Sem limites: machismo estrutural mantém a violência contra a mulher em alta
Por: Gisliene Hesse
A violência contra a mulher não escolhe classe social, renda ou escolaridade — ela é avassaladora e tem raízes profundas no machismo estrutural que atravessa as relações humanas e institucionais. Neste Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher (10 de outubro), o SINPAF reforça que enfrentar esse problema é responsabilidade coletiva.
É preciso unir esforços institucionais, sociais e individuais para transformar uma realidade que continua ceifando vidas e corroendo o tecido social brasileiro.
“O SINPAF reafirma seu compromisso em lutar contra todas as formas de violência e desigualdade de gênero. É preciso lembrar que a violência contra a mulher não é um assunto privado — é uma violação de direitos humanos”, alerta Sara Lucas Araújo, diretora da Mulher do SINPAF.
Estatísticas alarmantes
Os dados sobre violência contra as mulheres no Brasil são devastadores. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o país registrou 1.492 casos de feminicídio em 2024 — o maior número desde que o crime foi tipificado, em 2015.
Desse total:
🔹 64% das vítimas eram mulheres negras
🔹 70,5% tinham entre 18 e 44 anos
🔹 Em 80% dos casos, o agressor era companheiro ou ex-companheiro
🔹 64,3% dos crimes ocorreram dentro da residência da vítima
As tentativas de feminicídio também cresceram: foram 8.957 ocorrências em 2024, um aumento de 13,6% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, o país contabilizou 87.545 casos de estupro, o maior número da série histórica:
🔸 76,8% dos casos foram estupro de vulnerável (crianças e adolescentes)
🔸 65% ocorreram dentro de casa
🔸 45,5% dos agressores eram familiares, e 20,3% eram parceiros ou ex-parceiros
🔸 55,6% das vítimas eram mulheres negras
Somente nos primeiros sete meses de 2025, o canal Ligue 180 recebeu 86.025 denúncias de violência contra mulheres — 2,9% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
As principais ocorrências relatadas foram:
• Violência física — 41,4%
• Psicológica — 27,9%
• Sexual — 3,6%
Machismo: a raiz da violência
A violência contra a mulher costuma se perpetuar em ciclos silenciosos, sustentados por padrões culturais e relações de poder desiguais entre homens e mulheres.
A filósofa e feminista Simone de Beauvoir já alertava para essa desigualdade ao afirmar que a sociedade trata o homem como o sujeito absoluto e a mulher como o “outro” — uma categoria secundária e relativa a ele. Esse pensamento ajuda a compreender como o machismo se espalha em todas as esferas sociais e institucionais, reforçando práticas discriminatórias e a naturalização da violência.
“Combater o machismo, a desigualdade e a impunidade deve ser um dever de todos nós. Enquanto houver relações de poder desiguais entre homens e mulheres, negligência institucional, subnotificação e impunidade, o problema da violência irá persistir”, avalia Sara Lucas Araújo.
Como denunciar e buscar proteção
🚨 Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher
Atendimento gratuito, confidencial e 24 horas por telefone, WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail ou videochamada em Libras.
🚨 Disque 190 — Polícia Militar (em casos de flagrante).
🚨 Delegacias da Mulher (DEAMs) — registro de boletim de ocorrência e solicitação de medidas protetivas.
Em alguns estados, também é possível solicitar medidas protetivas online, por meio dos sites das Polícias Civis estaduais, com login via gov.br.
O SINPAF ALERTA: Esse não é um problema individual — é social. Seja em casa, no trabalho ou na rua, denunciar salva vidas.A violência contra a mulher não é um assunto privado: é uma violação de direitos humanos que exige ação conjunta da sociedade, do Estado e das instituições. Combater o machismo, a desigualdade e a impunidade é dever de todas e todos.

