Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Dia Mundial da Alimentação: ciência e trabalho para erradicar a fome

O SINPAF defende o fortalecimento da ciência, do trabalho e das políticas públicas que garantem segurança alimentar e uma transição justa.

16 de outubro de 2025
Por: Gisliene Hesse

Em 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) celebra 80 anos de fundação, e o Dia Mundial da Alimentação traz à tona um paradoxo: o planeta produz comida suficiente para todos, ainda assim, mais de 700 milhões de pessoas ainda passam fome. No Brasil, o desafio persiste, embora avanços recentes tenham retirado 2 milhões de pessoas da insegurança alimentar grave.

Em seu discurso de abertura no Fórum Mundial da Alimentação, o presidente Lula reafirmou que a fome é, antes de tudo, uma questão política. Segundo ele, o acesso aos alimentos continua sendo um recurso de poder, e não há como dissociar a fome das desigualdades que dividem ricos e pobres, homens e mulheres, nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Lula destacou que a fome não é apenas resultado de crises econômicas, mas sim de decisões políticas sobre como e para quem os recursos públicos são destinados. Combater a fome, portanto, exige vontade política, solidariedade e justiça social, para que o direito humano à alimentação seja garantido a todos e todas.

O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da ONU ao unir três fatores fundamentais: transferência de renda, alimentação escolar e fortalecimento da agricultura familiar — políticas que garantiram que milhões de pessoas voltassem a ter o que comer todos os dias. Segundo dados da PNAD 2024, a fome caiu 23,5% em relação a 2023, resultado direto da recomposição de renda e de políticas públicas voltadas à segurança alimentar. Ainda assim, 11,7 milhões de brasileiros vivem em insegurança alimentar grave, com as maiores taxas entre mulheres, pessoas negras e moradores do campo. A desigualdade territorial segue profunda, e a fome continua sendo o espelho da exclusão histórica que o país precisa superar.

Fome, clima e desigualdade


A FAO alerta que as mudanças climáticas estão entre os principais fatores de aumento da fome no mundo. Secas prolongadas, enchentes e perda de biodiversidade reduzem a produtividade agrícola e agravam a desigualdade. A transição justa, tratada pelo SINPAF em suas plenárias regionais e nacional deste ano, é um dos caminhos para o combate à fome e à pobreza (confira aqui a carta compromisso assinada pelos delegados e delegadas nas plenárias).

O Brasil enfrenta desafios ambientais cada vez mais intensos, como desmatamento, degradação dos biomas, escassez hídrica e eventos climáticos extremos, que afetam diretamente a produtividade agrícola, a geração de empregos e a segurança alimentar. As atividades econômicas ligadas à agricultura, pesca, extração florestal e outras cadeias produtivas regionais são vulneráveis a secas, enchentes, novas pragas e à perda da biodiversidade, reforçando a necessidade de políticas públicas e tecnologias que garantam resiliência e sustentabilidade.

Nesse cenário, a pesquisa e o desenvolvimento agropecuário — com destaque para o trabalho das instituições representadas pelo SINPAF (Embrapa, Codevasf, Pessagro, Distritos Irrigados, Empaer e Emparn) — tornam-se estratégicos para promover a adaptação climática, fortalecer a agricultura familiar, fomentar práticas agroecológicas e assegurar que as transformações produtivas ocorram de forma justa, inclusiva e ambientalmente responsável. A transição justa, portanto, não é apenas uma meta ambiental, mas também uma decisão política e social, essencial para combater a fome, a insegurança alimentar e reduzir desigualdades históricas no país.

O SINPAF defende o fortalecimento da ciência, do trabalho e das políticas públicas que garantem segurança alimentar e uma transição justa.

As empresas públicas de pesquisa e desenvolvimento agropecuário são pilares da soberania alimentar brasileira. A Embrapa, inclusive, foi premiada pela FAO nesta terça-feira, 15 de outubro, em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento agrícola sustentável e à proteção das florestas (Leia mais aqui).

Capacitação do Balde Cheio em um propriedade leiteira (Foto: Embrapa)

O SINPAF reafirma seu compromisso com a defesa da ciência pública, da pesquisa agropecuária e dos direitos dos(as) trabalhadores(as), como caminhos para um Brasil sem fome.

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