% de recomposição salarial, aumento real no ticket alimentação, reconhecimento da elevação da escolaridade para assistentes e técnicos, ajustes no café da manhã, transporte nas 13 unidades mais distantes, CPPCAM nas Unidades, crédito em publicações, 60% e 40% na Casembrapa, folga mensal e adicional ambiente inóspito em toda região norte.
Diante desse cenário, a categoria, organizada pelo Sinpaf, foi à luta. Na quinta-feira (24/7), os trabalhadores e as trabalhadoras realizaram faixaço em frente ao Palácio do Planalto pela manhã, para chamar a atenção do presidente Lula para a necessidade de atuação do Governo. A ação surtiu efeito e o grupo foi recebido por representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República.

No encontro, o Sinpaf relembrou a falta de compromisso da Embrapa com quem constrói a excelência da pesquisa agropecuária brasileira e solicitou articulação da SGPR, responsável pela relação entre o governo federal e a sociedade civil. O órgão se comprometeu a dialogar com o MGI para acompanhar o andamento das negociações, além de promover uma reunião na próxima semana entre os setores envolvidos no processo.
À tarde, a mobilização foi no Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), onde a diretoria da Embrapa se reuniu com a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) para debater o ACT.
Após tratativas, representantes do Sinpaf foram recebidos pela diretora de Política de Pessoal e Previdência Complementar de Estatais da SEST, Jussara Valadares. Na conversa, entre outros pontos, o Sindicato solicitou a prorrogação do ACT para garantir a proteção dos trabalhadores e das trabalhadoras enquanto um novo acordo não é assinado. O pedido também foi encaminhado à Embrapa.
“Foram dois dias de intensa mobilização e articulação do Sinpaf para destravar as negociações, proteger os trabalhadores e as trabalhadoras e garantir um ACT que contemple as principais reivindicações da categoria. Se chegamos a esse ponto, é porque a Embrapa demorou a apresentar uma proposta e segue sem responder às demandas dos empregados”, afirmou o presidente do Sinpaf, Jean Kleber Silva.
Assembleias
Nos próximos dias, o Sinpaf irá analisar os termos apresentados pela Embrapa e discutir os pontos que ainda não foram negociados com a empresa. Em seguida, a pauta será apresentada aos trabalhadores e às trabalhadoras, que irão avaliar e deliberar sobre a proposta. O Sinpaf reafirma que é possível construir um ACT que contemple as principais reivindicações das trabalhadoras e dos trabalhadores.
“As assembleias serão fundamentais para definir os próximos passos da campanha salarial. A mobilização continua, porque somente com unidade e pressão será possível conquistar um acordo que atenda às reivindicações da categoria. O Sinpaf seguirá atuando em todas as frentes de negociação e mobilização até que os trabalhadores e as trabalhadoras tenham um ACT à altura da importância da Embrapa e de seus empregados”, finalizou Jean Kleber.

