Codevasf propõe reajuste abaixo da inflação e SINPAF rejeita índice em mesa na 6ª rodada do ACT
Por: Gisliene Hesse
A 6ª rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho da Codevasf 2026-2027 (ACT Codevasf 2026-2027), realizada na última sexta-feira, 22 de maio, em Brasília, foi marcada pela apresentação da proposta econômica da empresa e pela rejeição imediata da Comissão Nacional de Negociação do SINPAF (CNN do SINPAF). A Codevasf ofertou reajuste de 3,51%, correspondente a 80% do IPCA (4,39%) acumulado entre maio de 2025 e abril de 2026, período da data-base da categoria. Além disso, a empresa não aceitou nenhuma cláusula nova proposta pela categoria.
A categoria luta pela recomposição integral do IPCA do período que é de 4,39% acrescido das perdas salariais acumuladas entre maio de 2021 e abril de 2026, além de 5% de ganho real. Para o presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, a proposta apresentada pela Codevasf é muito aquém do que a categoria reivindica.
“A empresa apresentou um índice inferior à inflação justamente em um cenário de perdas acumuladas e defasagem salarial reconhecidas tecnicamente. Estamos defendendo recomposição das perdas, valorização profissional e respeito aos trabalhadores e trabalhadoras que sustentam as atividades da Companhia em todo o país. Não é razoável apresentar uma proposta que sequer garante a reposição integral da inflação”, destacou o presidente do SINPAF.
Valorização do operacional e revisão do PCS
Além das cláusulas econômicas, a sexta rodada ficou reservada para o debate de novas reivindicações apresentadas pela categoria. Entre os temas discutidos estiveram a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do operacional, a revisão do Plano de Cargos e Salários (PCS), a garantia do pagamento dos retroativos suspensos durante a pandemia, adicional de titularidade para empregados e empregadas com nível superior completo, entre outros pontos.
A defesa da valorização do operacional abriu os debates. Integrantes da CNN do SINPAF destacaram as discrepâncias existentes no atual Plano de Cargos e Salários e apontaram que o modelo vigente já não atende, de forma equilibrada, os trabalhadores e trabalhadoras da empresa.
A última revisão do PCS ocorreu em 2009, e diversos pontos passaram a ser questionados ao longo dos anos. “A Codevasf tinha progressão horizontal e vertical. No entanto, o PCS de 2009 engessou o plano e não temos mais progressão vertical. Os(as) empregados(as) que ingressam em determinado cargo não podem mudar de cargo durante sua trajetória funcional”, destacou Marcelo Guimarães de Carvalho, integrante da comissão da Codevasf.
Por considerar o tema amplo e estrutural, a Comissão da Codevasf sugeriu que os assuntos relacionados ao PCS sejam tratados na Mesa Permanente de Negociação.
Para o secretário-geral adjunto do SINPAF, Jorge Menezes Vidal, os debates da rodada demonstram que as reivindicações vão além das cláusulas econômicas.
“Estamos falando de reconhecimento, valorização e justiça para os trabalhadores e trabalhadoras da Codevasf. O PCS precisa dialogar com a realidade atual da empresa e corrigir distorções históricas, especialmente em relação ao pessoal operacional, que tem papel fundamental para os resultados da Companhia. O SINPAF seguirá defendendo avanços concretos e uma valorização efetiva para toda a categoria”, destacou Vidal.
Retroativos suspensos durante a pandemia seguem em debate
Outro tema debatido foi a defesa da garantia administrativa da contagem do tempo e do pagamento retroativo dos valores referentes a anuênio e quinquênio, suspensos em razão da Lei Complementar 173/2020 e posteriormente retomados com a publicação da Lei Complementar 226, de 12 de janeiro de 2026, conhecida como “Descongela Já”.
A empresa argumentou que não poderia aceitar a proposta por entender que os pagamentos retroativos dependeriam da publicação de regulamentação específica.
O diretor jurídico do SINPAF, Adilson F. Mota, contestou o posicionamento.
“A própria lei já é suficiente para que os pagamentos sejam realizados. O SINPAF seguirá atuando juridicamente para garantir que o direito seja efetivamente cumprido”, afirmou.
O SINPAF reforça que temas como valorização do operacional, revisão do PCS, recomposição salarial e garantia dos direitos suspensos durante a pandemia representam demandas históricas da categoria e seguirão no centro das negociações do ACT Codevasf 2026-2027.
As negociações terão continuidade nas próximas rodadas, quando empresa e representação dos trabalhadores voltarão a discutir as cláusulas pendentes do acordo coletivo.

