Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário
Foto: Jr. Rosa

14º Congresso do SINPAF encerra edição histórica com foco na mobilização pelo ACT e fortalecimento da entidade

No último dia, delegadas(os) aprovaram relatórios financeiros, definiram estratégias para a campanha salarial e reforçaram a mobilização em defesa dos direitos dos trabalhadores

1 de junho de 2026
Por: Texto: Ana Flávia Flores Edição: Gisliene Hesse

O último dia do 14º Congresso Nacional do SINPAF foi marcado por debates estratégicos sobre a campanha salarial das(os) trabalhadoras(es) da Embrapa e da Codevasf, pela análise da situação financeira da entidade e por deliberações que irão orientar a atuação sindical nos próximos meses.

Reunidos em Brasília/DF, cerca de 200 representantes das 52 Seções Sindicais de todo o país encerraram três dias de intensas discussões reafirmando o compromisso com a defesa dos direitos da categoria, a valorização do trabalho e o fortalecimento da organização sindical.

Campanha salarial entra na reta decisiva

A apresentação sobre os Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) ocupou parte importante da programação e evidenciou a preocupação dos dirigentes com a necessidade de concluir as negociações ainda neste ano. O objetivo é evitar que as tratativas sejam interrompidas pelo calendário eleitoral ou, pior, postergadas para o próximo ano.

A supervisora do escritório do Dieese na capital federal, Mariel Lopes, apresentou um panorama econômico do histórico das negociações nas empresas estatais federais e demonstrou que tanto os trabalhadores da Embrapa quanto os da Codevasf acumulam perdas salariais significativas nos últimos anos. Segundo os dados apresentados, os reajustes obtidos desde 2021 ficaram abaixo da inflação acumulada do período, resultando em perda real dos salários nas duas empresas. O estudo também mostrou que os benefícios evoluíram em ritmo insuficiente para compensar essas perdas.

No caso da Embrapa, Mariel apresentou dados do balanço social da empresa que ressaltam sua relevância estratégica para o país: em 2025, a instituição gerou um lucro social estimado em R$ 124 bilhões e contribuiu para a criação de cerca de 132 mil empregos.

Mobilização para pressionar as empresas

Ao abordar a negociação com a Codevasf, a vice-presidenta nacional do SINPAF, Jasna Luna, ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas representações das(os) trabalhadoras(es) após as mudanças promovidas pela reforma trabalhista de 2017. Desde então, as negociações se tornaram mais complexas e passaram a ocorrer em condições desfavoráveis para os sindicatos.

Apesar das dificuldades, Jasna ressaltou que o SINPAF seguirá defendendo a recomposição integral das perdas inflacionárias e criticou propostas que não garantam sequer a reposição total da inflação acumulada. A dirigente também alertou para a necessidade de acelerar as negociações diante do prazo existente para assinatura dos acordos antes do período eleitoral.

Na mesma direção, o presidente nacional do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, anunciou uma agenda de mobilização nacional para fortalecer a campanha salarial. Entre as medidas está a realização de assembleias nos dias 2 e 3 de junho e paralisação no dia 17. A estratégia inclui ainda ações de comunicação e mobilização nas bases sindicais de todo o país.

Transparência e responsabilidade

A programação também contemplou a apresentação do 41º Relatório da Auditoria Fiscal Nacional, referente ao exercício de 2025. A presidenta da AFN, Leny Machado, informou que tanto a Diretoria Nacional quanto as 51 Seções Sindicais encontram-se em situação regular, sem pendências perante os órgãos de controle da entidade.

Os dados demonstram uma situação patrimonial sólida do SINPAF. O relatório também apresentou recomendações voltadas ao aprimoramento da gestão administrativa, financeira e contábil, reforçando o compromisso da Diretoria Nacional e das Seções Sindicais com a transparência e a boa governança.

Contas e orçamento aprovados

Na sequência, os congressistas analisaram os relatórios financeiros referentes a 2025 e a previsão orçamentária para 2026. Durante a apresentação, foram destacados os esforços realizados pela Diretoria Nacional para reduzir custos e ampliar a eficiência da gestão financeira da entidade.

O diretor Administrativo e Financeiro Nacional, Zeca Magalhães, ressaltou que a busca permanente por melhores condições de contratação e a racionalização das despesas têm contribuído para preservar a saúde financeira do Sindicato sem comprometer sua capacidade de mobilização e luta.

Após os esclarecimentos e debates, os relatórios financeiros e a proposta orçamentária para o próximo exercício foram aprovados por unanimidade pelos delegados e delegadas presentes. Também foi apresentada a sugestão de desenvolver ações específicas voltadas aos aposentados e aposentadas, com o objetivo de atender demandas desse público e fortalecer ainda mais a base do SINPAF.

Novos desafios

Além das deliberações administrativas e financeiras, o último dia do Congresso contemplou a apreciação de recursos administrativos, encaminhamentos das plenárias regionais e nacionais, bem como a análise de moções apresentadas pelos participantes.

Ao encerrar os trabalhos, o 14º Congresso Nacional do SINPAF reafirmou o compromisso do Sindicato com a valorização das(os) trabalhadoras(es), a defesa das empresas públicas e a construção de uma atuação sindical cada vez mais forte, democrática e conectada aos desafios contemporâneos. As decisões aprovadas ao longo do evento servirão de base para as ações da entidade nos próximos anos e para as mobilizações que já se desenham no horizonte imediato, especialmente no campo das negociações coletivas.

Com o tema “Trabalho digno, democracia plena e nação soberana”, o 14º Congresso Nacional do SINPAF aconteceu em Brasília/DF, entre os dias 28 e 30 de maio de 2026.

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