Embrapa paralisa diálogo, não apresenta proposta e empurra negociação para o desgaste
Por: Gisliene Hesse
A paralisação nacional realizada em 17 de junho, que teve grande sucesso de adesão da categoria e repercussão na mídia, somada às reuniões posteriores do SINPAF com o governo federal e com a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), expõe um aparente descaso com as condução das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 pela Embrapa.
Na reunião com a SEST, o próprio órgão informou não ter conhecimento oficial das propostas. O dado, por si só, revela um nível de desorganização e descumprimento de procedimentos básicos de governança nas negociações.
Depois de oito dias após a Paralisação Nacional, a Comissão Nacional de Negociação do SINPAF segue sem a apresentação de nenhuma proposta por parte da empresa. O que se observa, segundo o SINPAF, não é um impasse pontual, mas um padrão reiterado de descaso. “O que mais chama atenção é que a Embrapa teve celeridade de levar à SEST uma nova diretoria de Negócio, que joga a empresa nas mãos do setor privado, mas não apresentou oficialmente a proposta do ACT da categoria”, critica Jean Kleber de Sousa Silva, presidente do SINPAF.
Outro ponto que o presidente ressalta é a repetição condução da empresa durante as negociações. “Nos últimos anos, a empresa manteve o mesmo padrão de arrastar as negociações e chegar até mesmo ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), não demonstrando abertura para diálogo e sem oferecer o mínimo esperado. Neste ano, apesar da promessa de celeridade, a Embrapa fechou as portas para os trabalhadores e trabalhadoras e desprezou as reivindicações da categoria”, afirma Jean Kleber.
“A paralisação nacional demonstrou capacidade de organização e força da categoria. Ainda assim, a resposta da empresa permanece sendo a inércia. Não se trata de um episódio isolado. Em acordo anterior, a negociação terminou judicializada no TST, após 16 rodadas de negociação o esgotamento do diálogo direto — um retrato da incapacidade da empresa de conduzir processos negociais de forma minimamente resolutiva”, critica o secretário-geral do SINPAF, Antonio Aparecido Guedes.
O cenário atual, na avaliação do SINPAF, é ainda mais grave. Há um acúmulo de perdas, desgaste institucional e uma sequência de negociações que não produzem resultado concreto, enquanto a empresa se mantém em posição de recusa prática ao avanço do acordo.
“A responsabilidade por esse impasse recai diretamente sobre a gestão da Embrapa, sob a diretoria executiva atual, que até o momento não apresentou qualquer proposta à categoria, mesmo após paralisação nacional e ampla mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras”, completou o presidente do SINPAF.
A categoria segue mobilizada e cobra o que deveria ser elementar em qualquer processo negocial: respeito, resposta e proposta concreta.

