UEP Parnaíba

O plano de reestruturação da Gestão Moretti prevê o desmonte de várias unidades da Embrapa, estando mais para desestruturação e sucateamento do que qualquer outra coisa. O que está acontecendo com a Unidade de Execução de Pesquisa (UEP), em Parnaíba, é só o início do que está por vir.

“A UEP de Parnaíba é a primeira do Brasil no processo de “reestruturação”. Esta afirmação foi feita pela assessora jurídica da Embrapa, em reunião com Ministério Público do Trabalho de Teresina, dia 30 de março, em razão das transferências compulsórias que estavam acontecendo na UEP. 

Conforme a ata da reunião, que o SINPAF teve acesso, a advogada da Embrapa revelou que a reestruturação da empresa é um movimento nacional e o corte de orçamento inviabiliza a manutenção de algumas unidades.

Segundo a representante da empresa, a “reestruturação” já teria começado em 2020. A Gestão Moretti já estaria realizando estudos acerca dos imóveis que, segundo ela, não estão sendo utilizados. E a "reestruturação" estaria sendo baseada em um estudo "do ponto de vista empresarial". Tudo isso está descrito no documento. 

Para o presidente nacional do SINPAF, Marcus Vinicius Vidal, o governo federal já vem colocando em prática sua política de desestatização e desinvestimento nas empresas públicas brasileiras. E, no caso da Embrapa, o processo de desestruturação está sendo implementado pela Gestão Moretti, que está dando inúmeras demonstrações de apreço pela política vigente.

“Já estamos sofrendo redução no orçamento, no quadro de trabalhadores e trabalhadoras e, consequentemente, redução nas atividades de pesquisa. Esse é um projeto articulado de desmonte, que propõe vender ativos da empresa, aumentando a dependência de financiamento privado, delimitando quais projetos de pesquisa terão recursos para subsistir e restringindo a função social da Embrapa”, disse o presidente do SINPAF.

Vidal ressaltou que umas das bandeiras de luta do SINPAF é por uma Embrapa pública, democrática e inclusiva e que o sindicato não medirá esforços em defesa de uma empresa que continue pública e que respeite e valorize seus trabalhadores e suas trabalhadoras.

Durante uma videoconfência realizada em 16 de outubro, o chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, Luiz Fernando Carvalho Leite, anunciou a transferência de 55% dos empregados lotados na Unidade de Execução de Pesquisa (UEP) de Parnaíba-PI para Teresina-PI, cerca de 350 km de distância. Ou seja, a unidade ficará apenas com 27 trabalhadores dos 59 que possui atualmente, de acordo com informações da Seção Sindical Parnaíba.

Conforme a declaração do chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, Luiz Fernando Carvalho Leite, durante a conferência, as mudanças propostas para a UEP Parnaíba têm o aval do presidente da Embrapa. O chefe-geral informou ainda que, até fevereiro de 2021, emitirá carta para aqueles que serão transferidos.

O desmonte da UEP é um processo que tem sido denunciado pelo SINPAF desde 2018, quando houve a tentativa de demissão de empregados. De lá para cá, o chefe-geral da unidade também já tentou transferir equipamentos de pesquisa para uma organização social e fechar laboratório, entre outras decisões voltadas à desmobilização da unidade, camuflada sob a justificativa de “revitalização”.

Para impedir o avanço desse desmonte, em fevereiro deste ano, a Diretoria Nacional do SINPAF solicitou à presidência da Embrapa que fosse formada uma comissão para desenvolver e apresentar um plano de readequação da unidade. O grupo foi composto por cinco membros: Chefia-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), Chefia-adjunta de Transferência de Tecnologia (TT), Coordenador Técnico da UEP, um pesquisador lotado em Teresina, com pleno conhecimento sobre a Embrapa Meio-Norte, e um pesquisador que está há 30 anos lotado na unidade de Parnaíba.

DEMANDAS DA UEP– Com base na atual programação de pesquisa e nas demandas para a região de abrangência da UEP, prospectadas junto à cadeia produtiva da fruticultura e da bovinocultura de leite, a comissão apresentou um conjunto de ativos tecnológicos passíveis de adoção até 2023, bem como uma agenda de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) a ser executada pela UEP para o período 2024-2025.  

“Essa agenda foi construída a partir das demandas e gargalos do setor produtivo. No entanto, os projetos para atender tal agenda necessitam de recursos nas diversas fontes”, ressaltou o pesquisador Braz Rodrigues, integrante da comissão.

Com isso, ainda de acordo com o pesquisador, para cumprir essa agenda, será necessário um contingente significativo de pessoal para suporte às ações de pesquisa, principalmente no campo e laboratório. "Com a determinação de redução em 55% do quadro atual de empregados, algumas áreas poderão ficar sacrificadas. O que esperamos é que a gestão da unidade reconheça essa necessidade', declarou Braz Rodrigues.

O pesquisador Francisco Seixas, da UEP Parnaíba, espera que haja uma maior discussão e transparência quanto à proposta de reorganização da unidade. Para ele, é importante que o setor produtivo, os poderes públicos estadual e municipal, os pesquisadores, o pessoal de apoio e o SINPAF sejam envolvidos.

“A reestruturação da UEP deve ser consequência de uma ação transparente e fruto da participação de diferentes segmentos da sociedade, pois é essa sociedade que é impactada pela dinâmica do agronegócio da região ou pelas ações da Embrapa”, afirmou Francisco Seixas.

Apesar de serem solicitados para auxiliar na construção do documento, os pesquisadores da UEP não tiveram oportunidade de participar da discussão sobre a estrutura de pessoal necessária à realização dos trabalhos e tampouco tiveram acesso ao resultado final dos trabalhos, que foi encaminhado pelo chefe-geral Embrapa Meio-Norte à Diretoria Executiva da Embrapa.

SITUAÇÃO DOS TRABALHADORES - De acordo com o presidente da Seção Sindical Parnaíba, Raimundo Nonato Júnior, a maioria dos trabalhadores lotados na UEP possui idade acima de 55 anos e têm cargo de assistente – a unidade conta com cerca de 8 pesquisadores, 6 analistas, 40 assistentes e 5 técnicos, em sua grande maioria com mais de 30 anos dedicados à UEP Parnaíba.

Além de não existir motivo para a transferência de pessoal, visto que os investimentos da Embrapa em tecnologia (ERP) permitem inúmeras possibilidades da realização de trabalhos em nível remoto, na realidade a UEP Parnaíba precisa mesmo é de mais apoio para funcionar adequadamente, inclusive com aumento do quadro, segundo relatado pelos trabalhadores que ficarão responsáveis por atender a agenda de pesquisa.  

“Grande parte do pessoal está ficando doente com a ameaça de transferência para longe de suas casas. Diferentemente da postura de respeito com os trabalhadores, adotada pela Embrapa ao longo de seus 48 anos, o chefe da Embrapa Meio-Norte segue na contramão dessa trajetória, optando pela ruptura do diálogo e, consequentemente, não deixando outra alternativa para nós que não seja a via judicial. Isso lamentavelmente trouxe e deverá trazer ainda mais prejuízos tanto para os trabalhadores como para a Empresa”, disse o presidente da Seção Sindical Parnaíba.

Raimundo Nonato Júnior informou, ainda, que encaminhou uma carta ao chefe da Embrapa Meio-Norte, na qual relata a situação e solicita um canal de diálogo “para que a área técnica da Embrapa Meio-Norte, representação dos empregados e a sociedade possam discutir de forma equilibrada, ética e democrática os rumos das atividades da Embrapa em Parnaíba.”

“As intenções do chefe-geral, que pretende destruir ao invés de revitalizar a estrutura atual da Unidade de Parnaíba, não condizem com o discurso de fortalecimento que está usando e, consequentemente, não têm o nosso apoio,” diz a carta enviada ao gestor da Embrapa.

Para Marcus Vinícius Sidoruk Vidal, presidente do SINPAF, “a Seção Sindical sempre teve e terá nosso apoio nessa luta. Vamos intensificar as ações, inclusive no plano político, para defender a manutenção da UEP e a permanência dos trabalhadores”.

 

A Unidade de Execução de Pesquisa (UEP) de Parnaíba-PI caminha para a extinção por causa das intransigências do chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, que descumpre as orientações do presidente da empresa.

Em mais uma tentativa de diálogo com a Embrapa, para interromper o processo de desmonte da Unidade de Execução de Pesquisa (UEP) Parnaíba, no Piauí, diretores do SINPAF reuniram-se, virtualmente, com o Diretor Executivo de Gestão Institucional, Tiago Toledo Ferreira, nesta quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021.
 
O diretor da empresa, por sua vez, não apresentou justificativas técnicas para o esvaziamento da unidade e reafirmou que a Diretoria Executiva da Embrapa irá continuar com o processo de transferência de 26 trabalhadoras e trabalhadores da UEP Parnaíba para a Embrapa Meio-Norte, em Teresina-PI.
 
Pesquisadores locais, inclusive, já formalizaram via SEI a inviabilidade de continuação dos projetos de pesquisa em andamento, caso as transferências sejam concretizadas. Ou seja: a UEP Parnaíba vai parar!  
 
No discurso do gestor, o processo implantado visa fortalecer a unidade. Por essa lógica, desmontar e inviabilizar a UEP tornaria suas ações e pesquisas mais fortes e mais presentes. Um verdadeiro sofisma, um argumento equivocado!!!
 
Para fortalecer a Unidade de Execução de Pesquisa não cabe promover transferência de pessoal, esvaziamento, corte de pesquisas, fechamento de laboratórios. Ou seja, não cabe o que está se tentando fazer hoje com essa unidade.
 
A quem a Embrapa busca convencer com esse discurso contraditório? Não há outra palavra para o que está acontecendo na UEP senão o DESMONTE, sim!
 
Com a esperança de encaminhar uma solução realista e amparada em bases democráticas, o SINPAF encaminhou mais uma carta para Diretoria Executiva da Embrapa, em que solicita atitudes da empresa para a resolução do impasse:
 
1- Suspensão imediata das transferências de pessoal da unidade;
 
2- Acesso ao estudo técnico (que a empresa diz ter realizado para executar o que chama de "reestruturação" da unidade); e
 
3- A formação de uma Comissão composta pelo Sindicato, representantes da empresa, de trabalhadoras e trabalhadores, produtores locais, parlamentares e da sociedade civil organizada.
 
Além dessas propostas, o SINPAF aguarda também por respostas plausíveis e coerentes:
 
Onde estão os estudos técnicos que amparam as justificativas de DESMONTE DA UEP PARNAÍBA?
 
Por que a falta de diálogo da Chefia da Embrapa Meio-Norte com o sindicato?
 
Por que inviabilizar projetos de pesquisa já em andamento que beneficiam a comunidade local?
 
Por que os produtores locais e a sociedade não foram ouvidos pela Diretoria da Embrapa?
 
A Diretoria Nacional do SINPAF e a diretoria da Seção Sindical Parnaíba continuam na defesa das trabalhadoras e dos trabalhadores e, além disso, na luta pela manutenção das pesquisas que são fundamentais para o desenvolvimento e progresso da comunidade local.
 
 
Leia abaixo as últimas notícias sobre o Desmonte da UEP Parnaíba e entenda melhor todo o processo que se arrasta desde 2019:

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