Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Embrapa apresenta dados equivocados sobre os últimos reajustes salariais dos trabalhadores

21 de junho de 2016

A direção da Embrapa e o governo federal não estão reconhecendo os serviços prestados pelos mais de 9 mil trabalhadores em todo o país e estão intransigentes quanto ao atendimento das principais reivindicações.

A categoria quer negociar um acordo coletivo que proporcione ganhos reais e avanços nas cláusulas sociais. Após várias rodadas de negociação com o SINPAF, a Embrapa não apresentou contrapropostas que satisfaçam os trabalhadores e, pior ainda, tenta ludibriar a categoria com informações financeiras equivocadas.

Trabalhador, entenda ponto a ponto as informações divulgadas no vídeo da Embrapa, no dia 17 de junho:

  • As cláusulas sociais não foram discutidas à exaustão. A Embrapa se recusa a debater temas muito importantes como, por exemplo, Registro de Frequência, Licença Paternidade, além de outros;

 

  • Cláusulas que foram discutidas, mas que não houve consenso entre as partes, a empresa colocou a redação de sua conveniência e mentiu para todos os trabalhadores afirmando que o PACOTAÇO SERIA ACT REVISANDO. Isso não é verdade;

 

  • Não houve reajustes significativos de ganhos reais nos últimos 12 anos. E, a partir de 2010, os trabalhadores receberam basicamente a inflação do período (IPCA). Confira:

Ano

IPCA*

Reajuste

Ganho Real

OBS

2005

8,07%

8,50%

0,43%

 

2006

4,63%

5%

0,37%

 

2007

3,00%

4,55%

1,55%

 

2008

5,04%

7,50%

2,46%

 

2009

5,53%

6%

0,47%

 

2010

5,26%

5,26%

0,00%

 

2011

6,51%

6,51%

0,00%

 

2012

5,10%

5,10%

0,00%

 

2013

6,49%

7%

0,51%

Dissídio

2014

6,52%

7,05%

0,53%

Dissídio

2015

8,17%

8,17%

0,00%

 

2016

9,28%

8,28%

-1,00%

 

 

*Fonte do IPCA: IBGE

Atenção: Em 2004, o IPCA do período ficou em 5,26%. Porém, por decisão do TST, a Embrapa reajustou o salário de seus empregados, de forma escalonada, entre 7% e 10%, com sete diferentes índices (conforme as diversas funções técnicas dos empregados). Isso porque a corte considerou que os resíduos inflacionários acumulados desde 1998 submeteram os empregados da Embrapa a uma grave perda de poder aquisitivo. O reajuste de 2004 contemplou a reparação de graves perdas salariais desde 1998. Ou seja, o índice de 2004 foi uma reposição dos seis anos anteriores. 

 

  • Os entrevistados no vídeo falam sobre melhorias nas cláusulas sociais. Mas se o PACOTAÇO é supostamente ACT revisando, quais são as melhorias? A Embrapa pode pontuar?

 

  • A própria Embrapa reconhece que pontos do ACT precisam ser discutidos, porém administrativamente. Ou seja, a empresa propõe alterar o ACT internamente, sem a participação do SINPAF. Atos administrativos não garantem benefícios coletivos e muito menos que os benefícios sejam cumpridos;

 

  • A Progressão anual do Plano de Carreira não faz parte da negociação do ACT. Já existe verba específica para este fim e não contempla todos os empregados;

 

  • No vídeo, a Embrapa também apresenta que o orçamento para 2016 será de R$236 milhões, que serão destinados para despesas das Unidades. O SINPAF entende que a redução do orçamento para custeio de infraestrutura é porque a empresa não está buscando recursos no governo federal e muito menos fazendo realocação de verbas que não serão mais utilizadas em outros setores.

 

  • Por causa da inércia da diretoria da Embrapa, a empresa chegou a um ponto que precisa deslocar cerca de 40% da verba de pesquisa para o orçamento das Unidades. E, segundo relatos dos pesquisadores, o efeito dessa medida é a precarização dos projetos de pesquisa.

 

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