Desmonte UEP Parnaíba

O movimento contra o desmonte da Embrapa em Parnaíba cresceu e ganhou as ruas. Hoje tornou-se uma luta da sociedade e do parlamento da cidade, que não aceita o esvaziamento e muito menos o fechamento da unidade.

O momento é histórico, conforme disse o presidente da Câmara Municipal de Parnaíba, vereador Carlson Pessoa, durante audiência online que tratou sobre o ‘Desmonte da Unidade de Execução de Pesquisa (UEP) da Embrapa em Parnaíba-PI’, realizada na noite de ontem, 24 de março.

A manifestação do presidente da casa legislativa foi motivada pela participação da deputada federal Rejane Dias (PT/PI) e dos deputados federais Júlio César de Carvalho Lima (PSD-PI), Átila Lira (PP-PI) e Capitão Fábio Abreu (PTB-PI), além dos 17 vereadores locais, dos dirigentes sindicais do SINPAF, de produtores regionais e, desta vez, de representantes da gestão da Embrapa Meio-Norte. “Pela primeira vez contamos com a presença de quatro parlamentares federais em uma audiência pública, devido a tão importante causa”, afirmou Carlson Pessoa.

A audiência iniciou com fala do representante da gestão da Embrapa Meio-Norte, Luiz Fernando Leite, que insistiu em dizer que não há desmonte da UEP Parnaíba, mesmo em meio às 26 transferências de trabalhadores (55% do quadro de pessoal) do local para Teresina-PI (há 340 km), transferência de equipamentos e fechamentos de laboratórios.

O gestor da Meio-Norte explicou, como se a informação fosse satisfatória, que a UEP recebe um custeio de R$ 2 milhões por ano e que ficariam 4 pesquisadores na unidade para suprir as demandas das cadeias produtivas de fruticultura e de bovinocultura leiteira, das quais Parnaíba possui a maior bacia da região Meio-Norte, conforme ressaltaram os produtores, parlamentares e presentes, ao longo da audiência. O chefe da unidade afirmou, mais uma vez, que as transferências e o plano de ‘reestruturação’ da unidade estão sendo implementados com o aval da diretoria executiva da Embrapa e, mais especificamente, do presidente Celso Moretti.

Parabenizado pelos vereadores e deputados por promover a luta contra o desmonte da UEP Parnaíba, o presidente da Seção Sindical do SINPAF em Parnaíba, Raimundo Nonato Júnior, rebateu o gestor da Meio-Norte que se recusa a ouvir a comunidade local e a representação sindical. “Estamos aqui para mostrar à sociedade o que está acontecendo na UEP Parnaíba, pois sempre estivemos abertos ao diálogo”, afirmou Júnior.

O presidente nacional do SINPAF, Marcus Vinicius Sidoruk Vidal, reforçou a defesa da pesquisa agropecuária e da Embrapa públicas e afirmou que não é possível falar sobre crescimento da UEP tirando recursos humanos, equipamentos e laboratórios. E fez um apelo para que a gestão da Embrapa ouça os trabalhadores, os produtores locais, os vereadores e deputados federais, e que atenda o clamor da sociedade, revendo sua posição e fortalecendo a UEP Parnaíba. “Vamos continuar lutando contra o desmonte e por uma UEP Parnaíba forte e atuante, que continue dando resultados à sociedade e contribuindo para o desenvolvimento da região”, concluiu Marcus Vinícius.

Assista à audiência completa pelo Facebook da Câmara de Parnaíba: https://www.facebook.com/cmparnaibaoficial/videos/483497449643833

No início deste mês, a Diretoria Nacional do SINPAF e as Seções Sindicais Parnaíba e Teresina realizaram uma consulta à categoria com o objetivo de analisar como os trabalhadoras e trabalhadores da Embrapa Meio-Norte avaliavam a gestão anterior da unidade e as impressões sobre os candidatos que participavam do processo para chefia local.
 
Os resultados apontaram que a maioria dos trabalhadores/as desaprovava a chefia-geral que estava encerrando o mandato (72,61% acharam ruim ou péssimo) e que o analista Anísio Ferreira Lima Neto, com mais de 58% dos votos dos empregados/as, seria o candidato com mais condições de conduzir a unidade Meio-Norte na próxima gestão.

Na última sexta-feira (20/8), a diretoria-executiva da Embrapa encaminhou um memorando à Meio-Norte comunicando que o colegiado da empresa escolheu o concorrente mais votado pelos trabalhadores e trabalhadoras para ser o novo gestor da unidade, conforme resultado da enquete do Sindicato.

O presidente da Seção Sindical Parnaíba, Silvestre Moreira, considera que a consulta feita do Sindicato teve influência na escolha do novo gestor e parabeniza a categoria pela ampla participação na votação. “Foi imprescindível a atuação dos trabalhadores e trabalhadoras nesse processo de escolha. A nossa voz foi ouvida”, enfatizou Silvestre.
 
“Desde quando entrei na Embrapa sempre achei uma empresa antidemocrática. O SINPAF teve uma iniciativa extremamente essencial para dar voz aos trabalhadores/as sobre a avaliação da gestão passada e sobre o chefe-geral. Esperemos que o novo gestor perceba que sua escolha coincidiu com a vontade dos empregados/as e que ele tenha posturas também democráticas”, ressaltou Jose Afonso Lima de Abreu, vice-presidente da Seção Sindical Teresina.
 
Para o presidente nacional do SINPAF, Marcus Vinicius Vidal, a Embrapa tem um histórico de centralização das decisões, o que produz impactos negativos para os trabalhadores e trabalhadoras.

“O Sindicato ocupou o espaço deixado pela empresa e teve a iniciativa de fazer essa consulta. A seleção do novo gestor coincidiu com a  escolha dos empregados/as, mostrando caminhos para a construção de uma Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva. A democracia participativa é um meio de fortalecimento das decisões e dos rumos que uma empresa verdadeiramente pública deve trazer na sua cultura interna”, salientou o presidente nacional do SINPAF.
 
Leia também:
 
- SINPAF faz enquete sobre gestão da Embrapa Meio-Norte
 
- Resultado da enquete na Embrapa Meio-Norte confirma que escolha da chefia-geral deve ser democrática e participativa
 

Na quarta-feira, 5 de maio, foi realizada uma reunião por videoconferência, solicitada pelo deputado federal Átila Lira, com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o presidente da Embrapa, Celso Moretti, o presidente da Câmara Municipal de Parnaíba, Carlson Pessoa, e parlamentares do Piauí. O coordenador da UEP Parnaíba, que é sediado em Teresina e de lá coordena a UEP, também participou da reunião.

Com a pauta de “Reorganização da Agenda de Pesquisa, Desenvolvimento e Fortalecimento da UEP Parnaíba”, a ministra reproduziu os discursos da chefia da Meio-Norte e da presidência da empresa de que não existe intenção de fechar a unidade, mas buscar eficiência do órgão. Também informou que as remoções de trabalhadoras e trabalhadores ocorrem em todo o País para equilibrar os quadros da Embrapa.

Na verdade, o que acontece na UEP Parnaíba, como já denunciado pelo SINPAF, é apenas o início para o desmonte de boa parte da estrutura da Embrapa, processo desenvolvido pela gestão Moretti, desde 2020, sob a marca da “reestruturação”, que está alinhado ao projeto ultra neoliberal do Governo Federal.

“A redução do orçamento e do quadro de trabalhadoras e trabalhadores e, com isso, a limitação da atividade-fim da Embrapa que é a pesquisa, não caracteriza nada além do que o sucateamento da empresa. Podemos dizer que a Embrapa em Parnaíba é o ensaio para o desmonte de outras unidades, a fim de enfraquecer a empresa e promover a sua precarização. Mas o SINPAF organizará a resistência e vamos continuar lutando contra gestões e governos que atentem contra a sobrevivência da empresa”, afirmou o presidente do SINPAF, Marcus Vinícius Sidoruk Vidal.

Apesar dos parlamentares presentes na reunião reforçarem que as mudanças que estão ocorrendo na UEP Parnaíba trarão prejuízos para região, que possui potencial produtivo e econômico, a ministra e os gestores da empresa não explicaram quais são os planos e como irão fortalecer a Unidade em Parnaíba.

Entretanto, ao final da reunião, a ministra da agricultura afirmou que irá analisar os questionamentos dos parlamentares representantes do Piauí e que dará uma resposta o mais rápido possível.

Para o presidente da Seção Sindical do SINPAF em Parnaíba, Raimundo Nonato Júnior, já é um caminho a ministra expressar cuidado com os trabalhadores e trabalhadoras, porém o problema do desmonte da UEP Parnaíba vai muito além das transferências. “As transferências de pessoal e o fechamento de laboratórios vão trazer prejuízo para toda a cadeia produtiva da fruticultura e bovinocultura leiteira da região. Todos aqui aguardavam uma posição mais definida da ministra no sentido de uma real revitalização da Embrapa na região. A sociedade precisa e deve participar do processo de revitalização da UEP Parnaíba”, explicou Júnior.

O presidente da Seção Sindical reforçou que a luta democrática contra o desmonte da Embrapa de Parnaíba continuará ainda mais forte. “As trabalhadoras e os trabalhadores Embrapianos, que se dedicaram ao longo de mais de trinta anos na construção e consolidação da empresa na região não ficarão de braços cruzados diante desta ameaça de desmonte. Estamos sendo apoiados pela sociedade civil, produtores, empresários e parlamentares”, concluiu Júnior.

TROCA DE GESTÃO

Após iniciar o desmonte da Unidade de Execução de Pesquisa (UEP) em Parnaíba, o chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, recebeu um cargo no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília-DF. O anúncio de sua saída para assumir a nova função foi feito em 22 de abril, por videoconferência.

O agora ex-chefe também deu a notícia de que o chefe-administrativo da Meio-Norte assume como novo chefe-geral interino, até que a Embrapa desencadeie o processo de mudança para uma nova gestão.

A situação se torna inusitada, pois a tentativa de desmonte da UEP continua sendo gerida por uma gestão provisória, em final de mandato, cujo único objetivo é implementar o desmonte da Unidade, em sintonia com as diretrizes autoritárias da gestão Moretti.

Dizer que não vai se fechar a UEP não basta para parar o desmonte. A decisão da gestão Moretti está na contramão do que os produtores, parceiros, parlamentares e a sociedade de Parnaíba querem e necessitam.

O SINPAF continuará na luta pela manutenção e ampliação da UEP Parnaíba.

Por uma Embrapa pública, democrática e inclusiva!!!

Os resultados da enquete online sobre a gestão da chefia-geral da Embrapa Meio-Norte, promovida pela Diretoria Nacional do SINPAF e as Seções Sindicais Parnaíba e Teresina, que finalizou ontem (3/8), após prorrogação, mostrou que maioria dos trabalhadores e das trabalhadoras da Embrapa Meio-Norte desaprovam a chefia-geral que está encerrando o mandato (72,61% acham ruim ou péssimo).

Se o processo de escolha do chefe-geral da Embrapa Meio-Norte ocorresse de forma democrática e participativa, hoje, o selecionado seria o analista Anísio Ferreira Lima Neto (58,90%), que foi apontado como o candidato que tem mais condições em conduzir a Embrapa Meio-Norte na próxima gestão. Em segundo lugar ficaria o pesquisador Kaesel Jackson Damasceno e Silva (25,34%).

O atual chefe-geral, que deu continuidade à gestão que está há 7 anos à frente da unidade, o pesquisador José Oscar Lustosa de Oliveira Junior, ficou em último lugar entre os candidatos, com 15,75%. 

A Embrapa divulgou que as entrevistas com os candidatos serão realizadas até o dia 19 de agosto e a escolha do novo gestor da unidade acontecerá até o dia 24, com nomeação em 27 de agosto. Porém, com o reforço do resultado da enquete, o SINPAF defende que o processo de seleção do chefe-geral da Meio-Norte seja democrático, de forma que atenda às necessidades e objetivos da empresa, mas que também esteja em sintonia com as perspectivas laborais e profissionais de todos/as os/as trabalhadores/as da unidade.

De acordo com o presidente da Seção Sindical Teresina, Maurício Castelo Branco Santana, a definição do chefe-geral da Unidade Meio-Norte reflete em todo o ambiente laboral. “Por isso é imprescindível a participação dos trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa no processo de escolha dos seus gestores, a exemplo de outras empresas públicas”, informou Maurício.

Para o presidente da Seção Sindical Parnaíba, Silvestre Moreira, a resposta dos trabalhadores através da enquete demonstra a insatisfação generalizada e o clima tóxico deixado pela recente chefia. “A escolha do novo chefe-geral pode ser um divisor de águas entre a continuação do desmonte ou a revitalização real da unidade em Parnaíba. O que nós, trabalhadores e trabalhadoras queremos é que o próximo chefe seja uma pessoa que reconheça a necessidade da Embrapa em Parnaíba, assim como valorize o trabalho de quem está aqui no desenvolvimento da região”, explicou Silvestre.

E o presidente nacional do SINPAF, Marcus Vinícius Sidoruk Vidal, afirma que o resultado da enquete mostra a necessidade de que a escolha do chefe-geral da Embrapa Meio-Norte tenha a participação de todos/as os/as trabalhadores/as da unidade. “O SINPAF defende uma Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva. Mas para que isso aconteça, é preciso que a gestão da empresa ouça os trabalhadores/as e que esses participem ativamente dos processos de escolha das chefias, para que a empresa não seja aparelhada por um mesmo grupo político. A Embrapa é muito maior do que uma gestão ou um governo, e merece respeito”, disse Marcus Vinícius.

TODOS OS RESULTADOS

A consulta foi realizada por meio do sistema Vota Bem, com questionário virtual enviado aos e-mails corporativos de todos/as os/as trabalhadores/as da Unidade Meio-Norte, e teve 60,33% de adesão, ou seja, 146 votantes num universo de 242.

Em mais uma tentativa de diálogo com a Embrapa, para interromper o processo de desmonte da Unidade de Execução de Pesquisa (UEP) Parnaíba, no Piauí, diretores do SINPAF reuniram-se, virtualmente, com o Diretor Executivo de Gestão Institucional, Tiago Toledo Ferreira, nesta quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021.
 
O diretor da empresa, por sua vez, não apresentou justificativas técnicas para o esvaziamento da unidade e reafirmou que a Diretoria Executiva da Embrapa irá continuar com o processo de transferência de 26 trabalhadoras e trabalhadores da UEP Parnaíba para a Embrapa Meio-Norte, em Teresina-PI.
 
Pesquisadores locais, inclusive, já formalizaram via SEI a inviabilidade de continuação dos projetos de pesquisa em andamento, caso as transferências sejam concretizadas. Ou seja: a UEP Parnaíba vai parar!  
 
No discurso do gestor, o processo implantado visa fortalecer a unidade. Por essa lógica, desmontar e inviabilizar a UEP tornaria suas ações e pesquisas mais fortes e mais presentes. Um verdadeiro sofisma, um argumento equivocado!!!
 
Para fortalecer a Unidade de Execução de Pesquisa não cabe promover transferência de pessoal, esvaziamento, corte de pesquisas, fechamento de laboratórios. Ou seja, não cabe o que está se tentando fazer hoje com essa unidade.
 
A quem a Embrapa busca convencer com esse discurso contraditório? Não há outra palavra para o que está acontecendo na UEP senão o DESMONTE, sim!
 
Com a esperança de encaminhar uma solução realista e amparada em bases democráticas, o SINPAF encaminhou mais uma carta para Diretoria Executiva da Embrapa, em que solicita atitudes da empresa para a resolução do impasse:
 
1- Suspensão imediata das transferências de pessoal da unidade;
 
2- Acesso ao estudo técnico (que a empresa diz ter realizado para executar o que chama de "reestruturação" da unidade); e
 
3- A formação de uma Comissão composta pelo Sindicato, representantes da empresa, de trabalhadoras e trabalhadores, produtores locais, parlamentares e da sociedade civil organizada.
 
Além dessas propostas, o SINPAF aguarda também por respostas plausíveis e coerentes:
 
Onde estão os estudos técnicos que amparam as justificativas de DESMONTE DA UEP PARNAÍBA?
 
Por que a falta de diálogo da Chefia da Embrapa Meio-Norte com o sindicato?
 
Por que inviabilizar projetos de pesquisa já em andamento que beneficiam a comunidade local?
 
Por que os produtores locais e a sociedade não foram ouvidos pela Diretoria da Embrapa?
 
A Diretoria Nacional do SINPAF e a diretoria da Seção Sindical Parnaíba continuam na defesa das trabalhadoras e dos trabalhadores e, além disso, na luta pela manutenção das pesquisas que são fundamentais para o desenvolvimento e progresso da comunidade local.
 
 
Leia abaixo as últimas notícias sobre o Desmonte da UEP Parnaíba e entenda melhor todo o processo que se arrasta desde 2019:

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