Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Luta Sindical em ano eleitoral é destaque no primeiro dia da 21ª Plenária Nacional do SINPAF

3 de junho de 2022

Após a composição da mesa e aprovação da pauta e do regimento interno, a 21ª Plenária Nacional do SINPAF, que iniciou nesta sexta-feira (3), tratou sobre diversos assuntos pertinentes, não só sobre a categoria, mas que afetam a sociedade brasileira e à classe trabalhadora.  Entre os debates estiveram assuntos como assédio moral e adoecimento no pós-pandemia, política de privatização e desestatização do governo e mulher no mundo do trabalho.

Mas o assunto que ganhou destaque no dia foi a conjuntura política e econômica, com apresentações do presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, e do coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, que nortearam as discussões, principalmente, devido às eleições do Brasil, que serão realizadas neste ano.

De acordo com Sérgio Nobre, vai ser preciso fortalecer o movimento sindical, já que, em 2016, a reforma trabalhista bagunçou a estrutura e fragilizou a lei trabalhista. “No Brasil, o setor patronal tem pensamento escravagista, vai ser difícil debater com ele. Precisamos sair dessa campanha eleitoral muito mais organizado do que estamos entramos nela,” disse o sindicalista.

Em sua apresentação, que teve foco nas perdas econômicas para o povo brasileiro e para as negociações coletivas, José Silvestre disse que as eleições serão definidoras para os rumos do País. Para ele, a “causa do aumento na inflação, no último ano e meio, tem a ver com gestão do governo e não somente com causas de ordem externa.” “A bancada federal (Câmara e Senado) precisa vir com outro perfil, melhor do que tem hoje, que dialogue mais com os trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou José Silvestre.

ASSÉDIO MORAL

A doutora em Psicologia, Fernanda Sousa Duarte, apresentou um estudo sobre o adoecimento dos bancários, que apontou que “metas, sobrecarga de trabalho e os estilos de gestão são marcados por abusos e desrespeitos por parte da chefia.” Ela destacou a importância do Sindicato no apoio aos trabalhadores e trabalhadoras vítimas dessa prática. “Essa não pode ser uma luta só do trabalhador, no consultório médico ou na justiça,” disse.

De acordo com o presidente da Comissão Permanente de Prevenção e Combate ao Assédio Moral da Embrapa (CPPCAM), Waltterlenne Englen, em pleno século 21, a prática continua sendo realizada na Embrapa. “O assédio ramifica, gera filhotes. Só muda a unidade e a cultura de pesquisa, mas o problema é o mesmo, ne Norte a Sul”, afirmou.

A hora do debate tornou-se um momento emocionante e de revolta, no qual diversas denúncias e experiências pessoais ou de companheiros/as de trabalho foram relatadas, reforçando as constantes denúncias do Sindicato ao problema, que precisa ser tratado com seriedade pela Embrapa.

PRIVATIZAÇÕES

Luiz Alberto Santos do Comitê Nacional de Defesa das Empresas Públicas apresentou diversas iniciativas do governo e da justiça que permitiram o que chamou de “desestatização branca”, pois possibilitam venda de subsidiárias, como da Petrobrás e Eletrobrás, sem aprovação prévia do Congresso Nacional.

O especialista informou que em diversos países que possuíam empresas privatizadas, já estão reestatização as instituições, pois não atendeu aos interesses da população. Para ele, é preciso conscientizar a sociedade sobre o papel das empresas públicas e o que pode acontecer se esse processo tiver continuidade. “E no caso da categoria do SNPAF, que tem Embrapa e a Codevasf, por exemplo, que são fundamentais para o desenvolvimento regional e segurança alimentar, é ainda mais crítico,” explicou.

O representante do Comitê pelas Empresas Públicas convidou a categoria do SINPAF para participar do ato contra as privatizações, que será realizado na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, no dia 13 de junho, às 10h30, quando também ocorrerá o lançamento do livro O Futuro é Público, que conta diversas experiências de reestatização de empresas no mundo.

MULHERES NAS LIDERANÇAS

Michela Calaça, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), reforçou a importância das Eleições 2022 dizendo que é preciso que o movimento sindical pense um projeto de país onde caibam as mulheres, negros e negras, indígenas, quilombolas.

“E é fundamental que a gente pense nisso como parte da estruturação da empresa pública que a gente quer, a serviço do país, da soberania nacional, com o povo comendo todo dia, com salário e direito, para que consigamos de fato construir uma empresa e um modelo de desenvolvimento que caibam todos os brasileiros e brasileiras,” afirmou Michela.

Para Elbia Almeida, do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), nas eleições deste ano, em outubro é preciso eleger homens, mulheres, indígenas, negros e negras.

“Por que não basta ser mulher, tem que ser mulher que represente a classe trabalhadora, nossos direitos e nossos interesses como classe trabalhadora e que possa ir para o parlamento defender a não privatização, a influência do Estado na vida da população, como esse Estado vai atuar na vida da população, de forma a garantir espaço na rua, no ambiente social, fora nas paredes de casa,” concluiu Elbia.

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