Categoria sai ainda mais fortalecida da 28ª Plenária Regional Sudeste do SINPAF
Por: Por: Escrito por: Sara Mara / Edição: Gislienen Hesse
Durante os dias 10 e 11 de abril, Belo Horizonte sediou a 28ª Plenária Regional Sudeste do SINPAF. O encontro reuniu delegados e delegadas de instituições ligadas ao setor de pesquisa agropecuária, como Embrapa e Codevasf, além de empresas estaduais como Emepa/Empaer, Distritos Irrigados e Pesagro. As plenárias regionais integram o processo de construção coletiva que antecede o 14º Congresso Nacional do SINPAF, instância em que serão definidas as diretrizes que devem orientar a atuação do sindicato nos próximos anos.
A plenária foi a terceira de cinco etapas previstas para 2026, situando-se no meio do calendário de encontros regionais — que ainda terá as edições do Centro-Oeste e do Sul. Com o tema “Trabalho digno, democracia plena e nação soberana”, a atividade contou com a participação de 25 delegadas(os) de diferentes estados do Sudeste.
As discussões da plenária foram estratégicas para escuta, posicionamento político e construção coletiva. Ao todo, foram realizadas 11 mesas de debate, nas quais os participantes discutiram temas como conjuntura política, eleições, igualdade de gênero e raça, NR-1, assédio, o papel da pesquisa pública e o desenvolvimento regional, entre outros assuntos relevantes não apenas para a categoria, mas também para o país.
O presidente nacional do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, agradeceu a participação dos delegados e afirmou que a 28ª Plenária Regional Sudeste reforça a atuação coletiva da categoria. “A presença dos delegados mostra a força da nossa união, que nossas decisões são tomadas coletivamente e que o resultado fortalece a classe”, disse.
A vice-presidenta nacional da entidade, Jasna Maria Luna Marques, também destacou o resultado do encontro. “Saímos da Plenária mais fortes do que entramos. Enviamos um recado claro de que nossa classe não aceita retrocessos”, afirmou.
Primeiro dia
No primeiro dia, a abertura contou com lideranças sindicais que destacaram a importância da unidade da categoria, da participação coletiva e do fortalecimento do movimento sindical. No período da manhã, o evento contou com quatro mesas: abertura, análise de conjuntura, eleição do(a) secretário(a) e aprovação da pauta e do regimento interno da Plenária. Contudo, os três assuntos que dominaram a mesa de conjuntura foram eleições, comunicação e formação.
Para Jean Kleber de Sousa Silva, foi muito importante aprofundar o debate sobre o que se quer para o futuro do SINPAF, das empresas, da categoria e da própria sociedade. “Nós temos dois projetos em disputa para as eleições nacionais, que vão refletir o futuro do nosso SINPAF e da nossa categoria. O que defendemos é que os trabalhadores e trabalhadoras escolham aqueles representantes que, de fato, defendem a nossa pauta”, explicou.
Racismo estrutural
O primeiro dia do evento também serviu para debater a baixa presença de mulheres e negros no movimento sindical e a necessidade de ampliar a participação dessas pessoas no sindicato.
José Carlos de Souza, diretor estadual do Movimento Negro Unificado (MNU), apresentou um resumo da luta dos negros no Brasil, os principais pontos de resistência, as conquistas legais e a situação atual. Em sua fala, destacou que o racismo nos sindicatos reflete o racismo estrutural da sociedade, manifestando-se na baixa representatividade negra em cargos de liderança, na delegação de pautas antirracistas a coletivos internos e na reprodução de privilégios.
“Sem igualdade de gênero e combate ao racismo não há democracia plena”, afirmou.
Segundo ele, embora já existam alguns sindicatos que combatem o preconceito, a falta de diversidade nas diretorias e o racismo institucional ainda limitam a inclusão plena. “É de extrema importância que os sindicatos debatam e combatam o racismo. A atuação sindical é fundamental para enfrentar o racismo estrutural e institucional, especialmente no mercado de trabalho, onde desigualdades de raça estão enraizadas”, explicou.
Machismo nos sindicatos
Jasna Maria Luna Marques, vice-presidenta do SINPAF, apresentou dados sobre a evolução das lutas das mulheres no Brasil. Para ela, o machismo nos sindicatos manifesta-se por meio da sub-representação feminina em cargos de direção, da concentração de mulheres em cargos intermediários e de barreiras invisíveis que dificultam a ascensão política, mesmo em organizações de esquerda.
“Ainda há machismo nos sindicatos. Podemos perceber que a composição de diretorias sindicais é majoritariamente masculina, limitando a atuação feminina a papéis de suporte. Conversar sobre essas questões permite romper com o machismo, o assédio e a exploração, além de gerar condições de trabalho dignas”, completou.
Na oportunidade, Jean Kleber de Sousa Silva questionou: “O homem moderno costuma dizer que está em desconstrução. Quanto tempo vai levar essa reconstrução? Enquanto a gente está se desconstruindo, as mulheres estão morrendo.”
NR-1
A plenária contou ainda com uma mesa que debateu a importância da NR-1 no combate ao assédio, na construção de ambientes saudáveis e na promoção do trabalho digno. Estavam presentes Josilene Sales, técnica do Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat), e Sérgio Cobel da Silva, diretor nacional de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente do SINPAF.
Josilene Sales explicou que a Norma Regulamentadora nº 1 é a diretriz base de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil, estabelecendo disposições gerais, campos de aplicação e obrigações para empregadores e empregados. “A NR-1 não só exige o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e a criação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), como também passa a focar em riscos psicossociais e saúde mental”, explicou.
Ela destacou que a iniciativa tende a melhorar a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores. “É muito importante cuidar da saúde mental. Ações preventivas reduzem o absenteísmo, aumentam a produtividade, previnem o burnout e criam ambientes mais saudáveis”, afirmou.
Além disso, a técnica do Diesat apresentou dados da pesquisa de perfil epidemiológico dos trabalhadores e trabalhadoras, ainda em andamento, e disponibilizou uma cartilha sobre o tema.
Para Jasna Maria Luna Marques, há desinteresse e até resistência de alguns trabalhadores em relação à norma e à CIPA. “Temos que conscientizar e enfrentar esse problema”, conclamou.
O delegado Marco Antônio da Silva (Gado de Leite) afirmou que não percebe a fiscalização das diretrizes da NR-1. “Quem fiscaliza e como essa fiscalização é feita?”, questionou.
O delegado Juacy Campbell de Oliveira, de Sete Lagoas, relatou os problemas causados pelo deslocamento casa-trabalho. “Gasto cerca de cinco horas de deslocamento devido aos engarrafamentos, e isso causa vários problemas”, afirmou.
CIPA
A importância da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) também foi tema do evento. Sérgio Cobel da Silva explicou que a comissão é formada por representantes dos empregados e do empregador, sendo obrigatória em empresas com mais de 20 funcionários. Seu objetivo é prevenir acidentes e doenças ocupacionais, além de combater o assédio, tornando o ambiente de trabalho mais seguro e saudável.
Segundo ele, o movimento sindical se distanciou da CIPA e é preciso retomar esse vínculo. “A melhor forma de trazê-los é promover encontros de cipeiros. Essa comissão é fundamental para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores”, afirmou.
Segundo dia
A primeira mesa do segundo dia debateu os desafios enfrentados pelas seções sindicais e a contribuição da região para o Plano de Luta Nacional.
José Carlos Sá Ferreira, diretor regional Sudeste da entidade, ressaltou que os trabalhadores lutam para manter a empresa, mas que essa responsabilidade deve ser do governo federal. Em seguida, detalhou a situação do Centro Nacional de Pesquisa de Tecnologia Agroindustrial de Alimentos (CTAA). “Temos 13 carros, mas apenas dois funcionam. Não temos motoristas nem pessoal de manutenção. Pagamos do nosso bolso para comprar detergente. O CTAA está tomado pelo mato, há falta de manutenção, e os bebedouros estão com filtros vencidos”, relatou.
Outros delegados também descreveram a realidade de suas unidades. Carmelita do Espírito Santo, da Agrobiologia, afirmou que há falta de pessoal de laboratório, casas funcionais abandonadas e problemas estruturais. “A biblioteca está sem iluminação, os salários estão defasados e faltam produtos básicos, como álcool 70. Muitas vezes, temos que comprar do próprio bolso”, destacou.
O delegado Anselmo de Oliveira, de São Carlos, relatou situação semelhante. “Não há recursos para manutenção de veículos. Um pesquisador precisou doar pneus para o ônibus. Perdemos uma doação de insumos devido à demora na autorização. Houve concurso, mas contrataram quatro campeiros que não sabem andar a cavalo”, disse.
Tripé
Durante a mesa que debateu a situação da Ceres – Fundação de Seguridade Social e da Casembrapa, Adilson Ferreira Mota, diretor de Assuntos Jurídicos e Previdenciários do SINPAF, afirmou que os trabalhadores sempre estiveram alicerçados no tripé salário, aposentadoria e estabilidade.
“Precisamos ter atenção, porque esse tripé está ameaçado. Parece que há um movimento para enfraquecer esses direitos”, afirmou.
Ele destacou ainda que o SINPAF acompanha os conselhos da Casembrapa e as discussões sobre mudanças no estatuto. “A criação de novos produtos pode ser positiva, mas é preciso atenção ao tipo de produto que será ofertado”, alertou.
A delegada Cristiane Sobrinho Silva, da Indústria de Alimentos, alertou sobre a cobrança de relatórios fiscais. “Precisamos entender melhor os canais de fiscalização e conscientizar os colegas sobre a participação nos conselhos”, disse.
A delegada Tércia Zavaglia Torres, de Campinas, também levantou dúvidas. “Não sabemos quem arcará com os planos de qualidade de vida, nem se haverá coparticipação dos funcionários. Ainda há questões a serem esclarecidas”, afirmou.
União
Na mesa sobre os Acordos Coletivos de Trabalho 2026/2027 e a eleição da Comissão Nacional de Negociação (CNN), o delegado David Regis de Oliveira destacou a necessidade de mobilização. “As normas da Embrapa podem dificultar avanços. Precisamos de união para conquistar melhorias”, afirmou.
Jasna Maria Luna Marques reforçou a preocupação. “Há um ambiente de procrastinação, preconceito e descaso. Precisamos mobilizar mais trabalhadores para essa luta”, disse.
O delegado Ricardo Costa Camargo, de Campinas, questionou os critérios de negociação. “Precisamos definir parâmetros claros e estratégias de mobilização”, afirmou.
Foram eleitos como novos integrantes da CNN do SINPAF para 2027 os delegados Neio Lúcio Silva (Gado de Leite) e Cristiane Sobrinho Silva (Indústria de Alimentos).
Estatuto
Durante a quarta mesa do segundo dia, foram apresentadas propostas de mudanças no Estatuto. A votação será realizada no 14º Congresso Nacional do SINPAF, principal instância deliberativa da entidade. A próxima plenária será realizada em Campinas.
Encaminhamentos
A plenária contou com diversas proposições, entre elas a defesa de que a manutenção da Embrapa seja feita exclusivamente com recursos públicos.
O delegado Neio Lúcio Silva sugeriu a elaboração de um documento para cobrar das empresas ligadas ao SINPAF explicações sobre a falta de orçamento para manutenção.
O delegado Ricardo Costa Camargo propôs a criação de avaliações periódicas das chefias pelos empregados.
O presidente Jean Kleber de Sousa Silva solicitou que as seções sindicais encaminhem denúncias ao Ministério Público do Trabalho sempre que não houver resolução interna.
Adilson Ferreira Mota propôs que a campanha salarial tenha como foco a diretoria da Embrapa.
Moções
Moção de felicitação – Parabeniza a organização da plenária regional Sudeste, destacando o aprofundamento dos debates e o ambiente democrático. A expectativa é que o Congresso Nacional siga esse modelo.
Moção de apoio – Apoio à integração do SINPAF com instituições parceiras na realização do seminário de fortalecimento da agroecologia na Embrapa, previsto para junho de 2026, em Brasília.
Também foi proposta a realização de reuniões semestrais entre a Diretoria Regional Sudeste e as seções sindicais para fortalecer a integração da base.

