Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Gestão Massruhá finge não ver as emergências climáticas e seu efeito para trabalhadoras e trabalhadores

24 de setembro de 2026
Por: Thayná Cavalcante

O município de Pelotas, no Rio Grande do Sul, foi atingido por uma nova tempestade na madrugada de segunda-feira (21/9).  Em meio ao cenário de destruição está a Embrapa Clima Temperado, unidade estratégica de pesquisa pública cujos trabalhadores e trabalhadoras são representados pelo Sinpaf. No entanto, enquanto os empregados enfrentam o caos socioambiental, a gestão da presidenta da Embrapa, Silvia Massruhá, mantém uma postura de omissão e lentidão na tomada de atitudes urgentes.

A tempestade, marcada por ventos de 89 quilômetros por hora, ocasionou destelhamentos, falta de energia elétrica em diversos pontos da cidade, além do desabamento de um prédio desocupado. Conforme a Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), mais de mil árvores, tanto da zona urbana quanto da rural, foram tombadas ou tiveram a estrutura danificada devido à força dos ventos.

Na Embrapa Clima Temperado, os ventos fortes causaram estragos severos. Entre os pontos mais atingidos estão o laboratório, o celeiro, as casas de apoio de campo e os setores de máquinas, defensivos e gado de leite. A força do temporal também interrompeu o fornecimento de energia elétrica e o sinal de internet na unidade. 

Segundo o presidente da Seção Sindical de Pelotas, Vanderlei Fagundes, diante da gravidade da situação, o funcionamento da unidade migrou temporariamente para o trabalho remoto. No entanto, trabalhadores e trabalhadoras dos setores de máquinas, gado e alguns do campo permanecem na linha de frente presencial, atuando na desobstrução de estradas.

“Prestamos toda a nossa solidariedade ao povo de Pelotas e, em especial, aos  trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa Clima Temperado. Neste momento, a responsabilidade institucional se demonstra com a liberação imediata de recursos para manutenção da unidade e suporte total à integridade da categoria”, destaca o presidente do Sinpaf, Jean Kleber Silva. 

O Sinpaf enviou um ofício à Diretoria Executiva da Embrapa solicitando a criação de um protocolo de ação emergencial, mas, até o momento, não obteve respostas.

O sindicato tem atuado em várias frentes para ampliar a segurança da sua base e incluir medidas de proteção em situações climáticas nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs). As reivindicações presentes no ACT 2026-2027 da Embrapa, por exemplo, destacam a desobrigação de o trabalhador exercer atividades em condições críticas em decorrência do clima, a inclusão do adicional de penosidade, além da instituição de uma Comissão de Acompanhamento de Eventos Climáticos Extremos. 

“Nossas propostas para o ACT mostram o caminho para evitar tragédias anunciadas. Exigimos sensibilidade da gestão para implementar medidas preventivas e garantir a dignidade da categoria”, ressalta o secretário-geral Antônio Guedes

A situação em Pelotas é a comprovação prática daquilo que o sindicato já vem alertando há tempos. Em recente artigo publicado na revista Trabalho & Saúde os diretores de Saúde do Trabalhador do Sinpaf, Pedro Melo e Sérgio Cobel, reforçam que a crise climática é um risco ocupacional atual, transversal e crescente, e ignorá-lo é aumentar o custo humano e financeiro para as organizações.

Confira os estragos causados pela tempestade:

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