Palavras importam: expressões capacitistas que precisamos excluir — hoje.
Por: Gisliene Hesse
Todo dia 3 de dezembro é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Uma data para celebrar conquistas, sim — mas, principalmente, para lembrar que inclusão não é discurso, é atitude. No Brasil, 1 em cada 4 pessoas tem algum tipo de deficiência (dados do IBGE). Elas trabalham, estudam, produzem, criam e transformam o mundo todos os dias. Mas ainda enfrentam uma barreira silenciosa e muito presente: a linguagem capacitista.
Capacitismo é presumir, de forma equivocada, que uma pessoa com deficiência é incapaz por ter um corpo, um sentido, uma mente ou uma condição fora do padrão social. E, muitas vezes, isso está escondido em pequenas frases do cotidiano.
É por isso que o SINPAF decidiu fazer diferente: fomos pesquisar expressões e perguntas capacitistas comuns — e como eliminá-las do dia a dia. Não é sobre ser “politicamente correto”. É sobre garantir respeito, dignidade e convivência segura no ambiente de trabalho.
Antes de tudo: por que isso importa?
Porque palavras constroem culturas. Porque a forma como falamos influencia a forma como tratamos. E, porque ninguém deve ser reduzido a um rótulo, a um corpo ou a uma deficiência. A inclusão começa pelo reconhecimento, e o reconhecimento começa pela linguagem.
O SINPAF defende:
- Ambientes de trabalho com acessibilidade real — não apenas no papel.
- Respeito à lei de cotas e ampliação de vagas para PcDs nas empresas
- Combate ao assédio moral, institucional e capacitista.
- Uso de linguagem inclusiva nas reuniões, e-mails, comunicados e convivência.
Inclusão não é favor. É direito.
💬 29 expressões e perguntas capacitistas que precisamos excluir AGORA
✔️ Use quando quiser no dia a dia
❌ Evite completamente
❌ “Dar uma de João sem braço”
✔️ Fugiu da responsabilidade
❌ “Dar uma mancada”
✔️ Cometeu um erro / deu uma gafe
❌ “Está cego/surdo?”
✔️ Você prestou atenção no que eu disse?
❌ “Estar mal das pernas”
✔️ Está enfrentando problemas
❌ “Fingir demência”
✔️ Fingir que não entendeu
❌ “Não ter braço para isso”
✔️ Não temos estrutura / equipe suficiente
❌ “Retardado”
✔️ (Não substitua — não use)
❌ “Ceguinho / Mudinho”
✔️ Pessoa com deficiência visual / pessoa surda
❌ “Louco / doido”
✔️ Pessoa com transtorno mental (se necessário mencionar)
❌ “Aleijado(a)”
✔️ Pessoa com deficiência física / pessoa com mobilidade reduzida
❌ “Preso(a) numa cadeira de rodas”
✔️ Usuário(a) de cadeira de rodas
❌ “Vítima de deficiência”
✔️ Pessoa com deficiência
❌ “Superou a deficiência”
✔️ (Não use — deficiência não é algo a ser vencido)
❌ “Pessoa normal”
✔️ Pessoa sem deficiência
❌ “Portador de necessidades especiais”
✔️ Pessoa com deficiência
❌ “Portador de deficiência”
✔️ Pessoa com deficiência
❌ “Necessidades especiais”
✔️ Direitos e acessibilidade
❌ “Deficiente” (isolado)
✔️ Pessoa com deficiência
❌ “Cego de amor / cego de raiva”
✔️ Muito apaixonado / muito irritado
❌ “Paralisado de medo”
✔️ Fiquei sem reação
❌ “Você está surdo?”
✔️ Você ouviu o que eu disse?
❌ “Ele é um guerreiro / ela é uma inspiração” (só por ter deficiência)
✔️ Evite romantizar — trate com naturalidade
❌ “Mongol / mongoloide”
✔️ (Nunca use — ofensa grave)
❌ “Sofre de…”
✔️ Tem / possui / é uma pessoa com…
❌ “Confinado(a) à cadeira de rodas”
✔️ Usuário(a) de cadeira de rodas
❌ “Pessoa especial”
✔️ Pessoa com deficiência
❌ “Falta um parafuso”
✔️ Está agindo de forma estranha / não faz sentido
❌ “Esse trabalho é para quem tem cabeça boa”
✔️ É um trabalho complexo / exige muita atenção
Perguntas que NÃO DEVEM ser feitas a uma pessoa com deficiência
Porque curiosidade nunca pode estar acima de respeito.
- “Nossa, nem parece que você é PcD!”
- “Você nasceu assim?”
- “Seu problema tem cura?”
- “Apesar da deficiência, você é tão inteligente!”
- “Você é um exemplo de superação.”
- “Você conseguiu ser mãe mesmo com poliomielite?”
- “Será que seus filhos vão nascer normais?”
- “Coitadinha…”
- “Mas como você faz as coisas?”
Pare antes de perguntar: o que me dá o direito de fazer esse comentário?
Desafio do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
Escolha 3 expressões desta lista e prometa nunca mais usar.
E mais: Se ouvir alguém falando essas frases no trabalho, gentilmente corrija.
Educar é uma forma de cuidado coletivo.
A deficiência não está nas pessoas. Está nas barreiras que a sociedade coloca.
Mudar a linguagem é abrir caminho para a inclusão, o respeito e a igualdade — valores que fazem parte da história e da luta do SINPAF todos os dias.
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