Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Emergências climáticas: Sinpaf busca garantir proteção aos trabalhadores no ACT

7 de agosto de 2026
Por: Leandro Sinpaf

Um ciclone-bomba atingiu o município de Pelotas, no Rio Grande do Sul, no final desta quinta-feira (6/8). A cidade abriga a unidade da Embrapa Clima Temperado, cujos trabalhadores e trabalhadoras são representados pelo Sinpaf.
As rajadas de vento de até 90 quilômetros por hora causaram destelhamentos de casas, queda de árvores e postes, além do desabamento do muro do Presídio Regional da cidade.
A passagem do fenômeno também provocou a falta de energia elétrica e de água, além da suspensão das aulas nas escolas e dos atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da região. Não houve registro de feridos ou mortos.
“O Sinpaf se solidariza com a população de Pelotas e com os trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa Clima Temperado diante dos impactos provocados pelo ciclone-bomba. O Sindicato manifesta seu apoio a todos que foram afetados pelo fenômeno e reconhece os esforços de trabalhadores e serviços públicos para enfrentar as consequências desse evento”, afirmou o presidente do Sinpaf, Jean Kleber Silva.

Proteção é direito
O ocorrido é parte de uma série de mudanças climáticas que têm alterado substancialmente a vida de milhares de pessoas em todo o mundo, com impactos mais severos à classe trabalhadora.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 70% da força de trabalho global está exposta aos riscos causados por eventos climáticos extremos. Diante do contexto preocupante, o Sinpaf tem atuado em várias frentes para ampliar a segurança da sua base, incluindo medidas de proteção nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs).
As reivindicações para o ACT 2026-2027 da Embrapa, por exemplo, levam à negociação temas sobre as diversas formas de resguardo do empregado nesses cenários. Entre elas, estão a desobrigação de o trabalhador exercer atividades em condições críticas em decorrência do clima e a inclusão do adicional de penosidade.
Esses e outros pontos integram o conjunto de cláusulas sociais, que trazem melhorias para o dia a dia da categoria. Entretanto, embora a Embrapa possua unidades em diversas regiões que enfrentam extremos climáticos, a discussão na mesa de negociação não avançou.
Enquanto o Sinpaf tem realizado articulações para ampliar os direitos e a proteção aos trabalhadores, a empresa apresentou uma proposta que se limita à recomposição da inflação. Não há avanços sequer nas cláusulas que não geram custos financeiros à Embrapa.
“Estamos falando de proteger vidas e de garantir que nenhum trabalhador seja colocado diante da escolha entre preservar sua integridade e cumprir sua jornada. A Embrapa está presente em diferentes regiões do país e conhece as condições a que seus empregados estão submetidos. Por isso, não podemos tratar essa realidade como algo secundário. Garantir condições dignas e seguras de trabalho é uma responsabilidade da empresa e uma obrigação que precisa estar assegurada no ACT”, afirmou o presidente do Sinpaf, Jean Kleber Silva.

ACT
Desde o dia 5 de agosto, trabalhadores da Embrapa têm realizado assembleias para avaliar e deliberar sobre a proposta da empresa. Os encontros ocorrem até a próxima quarta-feira (12/8).
Diante da falta de avanços, o Sinpaf orienta a categoria pela rejeição da proposta e reafirma que seguirá atuando para garantir um ACT com proteção, recomposição e valorização.
“Os eventos climáticos extremos já fazem parte da realidade de diferentes regiões do país e tendem a ser cada vez mais frequentes. Não podemos esperar que novas situações de risco aconteçam para discutir como proteger quem está trabalhando. É preciso antecipar os problemas e estabelecer no ACT regras claras que garantam segurança, dignidade e preservação da vida dos empregados”, concluiu Jean Kleber.

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