Segurança alimentar do brasileiro está em risco

Por: Camila Bordinha | | Notícias gerais

Hoje, no Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), o mundo todo volta a atenção para o aumento do risco da fome, que voltou a ser motivo de grande preocupação e se intensificou com a pandemia do novo Coronavírus.

Criada em 1945 pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura Familiar (FAO), a data foi estabelecida para “alertar a população sobre a importância da alimentação saudável, que precisa ser acessível e de qualidade, de forma que todos e todas possam ter Segurança Alimentar e Nutricional.”

No Brasil, o aumento do preço dos alimentos foi muito sentido nos últimos meses em função da alta do dólar, da falta de política de abastecimento, entre outros fatores. Por isso é preciso ficar ainda mais alerta para os riscos à Segurança Alimentar nacional e um possível retorno do país ao Mapa da Fome, do qual foi excluído desde 2014. A lista elenca os países que têm mais de 5% da população ingerindo menos alimentos do que o recomendável para a saúde humana.

As últimas estimativas do Banco Mundial, por exemplo, já apontam que aproximadamente 5,4 milhões de brasileiros e brasileiras devem atingir a extrema pobreza, chegando ao total de 14,7 milhões de pessoas até o fim de 2020, ou seja, 7% da população.

Essa previsão é confirmada, ainda, pela evolução dos preços da cesta básica e as consequências no bolso de trabalhadoras e trabalhadores, apresentados pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA), realizada pelo DIEESE. Os dados do levantamento indicaram que, em setembro, os preços do conjunto de alimentos básicos, necessários para as refeições de uma pessoa adulta durante um mês, aumentaram em todas as capitais pesquisadas. As maiores altas foram observadas em Florianópolis (9,80%), Salvador (9,70%) e Aracaju (7,13%).

“Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou  seja, após o desconto referente à Previdência Social (alterado para 7,5% a partir de março de 2020, com a Reforma da Previdência), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional  comprometeu,  em setembro, na  média, 51,22%  do  salário  mínimo  líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em agosto, o percentual foi de 48,85%”, como mostra o relatório do Dieese. 

De acordo com o diretor de Ciência e Tecnologia do SINPAF, Mário Urchei, que é Engenheiro Agrônomo, com Pós-Doutorado em Agroecologia e pesquisador da Embrapa, a situação é complexa e alguns fatores precisam ser levados em conta.

“O primeiro diz respeito a falta total de políticas públicas sobre os estoques reguladores de produtos que compõe a cesta básica da população brasileira. O segundo é o não investimento na Agricultura Familiar que produz mais de 70% desses produtos. Podemos incluir nessa questão o abandono total de políticas públicas fundiárias para a distribuição de terra. E o outro componente tem a ver com a desvalorização do Real frente ao Dólar e ao Euro”, explicou Urchei.

Para agravar ainda mais esse cenário de insegurança alimentar e o risco de a fome voltar a assolar a população brasileira, o Governo Federal reduziu, somente neste ano, R$ 519,50 milhões do orçamento da Embrapa, o que refletirá nas ações de pesquisa e desenvolvimento realizadas pela estatal. No início de setembro um novo corte de R$ 118,50 milhões foi efetivado e o cenário para 2021 pode ser ainda pior.

De acordo com Mário Urchei, “o colapso da empresa e por conseguinte da pesquisa agropecuária pública vai comprometer, no médio prazo, a produção de alimentos em quantidade e qualidade o que trará impacto direto na oferta de produtos para a população e, consequentemente, no preço final. E esse processo afetará, de forma mais contundente, a população de baixa renda aumentando as desigualdades sociais já tão fortes em nosso país.”

CAMPANHA NACIONAL

A Diretoria Nacional do SINPAF está promovendo uma campanha nacional para mobilizar sua comunidade interna e a sociedade de maneira geral para defender a Embrapa, ancorada em três valores fundamentais que devem definir os contornos e o foco da empresa: Pública, Democrática e Inclusiva.

Entre as várias ações e estratégias da Campanha Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva, está a realização de Conferências Regionais Virtuais para envolver a sociedade civil na discussão em torno da situação presente e futura da Embrapa e de questões relativas à ciência e à tecnologia no país, assim como o impacto na soberania e na segurança alimentar brasileiras.

A próxima conferência virtual será a Centro-Oeste, que será realizada no dia 27 de outubro a partir das 10h. Clique aqui para acompanhar o cronograma e programação das Conferências

Participe, divulgue e defenda a Embrapa. Ela é nossa! Pública, Democrática e Inclusiva!

Receba notícias direto em seu e-mail:
assine nosso informativo

Fale conosco