Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Embrapa apresenta reajuste de 4,11% após 160 dias sem proposta e frustra trabalhadores

22 de julho de 2026
Por: Leandro Sinpaf

A Embrapa apresentou, nesta quarta-feira (22), sua primeira proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027, após 160 dias da entrega da pauta de reivindicações pelo SINPAF. Em resposta ao descaso, a categoria realiza um ato na manhã desta quinta-feira (23), a partir das 9h, em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o MGI.

Durante a 11ª rodada de negociação, a empresa ofereceu apenas o reajuste de 4,11% sobre salários e benefícios. O índice corresponde à reposição da inflação acumulada entre maio de 2025 e abril de 2026, medida pelo INPC.

“Terrível para a classe trabalhadora.” Essa foi a avaliação do presidente do SINPAF, Jean Kleber, sobre a proposta apresentada pela Embrapa.

O resultado da reunião causou forte insatisfação entre os representantes dos trabalhadores. Além de não apresentar ganho real, a proposta não contempla nenhuma das principais reivindicações da categoria nem oferece respostas para a maior parte das cláusulas sociais discutidas desde o início da campanha salarial.

Proposta chega após meses de negociação

Desde a entrega da pauta, em fevereiro, o SINPAF, a Comissão Nacional de Negociação, participaram de reuniões sem receber sequer uma proposta concreta da empresa.

Para Jean Kleber, o conteúdo apresentado nesta quarta-feira, sem nada além do índice, poderia ter chegado à mesa logo nos primeiros meses da negociação.

“Entregamos a pauta em fevereiro, com a promessa de que a negociação andaria com mais celeridade esse ano. O compromisso da presidência da empresa tinha até o dia 6 de abril para a negociação. Em tese, poderia ter ocorrido o acordo antes. Não tinha restrição ou aspecto que impedisse. Agora ficou no passado, entendemos as limitações, mas também quero trazer que já fizemos o Acordo Coletivo da Codevasf antes do prazo e lá avançamos em três cláusulas”, afirmou.

O presidente destacou que a negociação com a Codevasf incorporou reivindicações relacionadas ao intervalo para alimentação, ao banco de horas e à ampliação da licença-paternidade. Na Embrapa, as propostas apresentadas pela categoria não tiveram o mesmo encaminhamento e negociação.

“Além do acordo da Codevasf, não vimos a negociação avançar na Embrapa, uma empresa que representa, por excelência, uma das maiores estatais deste país. Não conseguir avançar em nada mostra desarticulação política. A empresa não consegue atender aos anseios históricos da nossa base por motivos de gestão, da burocracia e da interação política com órgãos do governo”, declarou Jean.

Além do índice de 4,11%, a Embrapa trouxe à mesa uma alteração relacionada aos critérios de promoção e à participação de empregados afastados ou cedidos no processo de avaliação por mérito. As demais reivindicações permaneceram sem resposta concreta.

“O cenário é muito ruim. A gente chegou hoje ao que poderia ter sido apresentado em abril ou maio. O sentimento é de que a gente nadou e está quase morrendo na praia”, completou o presidente do SINPAF.

Embrapa atribui demora às regras da CGPAR

Durante a reunião, representantes da Embrapa afirmaram que a Resolução CGPAR nº 52 modificou o processo de negociação coletiva nas empresas estatais.

Segundo a empresa, as propostas precisam passar pelas áreas técnicas, pela Diretoria Executiva, pelo Conselho de Administração e pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais antes de serem apresentadas à representação sindical.

A direção da Embrapa também informou que, em abril, ainda não dispunha do índice oficial de inflação e que orientações da auditoria exigiram mudanças na tramitação das propostas.

O SINPAF reconheceu a existência das etapas administrativas, mas criticou a condução do processo pela Embrapa. Aburocracia não justifica a ausência de respostas sobre reivindicações sem impacto econômico imediato.

Jean Kleber voltou a citar a experiência da Codevasf e afirmou que a gestão precisa buscar soluções dentro das regras existentes.

“Para a gente, foi uma decepção passar por esse processo. O que foi apresentado hoje deveria ter sido apresentado muito antes. O processo burocrático na Embrapa é real. Vou citar de novo a Codevasf. O gerente de Administração falou como fez para agilizar o processo. Lá, mandam os gestores. Aqui, temos várias diretorias, e isso é um complicador dentro da Embrapa”, disse.

Para o presidente do SINPAF, cabe à direção da empresa encontrar alternativas jurídicas e administrativas capazes de viabilizar as propostas.

“Quem manda é a presidenta. Quando ela quer criar uma diretoria, estala o dedo e cria. Quando quer, cria bolsa ou assessoria. No ACT não foi assim ”, afirmou.

Reivindicações históricas seguem pendentes

Entre os temas discutidos durante a rodada está o reconhecimento da elevação da escolaridade nos cargos de técnico e assistente. Representantes da categoria criticaram a falta de reconhecimento desses trabalhadores e alertaram para a redução das contratações nessas funções.

O SINPAF ressaltou que técnicos e assistentes exercem atividades fundamentais para a pesquisa, a administração e o funcionamento das unidades da Embrapa. A falta de concursos e de políticas de valorização ameaça a continuidade de conhecimentos acumulados dentro da empresa.

Também foram abordadas questões relacionadas às atribuições dos assistentes, à penosidade, à insalubridade, aos critérios de avaliação, às promoções e à segurança jurídica dos trabalhadores diante da negociação do dissídio coletivo.

Parte desses assuntos poderá ser encaminhada à mesa permanente de negociação. O Sindicato defende que esse espaço tenha metodologia clara, prazos definidos e capacidade de apresentar resultados.

SINPAF registra decepção e prepara resposta

Ao final da rodada, o SINPAF solicitou o registro em ata de sua decepção com a condução do processo negocial. O Sindicato apontou o excesso de burocracia interna e a aparente desarticulação política da direção da Embrapa como fatores que impediram avanços na campanha salarial.

O SINPAF deverá apresentar uma resposta formal à proposta da empresa até o dia 24 de julho.

A mobilização desta quinta-feira contará com a participação da Comissão Nacional de Negociação, de dirigentes do Sindicato e de representantes de diferentes regiões do país. O ato cobrará do governo federal uma proposta que reconheça as reivindicações e a importância dos trabalhadores da Embrapa.

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