Integração e análise de conjuntura marcam abertura da 30ª Plenária Regional Norte do SINPAF em Manaus
Com presença de 20 delegados regionais e representantes da diretoria nacional, encontro em Manaus define as primeiras propostas da região Norte para o 14º Congresso Nacional do SINPAF
Por: Texto: Wérica Lima / Edição: Camila Bordinha
Manaus (AM)- Sob o tema “Trabalho digno, democracia plena e nação soberana”, a 30ª Plenária Regional Norte do SINPAF teve início na manhã desta sexta-feira (13), em Manaus. O encontro marca o primeiro passo de uma jornada nacional que percorrerá todas as regiões do país em 2026, com o objetivo de consolidar as propostas da categoria para o 14º Congresso Nacional do sindicato.
Ao todo 20 delegados e delegadas das seções sindicais da região Norte participam ativamente das discussões, que contam com a coordenação dos diretores regionais Norte do SINPAF, Michele Fernandes Pereira e Valterlei José de Moura.
Mesa de Abertura e Integração
A manhã começou com o credenciamento dos participantes e a Mesa de Abertura oficial. O presidente do SINPAF, Jean Kleber de Sousa Silva, destacou a relevância de iniciar o ciclo de plenárias pela Amazônia, reforçando a integração regional e dando continuidade à discussão da 29º Plenária ocorrida durante a COP30.
“As falas aqui nesta mesa nos remeteram que acertamos em cheio em escolher a temática do nosso congresso, desdobrando nossas plenárias de Soberania Nacional, que só se constrói com a luta do povo. A democracia plena retrata o cenário que estamos vivendo e o que vivemos no governo da extrema-direita, e também de que agora teremos que lutar de novo para manter a democracia. E o trabalho justo, onde trazemos aqui o debate da escala 6×1, mas também o aprofundamento da discussão sobre a NR1”, afirmou o presidente durante a abertura.
A mesa de abertura demonstrou os esforços do SINPAF em articular com diferentes esferas da sociedade, reunindo autoridades políticas, gestores e lideranças sindicais.
Estiveram presentes o vereador José Ricardo (PT-AM), o deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM) e o presidente da CUT Amazonas, Valdemir Santana. A gestão pública foi representada por Francinete Lima, superintendente regional do trabalho, e Kátia Emídio da Silva, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Amazônia Ocidental, além de Simone Alves, presidenta da Seção Sindical Amazonas.
Kátia Emídio da Silva, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Amazônia Ocidental, ressaltou os principais pontos que devem ser o norte da plenária, abordando aspectos como a falta de representação de pessoas do norte no último concurso da instituição e a necessidade de escutar os trabalhadores de base.
“A questão salarial é bastante importante, mas as condições de trabalho também. A gente procura dizer aos novos que estão chegando para que eles vão às comunidades, escutem as comunidades, aqueles que estão na ponta, para que as nossas pesquisas sejam cada vez mais efetivas, para que a Embrapa de fato cumpra a sua missão de gerar a tecnologia”, afirmou.
Kátia ressaltou ainda a importância da Plenária para a sustentabilidade dos trabalhadores. “A Embrapa não tem fôlego para sozinha fazer com que essa tecnologia chegue lá na ponta. Então essa rede que a gente procura estabelecer é muito importante para que as nossas pesquisas, as nossas tecnologias possam chegar”.
Análise de Conjuntura e Desafios Políticos
A Mesa 2 foi dedicada à análise de conjuntura, onde foram debatidos os desafios enfrentados pela categoria em um cenário de inseguranças econômicas diante do contexto geopolítico de tensão, mudanças climáticas e precarização das condições de trabalho. Participaram da mesa o vereador José Ricardo, o secretário-geral do SINDSEP Amazonas, Walter Matos, além do presidente Jean Kleber.
Uma das preocupações para este ano eleitoral, segundo Walter Matos, secretário-geral SINDSEP Amazonas, é a possível volta da extrema-direita ao poder e a possibilidade de perder as conquistas realizadas nos últimos anos durante o governo do Presidente Lula.
“A direita não quer saber do trabalhador, ela quer saber de empresário. E nós temos que ficar de olhos bem abertos porque Trump vai tentar interferir nas eleições deste ano no Brasil. Já estão falando em ataque na América Latina. Nós precisamos compreender essa luta, estamos na classe dos trabalhadores, e o terreno que nós temos para defender isso é no governo Lula”, disse o secretário.
O vereador José Ricardo reforçou a necessidade de uma estratégia de enfrentamento nas eleições de 2026.
“Precisamos insistir que o orçamento contemple o segmento do conhecimento porque é o caminho para buscarmos o desenvolvimento sustentável numa região onde a cobiça internacional é muito grande para as riquezas. Há necessidade de engajamento político e conscientização esse ano, pois muitas pessoas ainda estão influenciadas por fake news e acabam defendendo pensamentos da extrema-direita”.
Organização interna e democracia sindical
Ainda na parte da manhã, o plenário seguiu ritos fundamentais de organização, com a eleição do secretariado da plenária e a aprovação do Regimento Interno. Segundo Elanderson Soares Lima, secretário da plenária do Norte eleito durante a votação, este é um momento de garantir que as vozes das seções sindicais locais sejam devidamente ouvidas no Plano de Luta Nacional.
“É um processo importante para que a plenária possa fluir de maneira democrática e produza um efeito de ampliar o debate, principalmente nas causas internas das nossas empresas, de forma a trazer mais qualidade nos debates e também uma fundamentação melhor para que todo mundo saia bem esclarecido e leve esse debate para suas bases”, afirmou Elanderson, que faz parte da Seção do Pará.
A programação da 30ª Plenária Regional Norte continua durante a tarde de hoje e segue até o dia 14 de março, com debates sobre igualdade de gênero, combate ao racismo e o papel da pesquisa no desenvolvimento regional.

