Dia Internacional dos Direitos Humanos: mulheres querem viver
Por: Camila Bordinha
O Dia Internacional dos Direitos Humanos é celebrado em 10 de dezembro desde 1950. A data foi escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar a adoção, em 10 de dezembro de 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) — o primeiro documento global que estabelece os direitos fundamentais de todo ser humano.
A criação da declaração e a instituição desse dia mundial nasceram do compromisso com a dignidade, a liberdade, a justiça e a igualdade — especialmente como resposta aos horrores da Segunda Guerra Mundial e às inúmeras violações de direitos cometidas naquele período.
O objetivo do Dia Internacional dos Direitos Humanos é lembrar que direitos básicos — como o direito à vida, à integridade, à igualdade, à liberdade de expressão, de convicção, à segurança, à dignidade — são universais e inalienáveis.
Luta contra o feminicídio
Neste 10 de dezembro, o SINPAF aproveita o Dia Internacional dos Direitos Humanos para destacar uma urgência nacional: a mobilização da sociedade brasileira pelo fim dos assassinatos de mulheres. O foco dessa data, na conjuntura atual, deve articular direitos humanos e direito à vida, à segurança e à dignidade de mulheres.
A escalada dos números de homicídios contra mulheres e meninas e, consequentemente, a crescente participação feminina nas manifestações e protestos mostra que a luta contra o machismo, a misoginia e a violência de gênero precisa ser tratada como pauta central de direitos humanos. Ao dar visibilidade a essas mobilizações, o SINPAF reforça que esse não é um tema isolado — é uma luta por justiça, igualdade e respeito à vida.
A gravidade da violência de gênero no Brasil:
- Em 2024, o Brasil registrou 1.450 feminicídios;
- No mesmo ano, a cada 17 horas, pelo menos uma mulher foi vítima de feminicídio;
- Estima-se que, atualmente, quatro mulheres são assassinadas por dia no país;
Esses dados mostram o quadro alarmante de violência de gênero e a urgência de políticas públicas, prevenção, denúncia e mudança cultural.
Vidas, histórias, sonhos interrompidos
É essencial enfatizar que por trás dessas estatísticas há vidas: mulheres com nomes, sonhos, projetos, família, amigos. Apesar da importância desses números, ao tratarmos essas vítimas apenas como dados, perdemos a humanidade da tragédia — a marca da dor, da injustiça, do silêncio imposto.
Por isso, este ano, ao recordar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, é necessário reafirmar: essas não são estatísticas. São vidas perdidas, histórias interrompidas, futuros roubados.
Assista ao vídeo produzido pela equipe de Comunicação do SINPAF sobre o assunto.
É urgente impedir o machismo e a misoginia!
Conforme explica a diretora da Mulher do SINPAF, Sara Lucas de Araújo, o assassinato de mulheres no Brasil é estrutural. “O feminicídio não é um evento isolado: é expressão extrema de uma cultura estruturada pelo machismo, desigualdade de gênero e pela naturalização da violência. Denunciar, protestar, mobilizar — como as mulheres vêm fazendo nas ruas — é parte de um processo coletivo de transformação social”, explicou a diretora.
Por isso, o SINPAF convida todas e todos a refletirem: direitos humanos são indivisíveis — só há dignidade quando há segurança; só há justiça quando há igualdade; só há direitos quando há vida.
Veja as imagens da participação das mulheres do SINPAF das manifestações do último domingo (7/12)
Compromisso com a vida, a Justiça e a dignidade
Neste 10 de dezembro, o SINPAF reafirma o compromisso com o fim da violência de gênero e com a defesa dos direitos humanos das mulheres. E convidamos você, filiadas e filiados, a somar forças, a dar voz às vítimas, a exigir políticas reais, a divulgar os dados — e, sobretudo, a resistir à cultura da violência.

