Para finalizar as atividades da manhã desta quarta-feira (9/5), a 22ª Plenária Regional Centro-Oeste debateu formas de inserção das mulheres na política e no movimento sindical.

A mesa foi composta pela fundadora do Movimento Popular de Mulheres em Mato Grosso do Sul e especialista no estudo de violência contra mulher, Aparecida Gonçalves, e pela vice-presidente da Seção Sindical Campo Grande, Alessandra Nicácio, com mediação do diretor Regional Centro-Oeste, Manoel Pessoa Filho.

Apresentando dados sobre diferenças entre homens e mulheres em relação ao tempo de trabalho, desigualdade entre gêneros, mulheres em papel de chefes de família, misoginia, violência doméstica, estupro e feminicídio, Aparecida Gonçalves chamou a atenção do plenário para razões da ainda pequena participação das mulheres nos ambientes político e sindical.

“Nossa participação na política é ínfima. Hoje as mulheres têm 14% de exercício nos espaços de poder: temos uma governadora, 14% de vereadoras, 11% de deputadas estaduais, 9,94% de deputadas federais e 14% de senadoras. Sem dúvida, esses números são a expressão das relações de poder estabelecidas em nossa sociedade”, disse Aparecida.

E completou: “A gente precisa refletir porque as mulheres são minoria nos cargos de direção, ocupando lugar de secretaria ou de organização, sem visibilidade efetiva”, recomendou a militante feminista.

Alessandra Nicácio, vice-presidente da Seção Sindical Campo Grande, apresentou sua recente inserção no mundo sindical, quando lutou junto com outras mulheres da Embrapa Gado de Corte pela flexibilização dos 15 minutos de descanso exigidos às mulheres antes do início de atividades em horas extraordinárias.

De acordo com a sindicalista, após sua participação efetiva na mobilização contra os 15 minutos, o convite para participar de eleição do SINPAF como diretora da Seção Sindical local trouxe a oportunidade de seguir sua intenção de continuar promovendo mudanças para as trabalhadoras e trabalhadores da empresa.

“Precisamos que os homens sindicalistas contribuam de forma a convocar e manter um ambiente em que a mulher possa participar realmente dos movimentos pró-trabalhadores”, disse a vice-presidente.