Consad da Embrapa: quem decide os rumos da empresa e como os trabalhadores estão representados
Por: Camila Bordinha
Você sabia que as trabalhadoras e os trabalhadores da Embrapa têm representação direta no Conselho de Administração (Consad) da empresa? Prevista na Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016), essa participação garante que a presença de uma empregada eleita pelos pares no principal espaço de decisões estratégicas da instituição.
Saiba mais sobre o Consad aqui.
Em breve, a Embrapa passará por novo processo eleitoral para o Consad. Entender o papel do Conselho e da representação dos empregados é fundamental para fortalecer a democracia interna e a defesa do caráter público da empresa.
Atualmente, essa responsabilidade é exercida por Maria Alice de Medeiros, pesquisadora da Embrapa há 30 anos, eleita para representar o conjunto dos empregados e empregadas no Consad.
Para aproximar essa atuação do dia a dia da categoria, o SINPAF entrevistou a conselheira em formato ping-pong. Leia abaixo:
SINPAF(S): Quem é Maria Alice e qual sua trajetória na Embrapa?
Maria Alice (MA): Sou bióloga. Entrei na Embrapa em 1995, por concurso público, como pesquisadora da Embrapa Hortaliças, onde trabalhei por 15 anos. Fiz doutorado em Ecologia de Insetos. Em 2009, vim para a Sede da Embrapa, onde atuo desde então. Trabalhei em diversas áreas: gestão de pesquisa, fui secretária-executiva do Comitê Técnico da Sede (CTS), coordenei processos de premiação, atuei na governança corporativa e na elaboração de documentos importantes como Relatório de Gestão, Normas e Políticas institucionais.
Essa bagagem administrativa é o que mais me ajuda hoje como conselheira. Conheço processos, pessoas e problemas da empresa. Ser pesquisadora também contribui para uma visão mais global, mas o conhecimento da máquina administrativa é essencial no Consad.
S: O que significa representar os trabalhadores no Conselho de Administração?
MA: É uma grande honra. Sou muito grata aos grupos que me apoiaram para conquistar essa oportunidade de ser porta-voz dos trabalhadores. Representar significa, antes de tudo, escutar. Converso muito com empregados das unidades centrais e descentralizadas, como também com aposentados que me procuram com demandas e reflexões.
Mantenho diálogo permanente com a Diretoria Nacional do SINPAF, com associações como a ANPE, com a CERES e a Casembrapa, além de conselheiros de outras estatais. Reforço que atuo na defesa de pautas coletivas, evitando demandas individuais que não cabem ao escopo do colegiado.
Não tenho formação sindical e meu estilo é assertivo, porém conciliador. É fundamental equilibrar os interesses dos trabalhadores com a sustentabilidade e a perenidade da empresa.
S: Como é, na prática, representar os empregados no Consad?
MA: É uma atividade complexa. Ao mesmo tempo em que traz muitas satisfações, também gera frustrações. Todo dia há um desafio novo.
Costumo comparar com um jogo de xadrez: é preciso conhecer profundamente os processos administrativos, ter pensamento crítico, estratégia, tática, atenção aos detalhes, buscar a compreensão de todos os lados envolvidos, lidar com pressão, adaptar-se às mudanças e aprender com os erros. Não é simples, exige dedicação, estudo constante e disposição para lidar com críticas.
O que mais gosto é que aprendo todos os dias. Todos os dias há desafios.
S: Quais pautas são prioridade na sua atuação?
MA: Defendo de forma permanente: a transparência, o fortalecimento da gestão e da governança da Embrapa e atenção estratégica à Ceres e à Casembrapa, que impactam diretamente a vida dos empregados.
S: A representação dos empregados tem peso real nas decisões do Conselho?
MA: A voz dos empregados costuma ser vista como permeada por possíveis conflitos de interesse. Por isso, cabe ao representante equilibrar desejos legítimos da categoria com as possibilidades reais e a sustentabilidade da empresa. Esse posicionamento exige muito bom senso. Há momentos em que se pode avançar e em outros, a gente precisa ter maturidade para perceber que não será possível naquele momento.
Acredito que os empregados e a própria Embrapa estão em um processo de amadurecimento. Além disso, a atuação no Consad não se limita a pautas trabalhistas: a experiência administrativa é essencial para apresentar críticas construtivas e sugestões qualificadas sobre processos e documentos institucionais relevantes — e isso faz diferença.
S: Quais demandas dos empregados você já levou ao Consad?
MA: O mandato não é executivo, mas de presença, posicionamento, provocar o debate e voto. Entre as pautas em destaco meus posicionamentos estão:
- Modernização institucional, com mais transparência e participação dos empregados;
- Enfrentamento ao assédio moral e sexual, com transparência, dados confiáveis e fortalecimento do CPPCAM;
- Reestruturações na Sede, com gestão da mudança que respeite as pessoas;
- Defesa de priorização da Gestão de Pessoas;
- Direito ao teletrabalho integral para PCDs ou responsáveis por PCDs;
- Demandas dos embrapianos que foram aprovados no novo concurso;
- Previdência complementar, com foco na transparência, no fortalecimento da gestão e da governança e nos impactos do saldamento do plano BD para os empregados;
- Simplificação de normativos;
- Melhoria nos processos decisórios e funcionamento dos colegiados;
- Aumentar o diálogo com o corpo técnico sobre os desdobramentos de eventos e cooperação internacional;
- Estabelecimento de uma estratégia que seja comunicada, internalizada pelo corpo técnico e executada nos projetos de pesquisa;
- Aperfeiçoamento de processos e documentos institucionais estratégicos.
S: Como os trabalhadores podem acompanhar sua atuação?
MA: Criei um canal no WhatsApp onde compartilho vídeos informativos após as reuniões do Consad, além de documentos relevantes. A adesão é voluntária e o canal cresce organicamente. Hoje temos mais de 400 participantes.
Para acompanhar e dialogar diretamente com Maria Alice, acesse o canal aqui.
S: Quais foram os maiores desafios do mandato?
MA: Encontrar um formato de comunicação interessante e lidar com a exposição da minha imagem. Acredito que a comunicação pode melhorar, com mais textos e ampliando o alcance para quem tiver interesse. Isso exige amadurecimento institucional, entendo que a transparência beneficia todos.
S: Você está satisfeita com sua atuação?
MA: Sim. Estou satisfeita. Tenho refletido muito com a proximidade de um novo processo eleitoral. Uso duas referências: o “teste do espelho” — se consigo me olhar com tranquilidade após minhas decisões — e o “teste da imprensa” — se eu ficaria tranquila se minhas decisões fossem publicadas.
Estou tranquila com minhas falas e posicionamentos. Sigo aprendendo e comprometida com a responsabilidade que os trabalhadores confiaram a mim.
Acompanhe mais em breve
Continue acompanhando o SINPAF! Em breve, publicaremos outra entrevista ping-pong com o representante das trabalhadoras e trabalhadores no Consad Codevasf, Carlos Hermínio.
O SINPAF seguirá acompanhando, divulgando e fortalecendo a representação das trabalhadoras e trabalhadores.

