Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário
Foto: Camila Bordinha

28ª Plenária Centro-Oeste do SINPAF debate conjuntura política, defesa da Embrapa e organização das lutas

7 de maio de 2026
Por: Camila Bordinha

A 28ª Plenária Regional Centro-Oeste do SINPAF começou nesta quarta-feira (7), em Goiânia (GO), reunindo cerca de 50 dirigentes sindicais, delegados e representantes convidados da base para debater a conjuntura nacional, os desafios enfrentados pela pesquisa pública e pela categoria de trabalhadoras e trabalhadores da Embrapa. A atividade marca a última plenária regional deste ciclo preparatório para o 14º Congresso Nacional do SINPAF, marcado para ocorrer entre os dias 27 e 30 de maio.

Durante a abertura, a chefe do Centro de Pesquisa-Administrativa da Embrapa Arroz e Feijão, Roselene de Queiroz Chaves, agradeceu o convite feito pelo sindicato e destacou a importância de participar do espaço de diálogo promovido pela entidade.

O chefe-geral da Embrapa Arroz e Feijão, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, fez uma defesa enfática da empresa pública e do papel histórico do sindicato na preservação da instituição. “As instituições acabam, as paredes começam a ficar com mofo, os trabalhadores param de ter progressão, reduzem o investimento na pesquisa, entre outros. E a Embrapa só não acaba por causa do SINPAF”, afirmou.

Miguel também criticou a criação da diretoria de negócios da Embrapa, voltada para o mercado, sem amplo debate interno e ressaltou o compromisso dos trabalhadores com a missão pública da empresa. “O SINPAF me dá coragem de vir falar o que eu penso. O que importa para mim é que a Embrapa não acabe. Eu sirvo ao povo e à nação brasileira. Trabalhar num lugar que tem sentido para a vida é algo muito caro para mim. Prestei concurso para isso, para trabalhar para a nação brasileira”, declarou.

Segundo ele, o sindicato representa a “linha que mantém a Embrapa servindo ao povo brasileiro”. “A gente trabalha para a Embrapa não acabar”, completou.

O presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, destacou que esta é a última plenária regional antes do Congresso Nacional e reforçou a importância dos debates políticos e institucionais para o futuro da categoria e da empresa.

“Será um belo congresso, mas com certeza aqui também será uma bela plenária. Estamos no grande celeiro do agronegócio, que é Goiânia, e precisamos refletir para que serve a pesquisa e quais linhas queremos construir, mas também olhar para quem constrói essa empresa, que somos nós”, afirmou.

Jean ressaltou ainda que o processo de debate deve ajudar a “afunilar a percepção” da categoria sobre os desafios atuais da Embrapa e do movimento sindical.

A diretora regional Centro-Oeste do SINPAF, Débora Bastos de Oliveira, comemorou a composição da mesa de abertura e afirmou estar “feliz em ter essa mesa enriquecendo o evento”.

Já o presidente da Seção Sindical Goiânia – anfitriã da plenária, Waltterlene Englen, deu boas-vindas aos participantes e desejou que os debates fossem produtivos e fortalecessem a organização sindical da categoria.

Análise de conjuntura aborda cenário internacional, período eleitoral e defesa da pesquisa pública

A mesa de análise de conjuntura contou com a participação do delegado da Seção Sindical Pantanal, Alberto Feiden, do deputado estadual Mauro Rubem (PT-GO) e do presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva.

Durante sua exposição, Alberto Feiden contextualizou os conflitos geopolíticos atuais, as disputas econômicas globais e os impactos das crises internacionais sobre a classe trabalhadora e os países periféricos. “O sentido principal da produção no capitalismo não é atender às necessidades da população, mas acumular valores”, afirmou.

Ele também criticou o aprofundamento das desigualdades sociais e avaliou que há uma disputa internacional por recursos naturais e riquezas estratégicas. “Esse é o contexto que vamos enfrentar na eleição de outubro deste ano, porque existem aliados internos que não estão a serviço da sociedade brasileira, mas do capital internacional”, pontuou.

O deputado estadual Mauro Rubem destacou a importância histórica da Embrapa para o desenvolvimento nacional e alertou para os riscos de redução do investimento público em ciência e pesquisa. “Qual a possibilidade de a Embrapa, que cumpre um papel histórico no Brasil, continuar tendo recursos em um governo de direita?”, questionou.

Segundo ele, a empresa é um instrumento estratégico de soberania nacional e de diálogo internacional do Brasil. “Não podemos deixar, de maneira nenhuma, que quem constrói conhecimento seja desmontado. A Embrapa foi responsável pela evolução da agricultura brasileira”, afirmou.

Mauro Rubem também defendeu a ampliação do debate político dentro do movimento sindical e avaliou que o cenário nacional exige mobilização permanente da classe trabalhadora.

Jean relembra desmontes sofridos último governo

Ao retomar a palavra durante os debates, Jean Kleber relembrou os cortes orçamentários e as dificuldades enfrentadas pelo sindicato e pela Embrapa nos últimos anos. “No último governo não havia recursos para trabalhar. Seções sindicais foram expulsas das unidades com o argumento de que poderiam expor informações sensíveis. Tiraram a gente do Siape. Sem recursos, nada funciona”, declarou.

O presidente do SINPAF também afirmou que o período foi marcado por ataques às organizações sindicais e às instituições públicas de pesquisa. “Saímos de mais de R$ 1 bilhão em recursos discricionários para cerca de R$ 57 milhões. É isso que queremos para a Embrapa? Temos orgulho de trabalhar nessa empresa e precisamos decidir qual futuro queremos”, afirmou.

Jean defendeu a necessidade de participação política da categoria e alertou para a importância das eleições no futuro da empresa pública e do movimento sindical.  “Quem não quer discutir política no movimento sindical, precisa entender que tem gente querendo discutir por vocês. Outubro terá um papel decisivo. O debate não é simples, mas é necessário e iremos fazê-lo”, concluiu.

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