Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Outubro Rosa: E quem cuida da mulher?

13 de outubro de 2025
Por: Camila Bordinha

Entre o trabalho remunerado, o cuidado com os filhos, a casa e a família, as mulheres seguem carregando uma sobrecarga invisível que compromete não apenas seus direitos, mas também sua saúde física e emocional. Segundo dados do IBGE, as mulheres dedicam, em média, 10 horas a mais por semana que os homens às tarefas domésticas e de cuidado. Essa dupla ou tripla jornada as impede de acessar plenamente o descanso, a qualificação e, muitas vezes, o próprio cuidado com a saúde.

Enquanto lutam por igualdade salarial — ainda 20,9% menor que a dos homens, segundo o Ministério do Trabalho (2024) — e pela regulamentação da Convenção 190 da OIT, que combate o assédio e a violência laboral, as mulheres seguem invisibilizadas. São elas que sustentam o cuidado da vida, substituindo políticas públicas que o Estado deveria garantir, como creches, escolas integrais, atendimento domiciliar à saúde e suporte a idosos. Essa lógica neoliberal de “Estado mínimo” sobrecarrega as mulheres e agrava desigualdades de gênero e classe.

O impacto desse acúmulo de funções vai muito além do mundo do trabalho: atinge diretamente a saúde. No Outubro Rosa, é fundamental lembrar que muitas mulheres negligenciam exames preventivos — como a mamografia — por falta de tempo, sobrecarga de tarefas e ausência de políticas de saúde acessíveis. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 74 mil novos casos de câncer de mama em 2025, e o diagnóstico precoce continua sendo o principal fator de cura. No entanto, mulheres com menos renda e maior carga de cuidados são justamente as que menos conseguem realizar exames periódicos.

Por isso, a Diretoria da Mulher do SINPAF, Sara Lucas Araújo, afirma: lutar pela saúde da mulher é lutar por condições dignas de vida e trabalho. É defender políticas de igualdade salarial, combate à violência, ampliação do acesso a creches, horários flexíveis e programas de prevenção e atendimento médico. É exigir que as empresas cumpram o que está previsto nos acordos coletivos e ampliem o acesso a exames periódicos e licenças para acompanhamento de saúde”.

A pergunta “E quem cuida da mulher?” precisa de resposta coletiva. É dever do Estado garantir políticas de cuidado; das empresas, respeitar direitos; e dos sindicatos, fortalecer espaços de acolhimento, denúncia e conscientização. Porque cuidar de quem cuida é um ato político — e essencial para que a igualdade de gênero saia do discurso e entre na vida real das trabalhadoras.

Veja o vídeo com uma mensagem especial do SINPAF sobre o Outubro Rosa:

https://www.instagram.com/p/DPwO_2EDeaw

Leia mais