Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Quatro mulheres morrem por dia: o SINPAF reafirma sua voz contra o feminicídio no Brasil

23 de janeiro de 2026
Por: Gisliene Hesse

O Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número desde o início da série histórica. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a partir das informações enviadas pelos governos estaduais ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. O total confirma uma média de quatro mulheres assassinadas por dia no país. Diante desse cenário, o SINPAF reafirma seu posicionamento contrário a qualquer forma de violência contra as mulheres e reforça a necessidade de enfrentamento permanente desse tipo de crime.


Para o SINPAF, os dados reforçam a urgência do enfrentamento à violência de gênero. “O feminicídio não é um fato isolado nem um problema individual. Ele está ligado a uma estrutura social marcada pelo machismo, pela desigualdade e pela naturalização da violência, inclusive nos ambientes de trabalho”, afirma Sara Lucas Araújo, diretora da Mulher do SINPAF.

Veja agora o vídeo sobre o tema que foi publicado nas nossas redes

Estatíticas

O número supera o recorde anterior, de 2024, quando foram contabilizados 1.464 casos. Segundo o próprio ministério, os dados ainda são preliminares e podem ser revisados para cima, já que alguns estados — como São Paulo — não haviam atualizado completamente as informações referentes ao mês de dezembro até a consolidação do levantamento.


Mesmo assim, São Paulo aparece como o estado com maior número absoluto de feminicídios em 2025, com 233 registros. Em seguida, estão Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). Os dados evidenciam que a violência letal contra mulheres está presente em todas as regiões do país.


Desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime específico no Código Penal, em 2015, os registros oficiais apontam crescimento contínuo. Naquele ano, foram contabilizadas 535 mortes. Em uma década, o aumento chega a 316%, indicando que, apesar da existência da legislação, o problema segue em expansão.


Ao longo dos últimos dez anos, 13.448 mulheres foram assassinadas no Brasil por crimes motivados por gênero, segundo o Ministério da Justiça. A média anual é de 1.345 mortes. São Paulo (1.774), Minas Gerais (1.641) e Rio Grande do Sul (1.019) concentram os maiores números absolutos. Já na análise proporcional por 100 mil habitantes, Acre (1,58), Rondônia (1,43) e Mato Grosso (1,36) apresentam as maiores taxas, enquanto Amazonas (0,46), Ceará e São Paulo (ambos com 0,51) registram as menores.


Especialistas alertam que os números oficiais ainda subestimam a real dimensão do problema. Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, a dificuldade na correta tipificação do crime interfere nos registros. “Em alguns estados, os feminicídios representam entre 40% e 60% das mortes de mulheres, enquanto em outros esse percentual varia entre 15% e 20%”, afirma.
Segundo a pesquisadora, o crescimento de registros de crimes como perseguições, ameaças e agressões físicas também indica um aumento generalizado da violência contra mulheres, já que esse tipo de violência costuma anteceder os casos de feminicídio.


O sindicato defende que o combate à violência contra as mulheres passa por informação, mobilização social e fortalecimento de políticas públicas, além da garantia de ambientes de trabalho seguros, livres de assédio moral e sexual.


Violência contra a mulher não é um problema privado. É uma violação de direitos humanos. O silêncio também mata. Informar, denunciar e agir salva vidas. O SINPAF seguirá atuando na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento de todas as formas de violência.


Em 2025, o país registrou 1.470 feminicídios, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado.
São quatro mulheres assassinadas por dia, vítimas da violência de gênero.

Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública e ainda podem ser maiores devido à subnotificação. Diante dessa realidade, mulheres diretoras, presidentas de Seções Sindicais e mulheres da base do SINPAF se unem neste vídeo para levantar a voz, denunciar a violência e reafirmar que não aceitaremos o silêncio.

O feminicídio não é um problema individual. Não é um caso isolado. É uma violência estrutural que precisa ser enfrentada todos os dias.

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