Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

14º Congresso Nacional do SINPAF começa sob clima de vitória histórica para a classe trabalhadora

Aprovação do fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados marcou a abertura do encontro, que reuniu lideranças sindicais, representantes de movimentos sociais e trabalhadores em defesa de direitos, soberania e valorização do trabalho

28 de maio de 2026
Por: Ana Flávia Flôres

A abertura do 14º Congresso Nacional do SINPAF foi marcada pelo clima de celebração, esperança e mobilização. Realizada poucas horas após a aprovação do fim da escala 6×1 no plenário da Câmara dos Deputados, a mesa reuniu representantes do movimento sindical, do Poder Executivo, de pesquisadores e de trabalhadores em torno de uma percepção comum: embora ainda haja um longo caminho até a consolidação da medida, a votação representou um passo histórico e extremamente relevante para a melhoria das condições de trabalho no Brasil.

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Para os presentes, a conquista da véspera reforça a importância da mobilização coletiva para garantir avanços para a classe trabalhadora. A coordenadora-geral da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ivânia Pereira, destacou que a vitória parcial obtida na Câmara representa o resultado de quase quatro décadas de luta pela redução da jornada de trabalho. Em sua fala, ela relacionou diretamente a pauta à qualidade de vida, ao acesso à cultura, ao lazer e à dignidade humana. “O trabalhador não pode se sentir preso ao trabalho só pela sua sobrevivência e da sua família; ele precisa ter mais”.

O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, também enfatizou o caráter histórico do momento, lembrando que a mobilização continuará no Senado Federal. Segundo ele, o movimento sindical seguirá atuando para construir uma nova agenda para a classe trabalhadora. “O que não nos falta é pauta para transformar esse Brasil em uma sociedade mais justa e igualitária”, destacou.

Trabalho digno e qualidade de vida

A relação entre condições de trabalho e saúde esteve presente em diversos momentos da abertura. Representando o Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat), Josilene Salles reforçou a importância da construção coletiva realizada entre a entidade e o SINPAF ao longo das plenárias regionais preparatórias do congresso. Ela destacou a relevância da atualização da NR-1, que entrou em vigor no último dia 26 de maio e ampliou o olhar sobre os riscos presentes no ambiente laboral, incluindo a gestão dos riscos psicossociais.

A dirigente também defendeu a construção coletiva de soluções para impedir que o trabalho se torne sinônimo de adoecimento. A mesma preocupação apareceu na fala de Alessandra Freitas, da coordenação nacional do MST. Ela foi enfática ao defender que não há avanço nas pautas centrais da classe trabalhadora sem qualidade de vida e saúde para os trabalhadores.

Ciência, soberania e empresas públicas

Outro eixo central do debate foi o papel estratégico da pesquisa pública para o desenvolvimento nacional. Ivânia Pereira ressaltou que a soberania brasileira passa necessariamente pela ciência nacional e pelo trabalho desenvolvido pelos profissionais de empresas como a Embrapa e a Codevasf. Ela ressaltou que não existe soberania sem pesquisa, assim como não existe soberania alimentar sem a agricultura familiar apoiada pelo conhecimento científico produzido pelos trabalhadores de empresas públicas.

O presidente nacional do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, reforçou essa visão ao afirmar que as empresas públicas existem para desenvolver e apoiar políticas públicas capazes de construir o país. Ele também destacou a importância do congresso da entidade enquanto espaço fundamental para decisões, alinhamentos e construção democrática, bem como a importância das parcerias consolidadas pelo sindicato com movimentos e entidades como MST, CUT e Diesat.

Impedida de comparecer presencialmente, a presidenta da Embrapa, Sílvia Massruhá, enviou um vídeo aos congressistas. Na mensagem, ela definiu o congresso como um espaço legítimo de escuta e decisão coletiva e ressaltou que falar de respeito significa defender ambientes de trabalho mais justos. “Cuidar das pessoas é parte essencial da gestão pública”. Sílvia também reafirmou a importância do diálogo permanente da empresa com o sindicato, especialmente no contexto das negociações do acordo coletivo de trabalho.

Unidade da classe trabalhadora e desafios para o futuro

As discussões da mesa de abertura também contemplaram o cenário político nacional e os desafios apresentados para os próximos anos. Em vídeo enviado aos congressistas, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que as eleições de 2026 representarão uma disputa de rumos para o Brasil e defendeu a necessidade de o país aprofundar os debates relacionados a questões estratégicas, como educação, segurança pública, transição energética e soberania nacional.

A vice-presidenta nacional do SINPAF, Jasna Luna, chamou atenção para o momento decisivo vivido pelo movimento sindical, especialmente após os impactos da reforma trabalhista de 2017. Segundo ela, encontros como o congresso tornam-se ainda mais importantes diante da necessidade de fortalecer a consciência de classe, a união dos trabalhadores e a defesa dos direitos sociais.

Representando a Codevasf, o presidente Lucas Felipe de Oliveira destacou a importância do diálogo permanente com os trabalhadores e reconheceu o papel estratégico das empresas públicas. Ele também afirmou acreditar que este será um ano exitoso para as negociações no âmbito do ACT e celebrou a aprovação do fim da escala 6×1 como uma importante vitória para os trabalhadores brasileiros.

Em meio às discussões sobre direitos, democracia, soberania e qualidade de vida, a abertura do 14º Congresso Nacional do SINPAF evidenciou que o movimento sindical segue mobilizado e disposto a construir respostas coletivas para os desafios contemporâneos do mundo do trabalho. Mais do que um encontro de categoria, o congresso começou reafirmando o papel estratégico da organização coletiva na defesa da ciência, do serviço público e da dignidade dos trabalhadores brasileiros.

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