SINPAF caminhará com as Mulheres Negras dia 25
Por: Camila Bordinha
O SINPAF marcará presença na Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que será realizada em Brasília-DF, no dia 25 de novembro, data simbólica que marca o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres. Mulheres de várias regiões do Brasil, representantes da Diretoria Nacional, das Seções Sindicais do SINPAF e demais filiadas, estarão na capital federal somando forças a esse movimento histórico.
A concentração do Sindicato será às 8h, na sede do SINPAF Nacional, de onde as participantes seguirão em caminhada até o Museu da República, ponto de partida da Marcha. Toda a categoria está convidada a se juntar a esse ato de mobilização e resistência coletiva.
A Marcha: legado e futuro da luta
Em 2015, mais de 100 mil mulheres negras marcharam em Brasília contra o racismo, a violência e em defesa do Bem Viver. Aquele ato histórico redefiniu os rumos da organização política das mulheres negras no Brasil e na América Latina.
Agora, quase dez anos depois, quilombolas, ribeirinhas, trabalhadoras, acadêmicas, artistas, mães, jovens e anciãs voltam às ruas com ainda mais força. A 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, de caráter internacional, reafirma o compromisso coletivo com a reparação histórica e a construção de um futuro baseado no Bem Viver — um modelo de sociedade onde o respeito, a dignidade, o amor e a justiça sejam o centro das relações humanas.
Reparação Histórica
As mulheres negras representam a base da pirâmide social brasileira e seguem enfrentando as maiores desigualdades em todos os campos da vida pública e privada. Embora sejam 28% da população brasileira, elas ocupam menos de 3% dos cargos eletivos no Congresso Nacional, segundo dados do TSE (2024). A sub-representação política reflete o racismo estrutural e o machismo que limitam o acesso das mulheres negras aos espaços de poder e decisão. Mesmo nas eleições municipais, onde há maior diversidade de candidaturas, apenas 6% das prefeituras e 8% das câmaras municipais têm mulheres negras em cargos de comando.
Na área da saúde, a desigualdade também é gritante. De acordo com o IBGE e o Ministério da Saúde, elas têm a menor expectativa de vida e maior taxa de mortalidade materna, sendo que 65% das mortes de gestantes no Brasil ocorrem entre mulheres negras. Também enfrentam ainda mais barreiras de acesso a exames preventivos, a tratamentos adequados e a atendimentos humanizados, reflexo de um sistema de saúde que ainda reproduz práticas racistas e discriminatórias. A negligência médica e o preconceito institucional contribuem para agravar as condições de vida e saúde dessa parcela da população.
Quando o tema é violência, o cenário é ainda mais alarmante. Segundo o Atlas da Violência 2023, 68% das mulheres assassinadas no Brasil são negras. A violência doméstica, o feminicídio e as agressões físicas e psicológicas atingem com mais força as mulheres negras, que enfrentam o racismo e o machismo de forma combinada. A ausência de políticas públicas específicas e de mecanismos de proteção adequados reforça a vulnerabilidade dessas mulheres, especialmente nas periferias urbanas e nas comunidades rurais.
Esses dados revelam a urgência da reparação histórica e da implementação de políticas que promovam igualdade real. A luta das mulheres negras é por reconhecimento, justiça e transformação estrutural — não apenas por inclusão simbólica, mas por reparações concretas que garantam dignidade, segurança, acesso à saúde, educação e representação política.
Marchar por Reparação e pelo Bem Viver é reivindicar o direito de existir plenamente em um país que ainda deve muito às suas mulheres negras.
Compromisso contra o racismo e a violência de gênero
O SINPAF soma-se a essa jornada reafirmando seu compromisso com a igualdade racial, a justiça social e o combate à violência de gênero. Durante o mês da Consciência Negra e da Luta pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, o Sindicato reforça sua atuação nas pautas que buscam construir um país mais justo, antirracista e igualitário.
Participar da Marcha é também fortalecer a luta coletiva por um mundo onde o trabalho, a vida e a dignidade das mulheres negras — e de todas as mulheres — sejam respeitados.

