Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

SINPAF pela eliminação da violência contra a mulher

25 de novembro de 2025
Por: Camila Bordinha

O Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, neste 25 de novembro, nos convoca a encarar uma verdade histórica e dolorosa: no Brasil, as mulheres negras são as principais vítimas de todas as formas de violência. A combinação de racismo, sexismo e desigualdade social torna essas mulheres — trabalhadoras, crianças e jovens, mães, lideranças, comunicadoras, pesquisadoras, ribeirinhas, quilombolas, indígenas ou rurais — as mais expostas à violência física, psicológica, sexual, institucional, política e digital.

Segundo o Atlas da Violência e o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números são contundentes:

• Mais de 60% dos feminicídios têm mulheres negras como vítimas;

• A taxa de homicídios de mulheres negras é o dobro da registrada entre mulheres brancas;

• Nos atendimentos por violência doméstica no SUS, 67% das vítimas são mulheres negras;

• Meninas e adolescentes negras compõem a maior parte dos registros de violência sexual, evidenciando que a vulnerabilidade se manifesta desde cedo.

Para a vice-presidenta do SINPAF, Jasna Maria Luna, o recorte racial é indispensável para compreender a violência de gênero no país. “Quando a violência tem cor, o enfrentamento também precisa ter. As mulheres negras estão na linha de frente da vulnerabilidade, mas também da resistência. Reconhecer essa realidade é o primeiro passo para construir políticas que realmente protejam quem mais precisa.”

A violência se agrava quando mulheres negras ocupam espaços de liderança e visibilidade. Jornalistas, comunicadoras, políticas, sindicalistas e ativistas negras enfrentam ataques racistas, assédio, ameaças e tentativas contínuas de silenciamento. Nesses casos, a violência é utilizada como ferramenta para impedir que avancem, se expressem e representem suas comunidades.

As desigualdades estruturais também marcam o mundo do trabalho. Mulheres negras estão concentradas em funções mais precarizadas, recebem os menores salários e têm menor acesso à autonomia financeira — um dos pilares fundamentais para romper ciclos de violência. Isso as coloca em situação ainda mais perigosa ao buscar denunciar agressores ou sair de relações abusivas.

Para a diretora da Mulher do SINPAF, Sara Lucas Araújo, enfrentar esse cenário exige compromisso institucional permanente. “As mulheres negras não são apenas as que mais sofrem violência; são também as que menos recebem respaldo das políticas públicas. Por isso, o SINPAF reafirma que o combate à violência precisa caminhar junto à luta antirracista, ao fortalecimento das redes de apoio e à defesa da dignidade de todas as mulheres.”

Marcha das Mulheres Negras

Neste 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, o SINPAF estará presente na Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, em Brasília, ao lado de mulheres vindas de todas as regiões do país.

A concentração do Sindicato será às 8h, na sede do SINPAF Nacional, de onde as participantes seguirão em caminhada até o Museu da República, ponto de partida da Marcha. Toda a categoria está convidada a se juntar a esse ato de mobilização e resistência coletiva.

A Marcha é um ato político fundamental que denuncia o racismo estrutural, reivindica justiça racial e exige políticas de proteção e reparação para as mulheres negras — as que mais sofrem violência, as que mais lutam e as que mais resistem.

Ao caminhar com essas mulheres, o SINPAF reafirma seu compromisso com a luta antirracista, com a defesa da vida e com a construção de ambientes de trabalho e de sociedade que acolham, protejam e respeitem todas as mulheres, começando por aquelas que historicamente foram deixadas à margem.

Defender a vida das mulheres negras é defender toda a sociedade.

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