Dia Mundial da Alimentação: ciência e trabalho para erradicar a fome
O SINPAF defende o fortalecimento da ciência, do trabalho e das políticas públicas que garantem segurança alimentar e uma transição justa.
Por: Gisliene Hesse
RESUMO
1 – Em 2025, a FAO completa 80 anos e alerta para um paradoxo global: o planeta produz comida suficiente para todos, mas mais de 700 milhões de pessoas ainda passam fome.
2 – O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, resultado de políticas públicas como transferência de renda, alimentação escolar e fortalecimento da agricultura familiar.
3 – O presidente Lula reafirmou que a fome é uma questão política, resultado de decisões sobre a destinação dos recursos públicos e das desigualdades sociais.
4 – As mudanças climáticas agravam a insegurança alimentar, exigindo uma transição justa que una sustentabilidade, geração de empregos e redução das desigualdades.
5 – As empresas de base do SINPAF — como Embrapa, Codevasf, Pessagro, Empaer, Emparn e Distritos Irrigados — são essenciais para garantir pesquisa, inovação e soberania alimentar.
6 – “Erradicar a fome é mais do que distribuir alimentos: é garantir que toda a cadeia de produção — da pesquisa ao consumo — seja sustentável, inclusiva e democrática”, afirma o presidente do SINPAF, Jean Kleber Silva.
Em 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) celebra 80 anos de fundação, e o Dia Mundial da Alimentação traz à tona um paradoxo: o planeta produz comida suficiente para todos, ainda assim, mais de 700 milhões de pessoas ainda passam fome. No Brasil, o desafio persiste, embora avanços recentes tenham retirado 2 milhões de pessoas da insegurança alimentar grave.
Em seu discurso de abertura no Fórum Mundial da Alimentação, o presidente Lula reafirmou que a fome é, antes de tudo, uma questão política. Segundo ele, o acesso aos alimentos continua sendo um recurso de poder, e não há como dissociar a fome das desigualdades que dividem ricos e pobres, homens e mulheres, nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Lula destacou que a fome não é apenas resultado de crises econômicas, mas sim de decisões políticas sobre como e para quem os recursos públicos são destinados. Combater a fome, portanto, exige vontade política, solidariedade e justiça social, para que o direito humano à alimentação seja garantido a todos e todas.
O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da ONU ao unir três fatores fundamentais: transferência de renda, alimentação escolar e fortalecimento da agricultura familiar — políticas que garantiram que milhões de pessoas voltassem a ter o que comer todos os dias. Segundo dados da PNAD 2024, a fome caiu 23,5% em relação a 2023, resultado direto da recomposição de renda e de políticas públicas voltadas à segurança alimentar. Ainda assim, 11,7 milhões de brasileiros vivem em insegurança alimentar grave, com as maiores taxas entre mulheres, pessoas negras e moradores do campo. A desigualdade territorial segue profunda, e a fome continua sendo o espelho da exclusão histórica que o país precisa superar.
Fome, clima e desigualdade
A FAO alerta que as mudanças climáticas estão entre os principais fatores de aumento da fome no mundo. Secas prolongadas, enchentes e perda de biodiversidade reduzem a produtividade agrícola e agravam a desigualdade. A transição justa, tratada pelo SINPAF em suas plenárias regionais e nacional deste ano, é um dos caminhos para o combate à fome e à pobreza (confira aqui a carta compromisso assinada pelos delegados e delegadas nas plenárias).
O Brasil enfrenta desafios ambientais cada vez mais intensos, como desmatamento, degradação dos biomas, escassez hídrica e eventos climáticos extremos, que afetam diretamente a produtividade agrícola, a geração de empregos e a segurança alimentar. As atividades econômicas ligadas à agricultura, pesca, extração florestal e outras cadeias produtivas regionais são vulneráveis a secas, enchentes, novas pragas e à perda da biodiversidade, reforçando a necessidade de políticas públicas e tecnologias que garantam resiliência e sustentabilidade.
Nesse cenário, a pesquisa e o desenvolvimento agropecuário — com destaque para o trabalho das instituições representadas pelo SINPAF (Embrapa, Codevasf, Pessagro, Distritos Irrigados, Empaer e Emparn) — tornam-se estratégicos para promover a adaptação climática, fortalecer a agricultura familiar, fomentar práticas agroecológicas e assegurar que as transformações produtivas ocorram de forma justa, inclusiva e ambientalmente responsável. A transição justa, portanto, não é apenas uma meta ambiental, mas também uma decisão política e social, essencial para combater a fome, a insegurança alimentar e reduzir desigualdades históricas no país.
O SINPAF defende o fortalecimento da ciência, do trabalho e das políticas públicas que garantem segurança alimentar e uma transição justa.
“Erradicar a fome é mais do que distribuir alimentos: é garantir que toda a cadeia de produção — da pesquisa ao consumo — seja sustentável, inclusiva e democrática. A essência da transição justa é mudar o modelo econômico sem deixar ninguém para trás”, afirma o presidente do SINPAF, Jean Kleber Silva.
As empresas públicas de pesquisa e desenvolvimento agropecuário são pilares da soberania alimentar brasileira. A Embrapa, inclusive, foi premiada pela FAO nesta terça-feira, 15 de outubro, em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento agrícola sustentável e à proteção das florestas (Leia mais aqui).

“Essas conquistas são fruto direto do trabalho desenvolvido pelos(as) profissionais que atuam nas empresas de base do SINPAF, que diariamente constroem soluções para garantir alimentos de qualidade e segurança alimentar, proteger recursos naturais, e apoiar a agricultura familiar”, destaca Jean Kleber.
O SINPAF reafirma seu compromisso com a defesa da ciência pública, da pesquisa agropecuária e dos direitos dos(as) trabalhadores(as), como caminhos para um Brasil sem fome.
“Erradicar a fome é uma decisão política que depende de investimentos em pesquisa, valorização do trabalho e políticas públicas permanentes. Neste Dia Mundial da Alimentação, o Sindicato celebra a dedicação dos trabalhadores e trabalhadoras das empresas de base e reforça: alimentar o Brasil é uma missão coletiva — e o SINPAF está presente nessa luta”, completa o presidente do Sinpaf.

