23ª SNCT: Sinpaf defende valorização de mulheres na pesquisa
Por: Thayná de Souza Cavalcante
Com o tema “Ciência Delas”, a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), coloca em evidência a contribuição fundamental das mulheres para o desenvolvimento científico do país. Para o Sinpaf, a campanha é a oportunidade de celebrar a excelência das trabalhadoras da pesquisa agropecuária, além de cobrar políticas direcionadas para superar desigualdades históricas na carreira.
Mulheres na pesquisa
Dados mais recentes do Sistema Nacional de Pós-Graduação mostram que as mulheres já representam cerca de 57% dos títulos e matrículas na pós-graduação e são maioria nas bolsas de iniciação científica de agências como Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Porém, essa proporção sofre uma retração drástica nos cargos de topo e nas bolsas de produtividade em pesquisa, fenômeno conhecido na academia como “Efeito Tesoura”.
De acordo com MCTI, de 2023 a 2025, foram concedidas quase 163 mil bolsas de iniciação científica, com 56,3% destinadas para mulheres, sendo 20,5% destas para mulheres negras. Já nas bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq, o financiamento mais concorrido e mais associado ao prestígio acadêmico, a presença feminina cai para cerca de 35,5%.
Esse mesmo afunilamento se reflete na realidade da Embrapa. Na empresa, as mulheres somam 2.659 profissionais, o equivalente a 33,2% de um efetivo de mais de 8 mil empregados. Entre 2.133 pesquisadores da estatal, apenas 826 são mulheres.
O obstáculo para a presença feminina na ciência nunca foi a competência, mas sim questões estruturais. “As mulheres da nossa base provam todos os dias que a inovação na pesquisa pública avança com a contribuição da competência e do talento delas. No entanto, precisamos romper as barreiras estruturais. Celebrar a Ciência Delas é reconhecer o passado e o presente, mas é principalmente exigir condições justas, igualdade de oportunidades e valorização para garantir o futuro de quem atua produzindo ciência”, destaca a Diretora da Mulher do Sinpaf, Sara Lucas Araújo.
A luta por planos de carreira justos, concursos públicos regulares e recomposição orçamentária das instituições de pesquisa beneficia diretamente as trabalhadoras que, em muitos casos, acumulam a dupla jornada profissional e doméstica. Garantir estabilidade, proteção à maternidade e igualdade salarial nas instituições públicas é dever inegociável de um Estado que deseja ver sua ciência florescer.
Sobre a SNCT
Promovida anualmente desde 2004 para aproximar a ciência da sociedade, a SNCT reafirma em sua edição de 2026, realizada de 26 de outubro a 1º de novembro, o compromisso de inspirar futuras gerações, enfrentar as desigualdades de gênero nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) e democratizar o acesso ao conhecimento científico por meio de feiras, exposições e oficinas em todo país.

