Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Campanha do SINPAF destaca protagonismo feminino na ciência e reforça luta por jornada justa e contra a violência

2 de março de 2026
Por: Gisliene Hesse

O SINPAF lança hoje, 2 de março, sua campanha do mês das mulheres com o slogan “Mulheres que movem a ciência e o desenvolvimento do Brasil”. A iniciativa traz como símbolo o girassol — flor que representa resiliência, esperança, força e a busca constante pela luz. Na agricultura, também simboliza sustentabilidade, produtividade e compromisso com o futuro, valores que dialogam diretamente com a atuação das trabalhadoras da nossa base.

A campanha também presta uma homenagem especial à funcionária do SINPAF Nacional, Neuza Pereira, que nos deixou recentemente e tinha no girassol uma de suas maiores paixões. Que a força dessa flor represente também a memória e o legado de quem dedicou sua vida ao coletivo.

Mas março não é apenas simbólico. É histórico. O 8 de março nasce da luta de mulheres trabalhadoras por melhores condições de trabalho, redução de jornada e direito ao voto. O Dia Internacional da Mulher tem raízes no movimento operário internacional e foi oficialmente reconhecido pela Organização das Nações Unidas em 1975. Ou seja: é uma data de luta, não apenas de celebração.

Mulheres na ciência: protagonismo e desigualdade

O slogan da campanha reforça o papel central das mulheres na produção científica e no desenvolvimento do país. Ainda assim, elas enfrentam preconceito de gênero, disparidade salarial e baixa representação em cargos de liderança.

Dados do estudo “Estatísticas de Gênero”, divulgado pelo IBGE em 2024, mostram que pouco mais de 50% das mulheres participam da força de trabalho, enquanto entre os homens o índice ultrapassa 70%. Além disso, elas dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados domésticos e familiares — uma sobrecarga que impacta diretamente suas trajetórias profissionais.

Segundo a UNESCO, as mulheres representam uma parcela crescente da força de trabalho científica global (31,1% dos pesquisadores no mundo em 2022), mas continuam sub-representadas nas organizações que moldam o reconhecimento científico, a liderança e a tomada de decisões.

O novo relatório Towards gender equality in scientific organizations: assessment and recommendations (Rumo à igualdade de gênero nas organizações científicas: avaliação e recomendações) conclui que a representação feminina nas academias científicas e nas uniões científicas internacionais está em 19%.

A sub-representação feminina na ciência não é falta de capacidade, mas consequência de barreiras estruturais. “A inclusão plena das mulheres na ciência e no desenvolvimento não é apenas uma questão de justiça social — é condição para inovação, diversidade de perspectivas e avanço coletivo”, aponta Sara Lucas Araújo, diretora da Mulher do Sinpaf.

Jornada de trabalho: uma pauta que atinge diretamente as mulheres

Se o 8 de março nasceu da luta por melhores condições de trabalho, não há como ignorar uma das pautas mais urgentes da atualidade: a redução da jornada de 6×1 para 5×2.

A escala 6×1 afeta milhões de trabalhadoras brasileiras, sobretudo aquelas que acumulam dupla e até tripla jornada. São mulheres que trabalham seis dias por semana e, no único dia de descanso, seguem responsáveis pela maior parte dos cuidados com filhos, familiares e tarefas domésticas.

As mulheres da base do SINPAF já conquistaram a jornada 5×2. Mas isso não nos coloca à margem da luta. Pelo contrário: reforça nosso compromisso coletivo com a classe trabalhadora.

“O Sinpaf se posiciona ao lado das mulheres que ainda vivem sob jornadas exaustivas e defende a redução da carga de trabalho como medida de justiça social, saúde e equidade de gênero. Reduzir a jornada é também enfrentar desigualdades históricas”, afirma o presidente do Sinpaf, Jean Kleber de Sousa Silva.

Recentemente o presidente do Sinpaf foi entrevistado para falar sobre esse tema. Veja a entrevista abaixo

Violência contra a mulher: sem vida não há luta

Nenhuma pauta é mais urgente do que a defesa da vida. O Brasil registrou, em 2025, 1.470 casos de feminicídio — uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça. Desde a tipificação do crime, em 2015, mais de 13 mil mulheres foram mortas pelo fato de serem mulheres.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trata-se de um cenário que evidencia falhas estruturais na proteção às mulheres. A maioria das vítimas é assassinada dentro de casa, por parceiros ou ex-parceiros. Em 97% dos casos, o agressor é um homem.

“Não há como falar em desenvolvimento, ciência ou produtividade sem falar em vida. Sem segurança, não há igualdade. Sem igualdade, não há democracia plena. É impossível falar em produtividade ou futuro quando perdemos quatro mulheres por dia para a violência de gênero. O feminicídio é o sintoma mais cruel da nossa desigualdade. A segurança das mulheres é a base para qualquer desenvolvimento nacional. Sem o direito à vida, a democracia é apenas uma promessa não cumprida”, explana Silvana Buriol, Diretora suplente da Mulher do Sinpaf.

Confira mais sobre a violência abaixo:

Um mês de mobilização e compromisso

O mês de março é marcado por mobilizações em todo o mundo. Mais do que homenagens, ele exige posicionamento. O SINPAF incentiva que todas as Seções Sindicais promovam debates, rodas de conversa, campanhas educativas e ações que abordem igualdade de gênero, violência, representatividade e direitos trabalhistas.

Ao lançar a campanha “Mulheres que movem a ciência e o desenvolvimento do Brasil”, o sindicato reafirma que não há desenvolvimento sem as mulheres — e que esse desenvolvimento precisa ser justo, inclusivo e livre de violência.

Que o girassol que escolhemos como símbolo nos lembre diariamente: é preciso seguir buscando a luz, mas também enfrentar as sombras.

Porque as mulheres movem a ciência.
Movem o desenvolvimento.
E movem a história.

E o SINPAF segue ao lado delas — na luta.

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