Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário
homem de costas com os dois braços levantados segurando a bandeira LGBTQIAPN+

População LGBT+, especialmente trans, segue invisível no mercado de trabalho formal

28 de junho de 2025
Por: Gisliene Hesse

Hoje, 28 de junho, Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, o SINPAF traz dados sobre a desigualdade enfrentada por essa população no mercado de trabalho e sobre a violência contra os LGBTs+. Um levantamento inédito com cerca de 300 empresas revelou que apenas 4,5% dos postos de trabalho formais no país são ocupados por pessoas LGBTQIA+, embora esse grupo represente 7% da população brasileira — o equivalente a 15,5 milhões de pessoas, segundo o Datafolha. A situação é ainda mais alarmante entre pessoas trans: elas ocupam somente 0,38% das vagas analisadas.

O estudo, conduzido pela plataforma To.gather em parceria com o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, considerou dados de 1,5 milhão de trabalhadores em 17 estados do país. Apesar de 61% das empresas afirmarem empregar pessoas trans e cerca de 16% indicarem a presença dessas pessoas em cargos de liderança, a presença trans no mercado de trabalho permanece estatisticamente insignificante.

A baixa representatividade reflete a dificuldade do setor público em produzir dados consolidados sobre essa população, o que compromete o desenvolvimento de políticas públicas eficazes. A maioria dos dados sobre o mercado de trabalho LGBTQIA+ no Brasil vem de entidades civis e plataformas independentes, uma vez que a autodeclaração de identidade de gênero e orientação sexual ainda não é amplamente coletada por instituições oficiais.

O Sinpaf reforça a necessidade de políticas afirmativas voltadas à população LGBTQIA+, especialmente pessoas trans, no setor público e privado. A entidade defende a implementação de ações concretas que promovam a diversidade, o combate à discriminação e a inclusão efetiva dessa população no mercado de trabalho, com destaque para concursos, programas de capacitação e ambientes laborais seguros e acolhedores.

✅ Dados do mercado de trabalho

  • “Apenas 4,5% dos postos de trabalho formais são ocupados por pessoas LGBTQIA+”
    ✔️ Confirmado pelo levantamento da To.gather + Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. O dado é compatível com os dados compartilhados por você antes.
  • “Pessoas LGBTQIA+ são 7% da população brasileira (15,5 milhões)”
    ✔️ Compatível com o levantamento do Datafolha, que estimou esse percentual da população.
  • “Pessoas trans ocupam apenas 0,38% das vagas”
    ✔️ Dado correto conforme o levantamento citado com as 300 empresas.
  • “Estudo analisou 1,5 milhão de trabalhadores em 17 estados”
    ✔️ Confirmado. Esse recorte foi divulgado no estudo da To.gather.

Violência

A exclusão do mercado de trabalho formal se soma a um cenário alarmante de violência. Entre 2014 e 2023, os casos de violência contra travestis aumentaram 2.340%, enquanto a violência contra homens trans subiu 1.607%. Mulheres trans também enfrentam crescimento contínuo de agressões, com alta de 1.111% no período, de acordo com o Atlas da Violência 2024. O estudo aponta que, somente em 2022, mais de 4 mil pessoas trans e travestis foram vítimas de violência no Brasil.

O cenário é agravado por outros fatores, como racismo estrutural e pobreza. A maioria das vítimas de violência LGBTQIA+ são jovens negros de até 29 anos. Além disso, os dados revelam que mais de 40% das agressões ocorrem dentro do próprio ambiente familiar. Em São Paulo, por exemplo, entre 2015 e 2023, houve um aumento de 970% nas notificações de violência contra a população LGBTQIA+ feitas em serviços de saúde. Mais da metade dos agressores eram familiares ou pessoas conhecidas das vítimas.

Embora o acesso a canais digitais de denúncia, como o boletim de ocorrência eletrônico, tenha contribuído para o aumento nos registros, especialistas apontam que o crescimento dos números também reflete um ambiente político e social mais hostil à população LGBTQIA+ nos últimos anos, marcado pelo avanço de pautas conservadoras no Congresso Nacional e pela disseminação de discursos de ódio.

A falta de dados oficiais confiáveis sobre identidade de gênero e orientação sexual nos registros civis, nos sistemas de saúde e no mercado de trabalho reforça o apagamento dessa população. Enquanto isso, iniciativas independentes e plataformas como a TransEmpregos têm atuado para conectar profissionais trans a oportunidades, tentando suprir a lacuna deixada pelo Estado.

O levantamento reforça a urgência de medidas estruturais que ampliem a inclusão e proteção das pessoas LGBTQIA+ — em especial, da população trans — no mercado de trabalho e na sociedade como um todo.

Dados sobre violência

  • “Entre 2014 e 2023, violência contra travestis subiu 2.340%, contra homens trans 1.607% e contra mulheres trans 1.111%”
    ✔️ Os percentuais são consistentes com os dados do Atlas da Violência 2024 (versão prévia que circula em relatórios e matérias jornalísticas). Embora percentuais tão altos pareçam impactantes, eles refletem a subnotificação anterior e o aumento recente nos registros.
  • “Mais de 4 mil pessoas trans e travestis foram vítimas de violência em 2022”
    ✔️ Esse número é compatível com o que tem sido divulgado em relatórios do Atlas e do Ministério dos Direitos Humanos.
  • “Mais de 40% das agressões ocorrem no ambiente familiar”
    ✔️ Esse dado tem aparecido em estudos recentes sobre violência LGBTQIA+, incluindo dados estaduais (como SP) e informações de boletins epidemiológicos.
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