Brasil sai do Mapa da Fome, mas a luta continua pela alimentação digna para todas e todos
Por: Camila Bordinha
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU) anunciou nesta segunda-feira (29/7), durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, Etiópia, que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome. Segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 (SOFI 2025), o país tem hoje menos de 2,5% da população em risco de subnutrição ou sem acesso regular à alimentação suficiente.
É a segunda vez que o Brasil atinge esse marco. A primeira foi em 2014, no governo Dilma Rousseff, como resultado de políticas públicas consistentes de combate à pobreza e de valorização da agricultura familiar, nos quais as empresas da base do SINPAF contribuíram fortemente. No entanto, o desmonte dessas políticas e das empresas públicas, a partir de 2016, fez o país regredir, retornando ao Mapa da Fome entre 2018 e 2022. A fome chegou a atingir 7,5 milhões de brasileiros em 2020. Em 2023, dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) já apontavam que cerca de 24 milhões de pessoas já tinham saído da condição de insegurança alimentar grave.
A nova retirada do Brasil do Mapa da Fome é uma conquista importante. Mas não encerra os desafios que temos pela frente. A insegurança alimentar no país ainda é marcada por desigualdade na distribuição de renda, concentração de terras e priorização da produção de commodities voltadas à exportação, como soja, milho e carne, em detrimento da produção de alimentos básicos para o consumo interno.
Além disso, o país ainda convive com os chamados “desertos alimentares” — áreas urbanas e rurais onde é difícil encontrar alimentos frescos e saudáveis. O aumento de produtos ultraprocessados nas prateleiras dos mercados e o impacto das mudanças climáticas sobre safras e cadeias de abastecimento colocam em risco a estabilidade do sistema alimentar, especialmente para populações em situação de vulnerabilidade.
Para garantir soberania e segurança alimentar de forma estruturada e duradoura, é essencial fortalecer políticas públicas que promovam:
- A valorização da agricultura familiar, responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros;
- A reforma agrária e o acesso à terra para pequenos produtores;
- A garantia de renda, como a redução de impostos para os mais pobres e taxação dos mais ricos, assim como a manutenção de investimentos nas políticas de inclusão social que reduzem a desigualdade.
Dessa forma, o SINPAF defende o fortalecimento das empresas públicas federais e estaduais que desempenham papel central na implementação de algumas dessas políticas — como a Embrapa, Codevasf, os Distritos de Irrigação, a Pesagro, a Emparn e a Empaer/Emepa. Nessas instituições, os trabalhadores e trabalhadoras da base do sindicato atuam diariamente no desenvolvimento de tecnologias para a produção de alimentos saudáveis e sustentáveis, no apoio ao agricultor familiar, na gestão da irrigação e no planejamento rural.
São esses profissionais que viabilizam, com conhecimento técnico e compromisso social, os caminhos para um modelo agrícola mais justo, inclusivo e voltado para o bem-estar da população brasileira.
A saída do Mapa da Fome é, não só motivo para comemorar, mas para mostrar que estamos a caminho de um Brasil soberano e menos desigual. Porém, é preciso manter a vigilância para fortalecimento das estruturas públicas que constroem esse projeto de país em busca de justiça social, soberania alimentar e o direito à alimentação adequada para todas e todos.
O sindicato comemora o resultado e reafirma o compromisso das trabalhadoras e dos trabalhadores em pesquisa e desenvolvimento agropecuário na luta contra a fome e por melhorias alimentares e nutricionais para todas as brasileiras e todos os brasileiros.
Para isso, o SINPAF exige a valorização das empresas da base e das carreiras!!!

