A 24ª Plenária Regional Norte do SINPAF encerrou, nesta terça-feira (3/4), com um debate sobre fatores de exclusão e possibilidades de inserção da mulher no movimento sindical.

A mesa foi composta por quatro mulheres engajadas na luta por direitos equânimes que vão além de diferenças de sexo e gênero, considerando também etnia e aspectos sócio-econômicos: a diretora Administrativa e Financeira da Seção Sindical Amapá, Izete Barbosa, a secretária de Mulheres da CUT-PA, a bancária Tatiana Oliveira, e a jornalista e documentarista, Úrsula Vidal.

EMBRAPA - Izete Barbosa fez um breve histórico sobre a origem do movimento sindical e a atuação das empregadas da Embrapa no sindicato. De acordo com ela, a participação feminina na luta por melhoria de condições de trabalho data do final do século 19, antes mesmo da Revolução Industrial, quando a mulher foi inserida no mercado de forma precária e subalterna, em atividades menos valorizadas e remuneradas em comparação com os homens.

“É necessário definir orientações do Sindicato e da CUT para garantir às mulheres a participação em todas as instâncias de deliberação, assim como manter conquistas e aumentar o número de reivindicações específicas nos Acordos Coletivos de Trabalho, como proteção à maternidade, igualdade de oportunidades para homens e mulheres e posicionamentos de combate ao assédio moral e sexual”.

TRABALHO – A secretária de Mulheres da CUT-PA, a bancária Tatiana Oliveira, falou sobre a divisão sexual que hierarquiza "trabalhos de mulher" e "trabalhos de homem" usada como base material, justificativa, para perpetuar a exploração das mulheres.

De acordo com Tatiana, as mulheres ocupam cerca de duas vezes mais que os homens trabalhos em tempo parcial (vendas diretas de produtos, por exemplo), numa tentativa de conciliar com as atividades domésticas, ainda predominantemente abandonada pelos homens aos cuidados das mulheres.

Conforme apresentou a bancária, estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres ganham, em média, salários ¾ (três quartos) menores que os recebidos pelos homens. Em 2016, enquanto o rendimento médio mensal dos homens era de R$2.306, o das mulheres era de R$1.764. Ainda de acordo com o IBGE, os homens ocupam cerca do dobro de cargos gerenciais em relação às mulheres, embora elas, em maioria, tenham grau de instrução maior que eles.

SINDICATO E SOCIEDADE – A ativista, jornalista e documentarista Úrsula Vidal esquentou o debate sobre o papel dos sindicatos na defesa do espaço das mulheres.

Para a jornalista, “o movimento sindical sempre foi a vanguarda do tensionamento social que levou a trabalhadora a ter o mínimo de dignidade. 2018 é o ano da mulher porque a sociedade tem trabalhado mais sobre políticas de afirmação dos direitos das mulheres, de organização e de resgate das conquistas do movimento feminista.”

De acordo com Úrsula Vidal, no Brasil, somente 50% mulheres estão inseridas no mercado contra 80% dos homens. “Por isso essas mulheres estão no mercado informal e na agricultura familiar, por exemplo”, explicou.

Em sua palestra, a jornalista também chamou a atenção para diversas situações de vulnerabilidade que impactam a evolução das mulheres em nossa sociedade, tais como gravidez na adolescência, abuso sexual, violência dos companheiros, machismo, sexismo, entre outras. De acordo com dados colhidos pela jornalista, atualmente as mulheres são responsáveis pela criação de 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai no registro civil e possuem dupla ou até tripla jornada de trabalho.

Úrsula Vidal chamou a atenção de homens e mulheres: “tenham a coragem de conversar e educar seus filhos para uma sociedade mais humana, de mais diálogo, para que seus filhos sejam realmente parceiros de suas companheiras, respeitem as mulheres, as diferenças e as igualdades entre gêneros. Homens, entendam que certos comportamentos são assediadores, que as mulheres se sentem expostas e que, muitas vezes, é esse ambiente extremamente 'masculino' que afasta as mulheres do movimento sindical".

E continuou: "nós [mulheres] queremos a paridade de direitos e uma sociedade mais justa. E, se isso não estiver na agenda dos sindicatos, das instituições, do judiciário, do legislativo e do executivo, vamos continuar num cenário de extrema desigualdade no Brasil, muito por conta também de uma cultura patriarcal, machista, sexista e violenta. Estejam atentos, pois a mulher tem uma responsabilidade imensa na fundação desta casa brasileira”, concluiu.