Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Atuação estratégica na COP30: SINPAF realiza debate na AgriZone, integra a Cúpula dos Povos e dialoga com dois ministros

17 de novembro de 2025
Por: Gisliene Hesse

A primeira semana de atividades do SINPAF na COP30 foi marcada pela participação ativa de integrantes da Diretoria Nacional e das Seções Sindicais do Pará e do Amazonas em dois eixos principais. O primeiro ocorreu no dia 12/11, com a coordenação de um debate de destaque na AgriZone, integrado por quatro mulheres de áreas distintas que discutiram caminhos possíveis e urgentes para uma transição justa no Brasil (leia mais aqui). O segundo envolveu a participação do SINPAF na Cúpula dos Povos, acompanhando diálogos, articulações e mobilizações que fortaleceram a construção popular da agenda climática.

No fim de semana, o Sindicato também marcou presença na Marcha Mundial pelo Clima, no sábado (15/11), e no ato de encerramento da Cúpula, no domingo (16/11), quando foi entregue a Carta dos Movimentos Sociais, sindicatos e povos da floresta às autoridades da ONU e do governo brasileiro (colocar a carta).

Além dessas participações, a Diretoria Nacional iniciou as atividades desta semana com uma articulação estratégica realizada hoje, 17/11, junto aos ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. Os integrantes do SINPAF cobraram dos ministros a inclusão de representação dos movimentos sociais no Conselho de Administração da Embrapa (Consad/Embrapa). A pauta reforça o compromisso do Sindicato com um conselho mais plural e democrático, que contemple a diversidade dos sujeitos que constroem a instituição.

“A presença do SINPAF na COP30 é estratégica. Não há luta ambiental sem luta de classes, e não há futuro possível para o Brasil sem ouvir quem trabalha, quem pesquisa, quem produz e quem vive nos territórios. Estar aqui, articulando, debatendo e ocupando espaços é reafirmar que a transição justa precisa partir dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirma Jean Kleber, presidente do SINPAF.

Além do presidente do SINPAF, as ações contaram com a participação da Diretoria de Ciência e Tecnologia, representada pelo seu diretor adjunto, Marcus Vinicius Sidoruk Vidal; da Diretoria da Mulher, com a presença de Sara Lucas; e da Diretoria Administrativo-Financeira, que teve como representante o diretor adjunto da pasta, Elanderson Soares.

Debate na AgriZone: quando meio ambiente e trabalho caminham juntos

Na terça-feira (12), o SINPAF coordenou um dos debates da AgriZone, espaço oficial dentro da COP30 voltado à agricultura sustentável, organizado pela Embrapa e com funcionamento da sede da Embrapa Amazônia Oriental. A ação só foi possível graças ao forte trabalho de articulação da Diretoria de Ciência e Tecnologia e ao apoio da Seção Sindical Pará, que viabilizou a presença do Sindicato dentro da AgriZone.

“A entrada do SINPAF na AgriZone foi resultado de muito esforço político e técnico. Esse espaço foi conquistado com diálogo, persistência e compromisso com o futuro da agricultura sustentável e da pesquisa pública. Precisamos garantir que a ciência continue servindo ao povo brasileiro, afirmou Marcus Vinicius Sidoruk Vidal, diretor adjunto de Ciência e Tecnologia do Sinpaf.

O debate foi transmitido ao vivo pelos canais do SINPAF e da Embrapa no YouTube e permanece disponível para quem não pôde acompanhar o encontro.


👉 Veja também o texto completo sobre aqui


👉 Assista ao debate na íntegra no canal da Embrapa.

SINPAF integra a Cúpula dos Povos e marcha com 70 mil pessoas pelo clima

A Diretoria Nacional do SINPAF também esteve presente na Cúpula dos Povos, espaço que reúne movimentos sociais, povos originários, juventudes, organizações sindicais e coletivos de 60 países para construir uma agenda popular de enfrentamento à crise climática.

As Seções Sindicais Pará e Amazonas se uniram aos integrantes da Diretoria Nacional nas atividades ao longo do fim de semana e estiveram juntas com cerca de 70 mil pessoas na Marcha Mundial pelo Clima, realizada no sábado (15/11), em Belém. No domingo (16), acompanharam o encerramento da Cúpula e a entrega da Carta dos Movimentos Sociais, que reforça críticas ao modelo econômico vigente e reivindica políticas climáticas orientadas pela justiça social, pelo internacionalismo popular, pelo feminismo, pela proteção dos territórios e pelo fim das falsas soluções de mercado.

Segundo a presidenta da Seção Sindical Pará, Ilmarina Menezes, as discussões que são geradas em espaços paralelos — intitulados por ela como “Cops Paralelas” — como é o caso da AgriZone e da Cúpula dos Povos, são tão importantes quanto, ou até mais importantes do que, as próprias discussões da COP principal.

“As ‘Cops Paralelas’ discutem o que realmente vivemos no dia a dia e como isso nos atinge. Nós, do SINPAF, estamos tendo a oportunidade de nos apropriarmos de conceitos e de conhecermos visões sobre a transição justa a partir de diferentes categorias. Além disso, tivemos a oportunidade de realizar um debate sobre o tema no qual as mulheres foram protagonistas”, afirmou Ilmarina.

A presidenta da Seção Sindical do Amazonas e secretária de Meio Ambiente da CUT-AM, Simone Alves, destacou que a participação do SINPAF na Cúpula dos Povos é fundamental porque pautas como moradia, água potável, alimentação saudável, proteção das florestas e dos territórios também têm relação direta com a vida e com o trabalhador.

“A crise climática impacta quem está no campo, quem pesquisa, quem produz — e, por isso, o sindicato precisa ir além das pautas salariais. Precisamos garantir ambientes de trabalho saudáveis, sem assédio e com dignidade humana. Quando discutimos transição justa, falamos de ouvir os territórios e de enfrentar as falsas ‘energias limpas’, que muitas vezes chegam causando impactos e sem beneficiar quem mais precisa. Essa luta é coletiva, é uma luta do bem viver, e é por isso que nossa participação é tão importante”, frisou Simone Alves.

Presença ativa e compromisso permanente

A participação do SINPAF na COP30 reforçou a centralidade da agenda ambiental para o Sindicato e destacou que as soluções para a crise climática precisam integrar trabalho, ciência, pesquisa pública, soberania nacional e os povos da floresta.

O compromisso segue adiante. Nesta semana, o Sindicato continua na COP30 e acompanhará debates na AgriZone e outras discussões que tenham relação com a classe trabalhadora na Green Zone (Zona Verde) ou em outros espaços do evento. As discussões seguem até a próxima sexta-feira, 21 de novembro.

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