Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário
Foto: Lucas Almeida

Plenária Nordeste do SINPAF reúne delegados em Maceió com debates sobre desafios e unidade sindical

Encontro regional discute conjuntura política, fortalecimento dos sindicatos e propostas para o Congresso Nacional

27 de março de 2026
Por: Por Jamerson Soares / Edição: Camila Bordinha

A primeira manhã da 33ª Plenária Regional do Nordeste do SINPAF, em Maceió, começou movimentada e marcada por intensos debates sobre as inquietações e demandas das trabalhadoras e trabalhadores, a conjuntura política e social no Nordeste e no Brasil, a importância da união dos sindicatos, além das experiências e dos desafios enfrentados pelos empregados das empresas de base — Embrapa, Codevasf, Distritos Irrigados, Pesagro e Emepa/Empaer.

Considerada a maior plenária regional, o encontro conta com a presença de 55 delegados e tem como objetivo apresentar propostas para o 14º Congresso Nacional do SINPAF, evento no qual serão definidas as diretrizes que orientarão a atuação do sindicato nos próximos anos.

O credenciamento ocorreu por volta das 8h, com a sala já cheia. Aos poucos, delegados e delegadas, integrantes de movimentos e representantes de outras empresas do setor foram se ambientando ao espaço e interagindo entre si, em um cenário de confraternização e luta coletiva.

Compuseram a mesa de abertura o presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa; a vice-presidenta nacional, Jasna Luna; a secretária de Administração e Finanças da CUT/AL e vice-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Arapiraca, Rilda Maria Alves, representando o presidente da CUT, Luciano Santos; e o diretor regional Nordeste do SINPAF, Paulo José, responsável por declarar a abertura da plenária e realizar a fala de introdução.

“No dia da votação, tivemos uma surpresa muito grande. Quem está aqui é amigo de vocês. A partir de hoje, estamos para defender a nós mesmos e aos nossos filiados. Declaro a nossa plenária aberta”, afirmou Paulo José.

Saudações e apresentações

Em seguida, o presidente Jean Kleber saudou os presentes e destacou a importância de participar, pela primeira vez como presidente, da plenária do Nordeste.

“Para mim, é muito importante estar aqui. E tenho dito isso por onde passo: o momento é de unidade. Precisamos de unidade da base. Nossas percepções estratégicas podem ficar para o futuro; as questões táticas resolveremos juntos agora, ombro a ombro, para conseguirmos avançar”, afirmou.

A vice-presidenta Jasna Luna foi a próxima a falar. Ela chamou atenção para a baixa presença feminina na plenária e destacou a importância da participação das mulheres em espaços como esse. Ainda assim, comemorou o auditório cheio.

“Quero parabenizar todas e todos que estão aqui, tanto as delegadas e os delegados natos quanto as/os eleitas/os, porque percebemos que está cada vez mais difícil mobilizar pessoas com senso de coletividade. É nesses momentos que conseguimos, de fato, democratizar a participação”, declarou.

Conjuntura e os dilemas do trabalhador

O momento de palestras e debates teve início com posicionamentos claros, apresentação de propostas e poucos embates políticos. Foram convidados para compor a mesa o presidente do SINPAF, Jean Kleber, como mediador; a representante do Sindicato dos Assistentes Sociais de Alagoas e presidenta do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores em Maceió, Alessandra Márcia e Rilda Maria Alves.

Alessandra abriu a discussão destacando temas como os dilemas do trabalho no capitalismo contemporâneo, a possibilidade de uma reforma sindical, o avanço de um autoritarismo renovado e os impactos do cenário internacional sobre a classe trabalhadora.

Ela também abordou questões como a crise de superprodução, a crise climática, o padrão de consumo que compromete os recursos naturais, o lucro nocivo e sua relação com o crime ambiental nos bairros de Maceió afetados pela exploração de sal-gema.

“Hoje, temos os nossos sindicatos, mas perdemos força na luta dos trabalhadores. Isso me preocupa muito enquanto trabalhadora e dirigente sindical. O sindicato é uma ferramenta legítima de luta por direitos, e o que vemos hoje são muitos deles fechando as portas. Isso é o que mais me preocupa”, refletiu.

Já Rilda destacou a precarização dos trabalhadores terceirizados, a ausência de direitos e a importância de incluí-los na luta sindical como forma de fortalecer a categoria e reivindicar concursos públicos.

“Precisamos nos envolver na luta desses trabalhadores, reconhecê-los e trazê-los para dentro do sindicato. São trabalhadores desamparados. Só assim conseguiremos, juntos, conquistar direitos. Caso contrário, o sindicato seguirá fragilizado”, enfatizou.

Apontamentos e aprovação de pauta

Na sequência, foi realizado um momento de perguntas e apontamentos dos delegados, organizados em seis blocos. A maioria das intervenções destacou desafios como a relação entre o sindicato e as novas tecnologias, a necessidade de posicionamento político em defesa da classe trabalhadora e a inclusão dos jovens no movimento sindical.

Também foi realizada a votação para escolha do secretariado da mesa. Com mais de 20 votos, foi eleita Orlane Maia, delegada de Teresina. Em seguida, o regimento interno foi aprovado por unanimidade.

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