Em podcast, Sinpaf defende fortalecimento da pesquisa pública e valorização dos trabalhadores da ciência no Brasil
Por: Leandro Sinpaf
Não há pesquisa forte sem trabalhadores e trabalhadoras e instituições públicas fortalecidas. Foi o que afirmaram o presidente do Sinpaf, Jean Kleber Silva, e o diretor de Tecnologia e Ciência da entidade, Marcus Vinícius Vidal, em participação no Podcast Conexão Confap.
O programa é produzido pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e tem como foco a divulgação da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) no Brasil.
Durante o bate-papo, os dirigentes destacaram a atuação do Sinpaf na defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras de base e na valorização da ciência pública. Também reforçaram o papel estratégico da pesquisa e do desenvolvimento científico para a soberania e o desenvolvimento nacional.
De acordo com Marcus Vinícius Vidal, para além da luta por direitos e melhores condições de trabalho para empregados(as), o Sinpaf tem papel estratégico na defesa de empresas públicas, como a Embrapa e a Codevasf. Como exemplo, ele citou as mobilizações do sindicato no Congresso Nacional pela ampliação do orçamento público destinado às estatais.
“O nosso papel como sindicato não é fazer pesquisa, mas contribuir para garantir as condições necessárias para que ela aconteça e se fortaleça, permitindo que as empresas públicas respondam às demandas da sociedade”, afirmou.
Pesquisa do Sinpaf
Outra iniciativa importante do Sinpaf voltada ao fortalecimento da pesquisa, é um levantamento que entrevistou pesquisadores e pesquisadoras da Embrapa e buscou entender as condições reais para o desenvolvimento da atividade científica na empresa.
Embora os dados ainda estejam em fase final de consolidação, os resultados já indicam que a burocracia interna, a falta de equipamentos e a infraestrutura insuficiente continuam sendo entraves que comprometem o desenvolvimento da pesquisa.
De acordo com o levantamento, 62% dos respondentes consideram que a infraestrutura atende apenas parcialmente às condições necessárias. Já 52% afirmam que a burocracia interna impacta negativamente a atividade científica.
Assédio
A luta do Sinpaf contra as diversas formas de assédio também esteve no centro do debate. O presidente do sindicato, Jean Kleber Silva, afirmou que, além de monitoramento constante, a entidade elaborou uma cartilha para auxiliar trabalhadoras e trabalhadores na identificação e no enfrentamento dessas práticas.
“O assédio muitas vezes parece invisível, principalmente para quem está na condição de assediado. Às vezes, leva ao adoecimento e você não consegue sair daquela situação. Então, a gente tem lutado muito contra isso, dentro da Embrapa, especialmente. Foi detectado assédio intelectual tanto na imposição de regras que limitam a produção do conhecimento quanto na apropriação indevida de ideias”, afirmou Jean.
Para o sindicalista, os impactos dos comportamentos abusivos comprometem não só as condições de trabalho, mas a produção de conhecimento. “A gente tem monitorado e combatido essas práticas, fazendo denúncias aos órgãos competentes e cobrando providências da própria empresa, porque não existe pesquisa de excelência em um ambiente marcado pelo assédio”, disse.
Além desses temas, os dirigentes do Sinpaf discutiram a promoção da diversidade e da inclusão na ciência, o uso ético da inteligência artificial, a soberania científica e os desafios da inovação no Brasil.
Assista ao episódio completo:

