Sinpaf alerta sobre impactos do El Niño e cobra diretrizes de segurança para a base
Por: Thayná Cavalcante
Enfrentar o calor sufocante, respirar fumaça, passar por alagamentos ou ver o local de trabalho destruído por tempestades são situações cada vez mais frequentes na vida de trabalhadoras e trabalhadores. Eventos climáticos extremos atingem mais de 70% da força de trabalho global segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), e assumem dimensões críticas no Brasil devido ao El Niño, que amplia o risco de secas nas regiões Norte e Nordeste e de grandes volumes de chuva no Sul.
Diante dessa realidade que expõe trabalhadoras e trabalhadores a diversos riscos, o Sinpaf reforça a urgência de mudar a forma como o Estado e as empresas encaram a segurança no trabalho e a importância de estabelecer protocolos preventivos.
Impactos do Super El Niño
O El Niño ocorre pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica global e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño em 2026 atingiu a categoria de intensidade muito forte em outubro, com alta probabilidade de continuidade até o início de 2027.
A gravidade da situação fica evidente em episódios registrados pelo país ao longo das últimas semanas. O Sul enfrentou tempestades, rajadas de vento, granizo e a confirmação de dois tornados em Santa Catarina, enquanto o Norte continuou sob o impacto da seca severa e da fumaça acumulada das queimadas, comprometendo a qualidade do ar em dezenas de municípios e isolando comunidades pela baixa dos rios. No Nordeste, as altas temperaturas com picos de 39 °C e a baixa umidade do ar mantiveram o estado de alerta para o estresse térmico. Já o Centro-Oeste e o Sudeste registraram fortes tempestades repentinas e rajadas de vento intercaladas com períodos de forte calor.
Para o diretor de Saúde do Trabalhador, Pedro Melo, ajustar as condições de trabalho tem que ser prioridade. “Proteger quem está na base contra os riscos do clima extremo não é custo, é investimento na sustentabilidade das atividades e na vida. O futuro do trabalho exige obrigatoriamente adaptação à realidade climática”, alerta.
Atuação do Sindicato
O Sinpaf tem atuado em várias frentes para ampliar a segurança da sua base e incluir medidas de proteção nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs). Prova disso é o avanço conquistado no ACT 2026-2027, que ainda será assinado, no qual a empresa se compromete a realizar estudos de viabilidade para estruturar diretrizes institucionais de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos, em consonância com o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
“É fundamental que as empresas entendam que o momento é outro. O avanço da crise climática exige uma mudança de postura imediata. Vamos seguir atuando de maneira firme para avançar em cláusulas normativas que deem garantias de saúde e segurança a toda nossa base”, destacou o presidente do Sinpaf, Jean Kleber Silva.

