Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Plenária Sul: “O Brasil não pode se tornar uma Argentina”

25 de abril de 2026
Por: Por Bruno Cruz Edição: Gisliene Hesse

Na manhã do dia 25 de abril, delegados e delegadas debateram a conjuntura política nacional e internacional e também aprovaram a programação e o regimento da 28ª Plenária Regional Sul do SINPAF de forma unânime. A delegação conta com 23 representantes das sete seções sindicais da região Sul do Brasil (Passo Fundo, Florestas, Bagé, Bento Gonçalves, Londrina, Concórdia e Pelotas) oriundos da Embrapa.

A Plenária, que vai até domingo, dia 26 de abril, acontece na Escola Sindical Sul da CUT, em Florianópolis, e é a penúltima de cinco etapas que integram o processo de mobilização e de negociação coletiva e construção coletiva que antecede o 14º Congresso Nacional do SINPAF, instância em que serão definidas as diretrizes que devem orientar a atuação do Sindicato nos próximos anos.

Durante o debate de conjuntura, a presidenta estadual da CUT-SC, Ana Júlia Rodrigues, que dividiu a mesa com o presidente nacional do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, e diretores da região Sul do sindicato, Felipe Haubert Pilger e Fabiane Goldschmidt Antes, falou sobre a necessidade de o movimento sindical encampar a luta pela soberania nacional em virtude de uma série de guerras “promovidas” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ao redor do mundo.

Ana Júlia citou a captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, os conflitos na Palestina e na Ucrânia, mas também a recente guerra iniciada por Trump no Irã que tem afetado o preço do petróleo no mundo inteiro com graves consequências para a classe trabalhadora.

Outras intervenções alertaram para o processo de retirada de direitos trabalhistas vivido atualmente pela Argentina sob a administração Milei. Além disso, apontaram a necessidade de o movimento sindical brasileiro influenciar as eleições deste ano no Brasil como forma de defender a democracia e a soberania nacional, mas também os direitos de categorias organizadas, como o setor de pesquisa agropecuária, e a regulamentação de categorias que seguem na informalidade, como motoristas de aplicativos.

Para o presidente do SINPAF, “o Brasil não pode se tornar uma Argentina, pois a classe trabalhadora brasileira não só precisa manter os direitos que já conquistou, como também avançar para garantir o fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos. Da última vez que tivemos um governo parecido com o atual governo argentino, acabamos sofrendo com as reformas trabalhistas e a da previdência”.

“As trabalhadoras e os trabalhadores do setor de pesquisa agropecuária precisam entender que estão inseridos nesse contexto e não podem esquecer o que passamos no governo anterior. Além de não avançar na negociação coletiva, tivemos nossas condições de trabalho absolutamente precarizadas com prejuízos para a ciência e a produtividade agrícola, culminando com a carestia nos mercados e o aumento da fome”, completou Kleber.

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