Conferência Sudeste do SINPAF debate a relevância da agroecologia e o papel da Embrapa na sustentabilidade e inclusão social

Conferência Sudeste do SINPAF debate a relevância da agroecologia e o papel da Embrapa na sustentabilidade e inclusão social

Por: Vânia Ferreira | | Notícias gerais

Ciência e tecnologia na construção de um país menos desigual e mais democrático foi tema do primeiro painel de debates da Conferência virtual Sudeste, realizada na última quinta-feira (5/11), pelo SINPAF, sob a coordenação da Diretoria de Ciência e Tecnologia.

Especialistas abordaram conceitos como ciência e tecnologia,  destacando a necessidade de se repensar o modelo hegemônico da agricultura brasileira, e apontando a agroecologia como alternativa. Também dialogaram sobre as demandas cognitivas da sociedade, relativas à produção da ciência, o papel do estado e das instituições de pesquisa, a exemplo da Embrapa, no contexto de equacionar e satisfazer às necessidades da população brasileira.

A primeira mesa, coordenada pelo pesquisador da Embrapa e diretor de Ciência e Tecnologia do SINPAF, Mário Urchei, teve a participação da professora do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Irene Cardoso, e do professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, Renato Dagnino.

De acordo com Irene, não existe outro caminho para se repensar o atual modelo de agricultura que não seja o da agroecologia. “Defendo a agroecologia como a possibilidade de repensar a forma como lidamos com a produção de alimentos e o rumo ao bem viver. E para essa transformação, precisamos fazer uma pesquisa contextualizada, que traz o preceito de Paulo Freire, de buscar na realidade onde as pessoas vivem não só os problemas, mas a forma de solucioná-los, a partir da perspectiva coletiva”, disse.

A professora da UFV também defendeu o princípio constitucional da indissociabilidade como um dos caminhos para incorporar a sociedade na construção do conhecimento científico.“ Temos que expandir os muros para construirmos esses processos. Precisamos de uma pesquisa engajada, militante, a serviço da sociedade. Quando fazemos pesquisa, ensino e extensão, precisamos lutar muito para superar o paradigma atual, com muito trabalho e engajamento político.”

Já o professor da Unicamp, Renato Dagnino, apresentou três órbitas orientadoras - o consumo, a produção e o conhecimento - como alternativas para materializar mudanças nas agendas da pesquisa pública e identificar as demandas cognitivas da sociedade.

“No que diz respeito ao consumo, a maneira como usamos a natureza tem que ser profundamente alterada. Se a produção ocorre de forma concentrada, não há como dividir depois. Essa conta, que muitas vezes fazemos ao dividir a quantidade de alimentos produzida no mundo pela quantidade de pessoas que habitam o planeta, é um equívoco. Além de um problema político, a fome é um problema cognitivo, no sentido de que precisamos do conhecimento para produzirmos de maneira que, socialmente, permita a satisfação da demanda da sociedade. No aspecto do conhecimento, apresento a ideia da tecnociência solidária para viabilizar mudanças no padrão cognitivo e alavancar uma nova forma de produzir e de consumir alimentos”, pontuou o professor.

De forma mais ampla, segundo Dagnino, tecnociência solidária é um espaço constituído por redes de produção e consumo baseadas na propriedade coletiva dos meios de produção e na autogestão capaz de se expandir e adquirir sustentabilidade no âmbito de uma economia capitalista periférica como a brasileira.

Para o debate sobre a importância da agropecuária sustentável para o desenvolvimento do país e sobre o papel da Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva, o segundo painel contou com a participação de Milena Serafim, professora Doutora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, e de João Carlos Canuto, Doutor em Agroecologia, ex-pesquisador da Embrapa e membro da Cooperativa AMATER.

Com a moderação de Adilson Mota, Diretor jurídico do SINPAF, os conferencistas abordaram o papel das instituições públicas de pesquisa, principalmente da Embrapa, em um estado democrático para que haja a garantia de direitos e o adequado fornecimento de bens e serviços aliados à produção de ciência e tecnologia. 

Para Milena Pavan, “o papel da Embrapa é garantir que todos os grupos sociais participem do seu espaço. A necessidade dessa abertura torna-se ainda mais significativa quando dialogamos sobre a importância do desenvolvimento sustentável com base em dois objetivos: aumentar a renda dos agricultores familiares, particularmente mulheres, povos indígenas, pescadores, entre outros, e garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementação de práticas mais resilientes e agroecológicas que preservem o ecossistema”.

“O papel da Embrapa é de suma importância para que o Brasil consiga cumprir as metas colocadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e para inclusão desses diversos grupos sociais, pautados por uma lógica inclusiva,  empoderada, e não somente por uma estruturação do conhecimento intensivo em ciência e tecnologia, mas altamente desagregador, no sentido social mais amplo da palavra”, ressaltou.

Como ex-pesquisador da Embrapa, João Canuto apresentou seu ponto de vista com base na vivência que teve durante o tempo que trabalhou na empresa. “Nós ficamos nadando numa parede de prosperidade, no PIB Agrícola e em dados que nos dão um certo conforto de que a Embrapa vai bem, enquanto percebemos que todo esse modelo que apoiamos, com raríssimas exceções, está gravemente comprometendo o futuro da sociedade. Já estamos no início do declínio da economia global, a menos que algo seja feito para mudar essa situação”, enfatizou.  
 
Além de outras ações, Canuto destacou que a Embrapa precisa reconhecer a agricultura familiar como o público prioritário e não como secundário, ou às vezes até como um público o qual a empresa se reporta para fazer marketing político e institucional. “Está na hora de focar a pesquisa agropecuária nesse público que produz a grande maioria dos alimentos que chegam à nossa mesa. A mudança no papel da agricultura vai ter uma contribuição gigantesca para a sustentabilidade local”, finalizou.

A Conferência Virtual Sudeste é mais uma atividade da Campanha Nacional em Defesa da Embrapa Pública Democrática e Inclusiva realizada pela diretoria de Ciência e Tecnologia do SINPAF. Ainda neste mês, outras conferências regionais e uma nacional continuarão o debate sobre a importância da Embrapa e da ciência e tecnologia na construção de um país menos desigual e mais democrático. 


Conferências Virtuais Regionais estão disponíveis no canal do Youtube TV SINPAF.

Assista à Playlist em: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRMw5FgmYZ6PFNlbMzzRrkVy8I3MPGBIm

Não perca as próximas transmissões ao vivo das Conferências Virtuais Sul, Nordeste e Nacional. Acesse a programação em: http://sinpaf.org.br/index.php/conferencias

Todos os eventos são realizados  pelo www.facebook.com/SINPAFDiretoriaNacional  e pelo  www.youtube.com/TVSinpaf

Receba notícias direto em seu e-mail:
assine nosso informativo

Fale conosco