Há mais de quarenta anos, a Embrapa tem trabalhado de forma alinhada com as demandas da sociedade brasileira e o contexto econômico em que está inserida, atendendo não só as necessidades que se apresentavam no passado, mas também às exigências do presente, com inovações tecnológicas para vencer os desafios da agropecuária brasileira, considerando pequenos, médios e grandes produtores.

Tentar avaliar o desempenho da Embrapa ou de qualquer órgão público de pesquisa agrícola sob uma ótica de simples balanço financeiro, como fez o pesquisador Zander Navarro, autor do artigo Por favor, Embrapa: acorde!, publicado na mídia em 05/01/2018, é, no mínimo, equivocado. Um balanço financeiro não pode ser atribuído a instituições públicas, que não visam lucro, da forma como foi apresentado, uma vez que o objetivo da empresa é a geração de tecnologias e serviços para atendimento das demandas da sociedade. Seguindo o critério apresentado pelo referido autor, instituições equivalentes à Embrapa, como o USDA (Estados Unidos da América), o CSIRO (Austrália), o INRA (França), o INIA (Espanha), assim como todos os demais órgãos de pesquisa em agropecuária do mundo seriam mal avaliados.

Em 2016, a Embrapa ofereceu ao Brasil um lucro social de R$ 34,88 bilhões, apurado com base nos impactos econômicos de uma amostra de 117 tecnologias e 200 cultivares desenvolvidas pela empresa e seus parceiros e transferidas para a sociedade. As 117 tecnologias avaliadas foram responsáveis pela geração de 43.229 novos empregos. Esse lucro social significa que cada R$ 1,00 investido na Embrapa retornou à sociedade brasileira na forma de tecnologias, conhecimentos e empregos correspondente ao montante de R$ 11,37 (Embrapa em Números, 2017).

Conforme a publicação da Embrapa, a empresa exerceu e exerce funções estratégicas incomensuráveis para a economia e a sustentabilidade da produção alimentar do país. Seu papel na geração de conhecimentos e tecnologias permitiu uma redução significativa dos custos de produção agrícola e proporcionou ao Brasil competitividade na exportação e aumento da oferta de alimentos em mais de 50% em relação ao período anterior à sua fundação. Além disso, os resultados do trabalho desenvolvido pela empresa possibilitam a geração de empregos e contribuem para grande parte do PIB do país.

É importante destacar que a empresa desenvolveu e continua ampliando o maior banco de germoplasma da américa latina e também é curadora de todo o patrimônio genético agrícola e animal nativo do Brasil. A competitividade e sustentabilidade da agricultura brasileira em longo prazo é intrinsicamente dependente da variabilidade genética contida nestes bancos genéticos.

Com mais 300 cultivares de soja registradas, a Embrapa atualmente disponibiliza aos agricultores mais de 30 cultivares de soja convencional, que podem ser semeadas em praticamente todas as regiões brasileiras. Somente em 2016, a empresa lançou 21 novas cultivares diversas, licenciou 165, produziu 1.200 toneladas de sementes básicas e 250 mil propágulos de fruteiras e hortaliças, solicitou proteção de 65 variedades, registrou 91 e firmou 703 contratos de licenciamento com produtores e empresas privadas de sementes, totalizando uma área de 77.345,65 hectares de produção de sementes.

A Embrapa também trabalha na fronteira do conhecimento com tecnologias de última geração, buscando agregar valor e/ou criando novas funcionalidades à agricultura brasileira. Recentemente anunciou a obtenção de uma variedade geneticamente modificada de mamona sem ricina, o que pode abrir a perspectiva para o Brasil de uma nova e inédita fonte de proteína para produção animal em larga escala.

A empresa foi agraciada por prêmios internacionais pelo desenvolvimento de uma soja transgênica, usada como biofábrica na produção de proteína anti-HIV, que tem avançado na obtenção de plantas de soja, algodão, feijão e milho geneticamente modificadas mais tolerantes à seca e que podem ter impactos significativos na produção agrícola num cenário de mudanças climáticas, entre muitos outros avanços que poderiam ser citados.

Ressaltamos ainda que, ao contrário do informado no artigo do pesquisador, a Embrapa não trabalha apenas para o grande produtor. Atualmente tem 42 projetos voltados diretamente à agricultura familiar e desenvolvimento rural sustentável, com ações em agricultura orgânica ou agroecologia.

Muitos dos resultados e benefícios sociais que a empresa conquistou para a sociedade brasileira são decorrentes de um trabalho de excelência, que só pode ser alcançado por uma empresa pública que não trabalha dentro de uma ótica de obtenção de lucros a curto prazo.

Em suma, a Embrapa é uma empresa importante e estratégica para o país, reconhecida internacionalmente como a principal empresa de pesquisa de agricultura tropical. Assim, o SINPAF não concorda que essa reputação seja comprometida por pessoas que tenham o objetivo de macular a imagem de uma empresa que é um patrimônio do povo brasileiro e ainda denegrir a imagem de todos os trabalhadores a ela vinculados.

Como qualquer empresa, a Embrapa possui problemas internos, principalmente relacionados à burocracia, que precisam ser trabalhados para aumentar a capacidade de entrega de valor à sociedade. Estes problemas têm sido discutidos internamente de forma organizada por seus trabalhadores e o SINPAF tem cobrado uma solução à direção da empresa. Entretanto, o perfil arbitrário, impositivo e centralizador tem levado a diretoria executiva da Embrapa a tomar decisões com as quais o SINPAF discorda veementemente, a exemplo da forma como se deu a demissão do pesquisador Zander Navarro. A resistência da diretoria da empresa em manter um diálogo franco e permanente com seus trabalhadores pode também ter levado o empregado a expor publicamente suas críticas e, portanto, esse fator precisa ser considerado.

O SINPAF é contra punições e demissões arbitrárias de todo e qualquer empregado sem a realização do devido processo legal e, portanto, acompanhará o caso do pesquisador, sem medir esforços para que seja assegurado amplo direito de defesa, assim como se coloca à disposição de qualquer trabalhador que passe por situação semelhante.