SINPAF amplia atuação em defesa dos cedidos e cobra mudanças nas regras de progressão da Embrapa
Por: Gisliene Hesse
A defesa dos trabalhadores e trabalhadoras cedidos(as) da Embrapa tem ocupado lugar central na atuação do SINPAF. O sindicato tem ampliado o diálogo com a empresa e cobrado soluções para corrigir distorções que afetam diretamente a progressão funcional. Atualmente, esse processo ocorre de forma limitada, alcançando apenas parte dos empregados(as) cedidos e concentrando-se nos primeiros anos da cessão, o que tem provocado prejuízos, desigualdades e falta de reconhecimento do trabalho desenvolvido fora das unidades da Embrapa.
Conforme relatos recebidos pelo sindicato, a empresa aplica um modelo em que a progressão alcança aproximadamente 20% das trabalhadoras e dos trabalhadores cedidos e fica restrita aos quatro primeiros anos da cessão. Para o SINPAF, esse formato não atende à realidade dos empregados que continuam desempenhando funções públicas, contribuindo para áreas estratégicas do Estado brasileiro e representando a própria Embrapa em diferentes espaços institucionais.
A reivindicação do sindicato é clara: garantir progressão para todos os cedidos, eliminar as restrições atualmente aplicadas, reconhecer as avaliações realizadas nas instituições de destino e construir um regramento transparente, permanente e isonômico.
Quando a cessão deixa de ser escolha e vira alternativa
O sindicato também avalia que o debate precisa ir além da questão funcional. Muitos trabalhadores e trabalhadoras que chegam à condição de cedidos relatam trajetórias marcadas por conflitos internos, adoecimento, situações de desgaste e denúncias relacionadas ao ambiente de trabalho. Em diversos casos, a cessão acabou se tornando uma alternativa encontrada pelos próprios empregados para permanecer no serviço público e continuar exercendo suas atividades profissionais fora das unidades de origem.
Para o presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, a pauta é prioritária porque envolve não apenas progressão funcional, mas também valorização profissional, saúde no trabalho e justiça com trabalhadores e trabalhadoras que seguem atuando em nome do serviço público. Segundo ele, em muitos casos, a cessão não nasce de uma escolha planejada de carreira, mas acaba sendo a alternativa encontrada por empregados(as) que enfrentaram situações de desgaste, conflitos internos, adoecimento e até relatos de assédio nas unidades de origem.
“Estamos tratando de profissionais que continuam contribuindo com o Estado brasileiro, levando sua experiência para universidades, institutos e outros órgãos públicos. Muitos desses trabalhadores e trabalhadoras chegam à cessão depois de vivenciarem situações difíceis dentro das unidades e encontrarem nesse caminho uma forma de continuar exercendo suas atividades. Em muitos casos, a cessão acaba sendo a solução construída pelo próprio trabalhador para continuar no serviço público quando não encontra acolhimento, resolução dos conflitos ou respostas para situações vividas nas unidades. Não é justo que, além de enfrentar esse processo, ele ainda seja penalizado com restrições na progressão funcional”, afirma Jean Kleber.
A pauta também envolve acolhimento e saúde no trabalho
Para o SINPAF, a situação dos cedidos também revela a necessidade de aprofundar o debate sobre acolhimento e enfrentamento aos conflitos no ambiente de trabalho. Segundo o presidente do sindicato, Jean Kleber de Sousa Silva, “é preciso avançar na construção de políticas efetivas de prevenção e combate ao assédio, além de mecanismos que garantam suporte aos trabalhadores e trabalhadoras dentro da própria empresa”.
Espaços de diálogo
A partir da atuação do SINPAF, a pauta dos cedidos ganhou espaço nas negociações, nos debates internos e nas instâncias de diálogo. O sindicato levou o assunto à primeira reunião do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), integrou as discussões da abertura da mesa Permanente e o tema também esteve entre os debates da 33ª Plenária Regional Nordeste, realizada em Maceió (AL), quando foram apresentados relatos de empregados(as) sobre perdas funcionais, dificuldades na progressão e impactos acumulados ao longo dos anos.
Na Mesa Permanente, inclusive, a situação dos cedidos passou a ser tratada como uma pauta estratégica, reforçando a necessidade de aprofundar o debate e construir soluções para o problema.
Embrapa estuda soluções para a situação dos cedidos
A Diretoria de Administração da Embrapa tem demonstrado empenho na busca de alternativas para a situação dos cedidos. Durante a reunião inaugural de apresentação da pauta do ACT 2026–2027, a diretora de Administração, Tereza Cristina de Oliveira, afirmou que a Empresa está estudando formas de solucionar a questão e defendeu que o tema passe a integrar a Mesa Permanente de Negociação, reconhecendo a necessidade de manter o debate de forma contínua até a construção de uma solução.

