300 mil vozes: a força da Marcha das Mulheres Negras toma Brasília
Por: Camila Bordinha
Após 10 anos, a Marcha das Mulheres Negras superou a primeira edição e levou 300 mil mulheres às ruas de Brasília-DF nesta terça-feira, 25 de novembro. O SINPAF marcou presença nessa mobilização histórica com trabalhadoras e dirigentes sindicais do Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sul do país.
Para a vice-presidenta do SINPAF, Jasna Maria Luna Marques, a marcha faz parte de um movimento muito maior, pois, além de lembrar o mês da Consciência Negra, em novembro, também integra os 21 Dias de Ativismo, campanha feminista pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. “É algo que não deve acontecer somente nesta semana; não para por aqui, porque a consciência negra, o respeito à mulher e aos povos negros são necessários todos os dias”, destacou Jasna.
Michele Pereira, diretora Nacional Norte do SINPAF, disse que veio de Manaus (AM) para a marcha porque entende que as mulheres precisam estar unidas e se apoiar. “Estar na Marcha das Mulheres Negras é uma oportunidade única. Aqui a gente sente a energia, sente a garra das mulheres de outras regiões. É uma energia sensacional!”
Já a filiada da Seção Concórdia, Edilena D’Paris, afirmou que acredita no movimento por reparação e bem viver para as mulheres negras, referindo-se ao mote da marcha. “Nós, mulheres negras, temos muito mais a oferecer do que sermos somente ‘da cor do pecado’, como há muito tempo dizem por aí”, destacou Edilena, em forte crítica à sexualização da cor da pele.
Cláudia Mascarenha, diretora administrativo-financeira Teresina (PI), ressaltou que a marcha foi um momento histórico para todas as mulheres negras. “A gente sabe que a mulher já é muito oprimida na sociedade. Para a mulher negra, isso é multiplicado por causa do racismo e do machismo. Então estar aqui mostrando que a gente existe e não desiste de continuar lutando por direitos e por espaço é muito importante”, concluiu.
Eliminação da Violência contra as Mulheres
Fabiane Goldschmidt, presidenta da Seção Sindical Concórdia e diretora Nacional Sul Adjunta, lembrou que a Marcha ocorreu no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Para ela, o “desrespeito às mulheres, seja violência física ou assédio moral, por exemplo, acontece em todos os ambientes e, principalmente, no ambiente de trabalho”.
“É inadmissível que a competência e a dedicação que as mulheres têm nas pesquisas ou em qualquer outra atividade sejam minimizadas e desrespeitadas por misoginia, com falas que desmerecem a contribuição e o trabalho dessas mulheres”, afirmou Fabiane.
A diretora Centro-Oeste, Débora Oliveira, também fez referência à data: “Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, há um altíssimo índice de feminicídio, e isso tem que acabar. Já passou da hora”, reivindicou a diretora, que mora em Dourados (MS).
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