Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Live do SINPAF apresenta dados alarmantes sobre saúde e convoca categoria à ação

31 de julho de 2025
Por: Gisliene Hesse

A live promovida pelo SINPAF nesta quarta-feira (30) foi mais do que a divulgação de resultados de uma pesquisa: foi um chamado para que a categoria atue coletivamente pela defesa da saúde nos ambientes de trabalho. Foram apresentados dados importantes sobre a saúde física e mental dos trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa e da Codevasf, resultado da maior pesquisa sobre o tema já realizada pelo Sinpaf em parceria com o Departamento Intersindical Estudos Pesquisas de Saúde e Ambiente de Trabalho (Diesat).

Durante o encontro, os participantes foram unânimes em destacar a necessidade de realizar essa pesquisa metodológica para conhecer de forma precisa a realidade da saúde da base do SINPAF. Veja a live completa abaixo:

Pedro Melo destacou que “a pesquisa não é um fim em si, mas um ponto de partida para mudanças reais”. Na mesma linha, Sérgio Cobel reforçou: “Não basta conhecer. Precisamos agir com base nesses dados”. Pedro e Sérgio são diretor e diretor suplente de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente do SINPAF, respectivamente.

Eduardo Bonfim, pesquisador do Diesat, lembrou que a pesquisa não é apenas estatística, mas uma escuta ativa, metodologicamente rigorosa, feita com trabalhadores e trabalhadoras de várias regiões do país.

“Cada resposta foi um ato de coragem. Essa pesquisa nos mostra que nós não queremos mais adoecer ou morrer pelo trabalho. O que vivemos não é fruto de escolha individual. É resultado de um modelo de organização do trabalho que precisa mudar”, declarou.

Adoecemos porque o trabalho tem adoecido a todos

Na abertura da live, o presidente do SINPAF, Marcus Vinicius Sidoruk Vidal, contextualizou o cenário vivido pelas empresas públicas, alertando para os impactos do modelo neoliberal nas relações de trabalho.

“O modo econômico e social que vivemos hoje traz uma forma de opressão e de exploração das pessoas muito mais aguda do que em outros momentos históricos — do ponto de vista da saúde física e, principalmente, da saúde mental do trabalhador e da trabalhadora”, disse o presidente.

Ele destacou ainda os processos de precarização, plataformização e uberização das relações de trabalho e a cultura do sucesso imposta aos trabalhadores e às trabalhadoras, que muitas vezes são culpabilizados individualmente por não atingirem metas inatingíveis. “Há hoje uma cultura de que os/as trabalhadores/as têm que se superar o tempo todo nas entregas. Isso está gerando um colapso mental na nossa classe”.

Marcus Vinicius também chamou a atenção para o número crescente de pessoas com depressão e ansiedade, além do uso excessivo de medicamentos. “É urgente olharmos para esses dados com seriedade e enfrentarmos essa realidade com coragem”, destacou o presidente do Sinpaf.

Dados revelam disparidades e consequências graves

A apresentação dos dados foi feita por Miriam Regina de Souza, pesquisadora do DIESAT. Um dos aspectos mais alarmantes foi o índice de sintomas de adoecimento mental na Embrapa, que chegou a 45%, contra 5,6% na Codevasf. Em contrapartida, a Codevasf apresentou um índice preocupante de uso contínuo de álcool, drogas e tabaco: 39,5%, contra apenas 3,6% na Embrapa.

Um dos principais pontos da apresentação de Miriam foi sobre as consequências da exposição constante a riscos psicossociais. “Há aumento do absenteísmo (da ausência no trabalho por doenças mentais), crescimento do presenteísmo (presença no trabalho com produtividade reduzida), maior probabilidade de acidentes, além de mudanças comportamentais como irritabilidade, apatia, desmotivação e desenvolvimento de doenças específicas”, alertou a pesquisadora.

O trabalho é um dos principais gatilhos para os transtornos mentais

A saúde mental foi apontada como uma das maiores preocupações da categoria. A gravidade da situação ficou evidente nas análises e nos relatos apresentados ao longo da transmissão.

O diretor Pedro Melo reforçou a importância de transformar os dados em ações concretas: “Vamos encaminhar a pesquisa para as empresas e discutir com elas. Vamos capilarizar nas seções sindicais e com as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs). E, agora, faremos uma nova etapa, mais qualitativa, para aprofundar os maiores problemas”, afirmou.

Ele foi direto ao relacionar o ambiente de trabalho ao adoecimento: “Não é só o trabalho, a questão da saúde mental é universal, mas o trabalho ocupa oito horas ou mais do nosso dia, na maior parte da semana. O trabalho é fundamental na origem dos transtornos mentais”, indagou o diretor.

A saúde do trabalhador e da família também

Sérgio Cobel, diretor suplente de Saúde e Meio Ambiente, também participou do debate e destacou a coragem dos trabalhadores ao revelarem suas dores. “A gente adoece e junto uma gama de pessoas que estão ligadas a nós — nossa família, nossos colegas. Essa é uma questão que precisamos discutir nas empresas: não só a saúde do trabalhador, mas de todos ao seu redor”, afirmou.

Compromisso com a vida e a saúde da categoria

Encerrando a live, o presidente do Diesat, Alex Ricardo Fonseca, destacou a importância do envolvimento do sindicato com as pautas de saúde. “A pesquisa demonstra a preocupação do SINPAF em entender como seus trabalhadores passam o dia a dia. Estou satisfeito com o resultado dos trabalhos. Acho que é um pontapé inicial para fazermos grandes devolutivas para a categoria”, frisou.

O SINPAF reafirma o compromisso de transformar esse diagnóstico em luta por políticas efetivas de promoção da saúde e dignidade no ambiente de trabalho. “A saúde do trabalhador e da trabalhadora é prioridade — e agora temos dados e podemos definir estratégias para agir”, finalizou Marcus Vinicius, Presidente do Sinpaf.

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