Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Democracia norteou os debates da 28ª Plenária Centro-Oeste do SINPAF

11 de maio de 2026
Por: Camila Bordinha

A 28ª Plenária Regional Centro-Oeste do SINPAF, realizada nos dias 7 e 8 de maio, em Goiânia (GO), reuniu dirigentes sindicais, delegadas e delegados da base para debater saúde do trabalhador, negociações dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs), previdência complementar, soberania nacional, combate ao racismo e igualdade de gênero. As discussões irão subsidiar as pautas do 14º Congresso Nacional do SINPAF, que acontece entre os dias 27 e 30 de maio.

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Saúde do trabalhador e combate ao assédio

A mesa “A importância da NR1 no combate ao assédio, construção de ambientes saudáveis e trabalho digno” contou com apresentação da pesquisadora e educadora popular em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora e técnica do Diesat, Gardênia Alves de Oliveira, e mediação do diretor adjunto de Saúde do Trabalhador do SINPAF, Sérgio Cobel.

Gardênia destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 precisa ser aplicada de forma efetiva para garantir ambientes de trabalho saudáveis. “A norma está aí para ser cumprida, não é optativo. A gente não pode mais aceitar adoecer e morrer por conta do trabalho”, afirmou.

O debate foi marcado por relatos de adoecimento mental, burnout e medo de denunciar situações de assédio dentro da Embrapa. A delegada Karla Guedes criticou a postura da empresa diante do aumento dos afastamentos psicológicos. “A empresa pergunta o que os trabalhadores fazem para reduzir a ansiedade, mas não discute o que ela própria pode fazer para reduzir esse adoecimento”, declarou.

A delegada Mirane denunciou que, em algumas unidades, mecanismos internos acabam inibindo denúncias relacionadas à saúde laboral. Já o delegado Iranei destacou a importância da atuação conjunta entre sindicato e CIPA.

Sérgio Cobel afirmou que o medo de perseguição ainda impede trabalhadores de participarem das mobilizações sindicais. “Tem muita gente que não participa de assembleias por medo de represálias”, declarou.

O presidente do SINPAF, Jean Kleber, defendeu o fortalecimento das cobranças institucionais. “Não basta apenas identificar os problemas, é preciso cobrar concretamente de quem deve responder”, afirmou.

O diretor jurídico do sindicato, Adilson F. da Mota, lembrou que o SINPAF já conquistou decisões importantes contra o assédio moral coletivo na empresa. “O problema é que a Embrapa não quer corrigir as práticas que adoecem os trabalhadores”, denunciou.

Encerrando a mesa, Gardênia reforçou a importância da organização sindical para garantir a aplicação da NR1. “Fortalecer os sindicatos já é uma forma de fazer com que a NR1 seja aplicada na prática”, concluiu.

Previdência preocupa trabalhadores

Na mesa sobre a situação da Ceres e da Casembrapa, Adilson F. da Mota alertou para os riscos envolvendo o processo de saldamento do Plano BD da Ceres. Segundo ele, a Justiça manteve a suspensão do processo após ação movida pelo sindicato.

“O juiz percebeu a gravidade da situação e confirmou a suspensão do saldamento. Não vamos arredar pé enquanto houver possibilidade de prejuízo para os participantes”, afirmou.

Adilson também criticou os resultados financeiros recentes da entidade e defendeu maior transparência na gestão dos recursos dos trabalhadores.

Ciência pública, soberania e emergência climática

Encerrando o primeiro dia da plenária, a mesa “Soberania nacional e emergência climática: o papel da pesquisa e do desenvolvimento regional público” debateu os desafios da ciência pública diante das mudanças climáticas e do avanço da desinformação.

O diretor adjunto de Ciência e Tecnologia do SINPAF, Marcus Vinicius Sidoruk Vidal, apresentou o diagnóstico que o sindicato está realizando sobre as condições da pesquisa dentro da Embrapa. “Todos fazemos pesquisa na Embrapa, em funções diferentes. Queremos compreender a realidade das unidades para definir nossas lutas imediatas e futuras”, explicou.

Representando a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Vanessa Gisele Pasqualotto Severino destacou a importância da defesa da ciência pública e do pensamento crítico. “Defender soberania também é combater a desinformação e aproximar a ciência das comunidades”, afirmou.

ACTs 2026/2027 e mobilização sindical

O segundo dia da plenária foi marcado pelos debates sobre os ACTs 2026/2027 e pela eleição da Comissão Nacional de Negociação (CNN), que reconduziu Oneilson Aquino, da Seção Sindical Hortaliças, e elegeu Raquel Soares, da Seção Sindical Pantanal.

O secretário-geral do SINPAF, Antonio Guedes, criticou a postura da Embrapa nas negociações. “As últimas rodadas terminaram praticamente no primeiro dia porque a empresa disse que não tinha nada para negociar”, afirmou.

O diretor Waltterlenne Englen denunciou o que classificou como uma política de retirada de direitos. “É um absurdo uma empresa de pesquisa discutir se vai liberar trabalhadores para estudar”, declarou.

Representando a Seção Sindical Hortaliças, Oneilson Aquino defendeu o fortalecimento das mobilizações da categoria. “Vamos precisar voltar a ser um sindicato mais raiz, colocar o povo na rua e pressionar a empresa”, afirmou.

O presidente do SINPAF, Jean Kleber, contextualizou os impactos da Reforma Trabalhista e das resoluções da CGPAR sobre as negociações das estatais. “Muitas vezes os representantes da empresa estão ali apenas para cumprir um rito, sem autonomia nenhuma”, avaliou.

Apesar das dificuldades, Jean destacou que a mobilização da categoria segue sendo fundamental para conquistar avanços. “O que sonhamos é mobilizar a base para pressionar a empresa”, disse.

Antonio Guedes encerrou o debate reafirmando o compromisso do sindicato com a defesa dos direitos da categoria. “Temos garantido nenhum direito a menos e seguimos defendendo todas as pautas da categoria com a mesma contundência”, declarou.

Durante a plenária, dirigentes das Seções Sindicais do Distrito Federal também destacaram a retomada da articulação conjunta das bases do DF em mobilizações realizadas na sede da Embrapa. Para a diretora regional Centro-Oeste, Débora Bastos de Oliveira, a iniciativa demonstra um novo momento de unidade sindical.

Igualdade de gênero, combate ao racismo e democracia

Encerrando a manhã do segundo dia, a mesa “Sem igualdade de gênero e combate ao racismo não há democracia” reuniu dirigentes sindicais e militantes dos movimentos sociais para debater racismo estrutural, feminismo e diversidade.

A diretora adjunta da Mulher do SINPAF, Silvana Buriol, afirmou que o enfrentamento ao machismo e ao racismo precisa estar integrado à luta sindical. “A luta de classes não pode ser dissociada do enfrentamento ao machismo e ao racismo”, destacou.

A pedagoga e ativista do Movimento Negro, Iêda Leal, defendeu o enfrentamento permanente ao racismo. “Precisamos radicalizar contra o racismo”, afirmou.

Já a historiadora e militante do Movimento Negro Unificado, Karen Nascimento, chamou atenção para a violência enfrentada pelas mulheres negras. “As mulheres negras, de uma maneira geral, são as que mais sofrem”, declarou.

O diretor administrativo-financeiro do SINPAF, Zeca Magalhães, reconheceu que o próprio movimento sindical ainda precisa avançar no combate às desigualdades. “Nossa estrutura sindical é machista, racista e ainda não respeita a diversidade”, afirmou.

Encerrando a atividade, Débora Bastos de Oliveira explicou os conceitos de machismo e feminismo e convocou os participantes homens a assumirem compromisso público com a igualdade. “Se vocês acreditam na igualdade entre mulheres e homens, então vocês são feministas”, concluiu.

Modernização do Estatuto – O diretor jurídico do SINPAF, Adilson F. da Mota apresentou a proposta de reforma do Estatuto do sindicato, que será debatida para mudanças de modernização durante o Congresso Nacional do SINPAF, que ocorrerá entre os dias 27 e 30 de maio.

Veja o álbum de fotos de tudo o que aconteceu no Plenária:

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