Não se render aos objetivos privados é o maior lucro que a Embrapa pode dar à sociedade

Na última segunda-feira (13/1), o presidente da Embrapa, Celso Moretti, concedeu uma entrevista ao CB.Poder, programa do jornal Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília, no qual reafirmou a importância da Embrapa e as razões para mantê-la pública.

Por: Camila Bordinha | | Notícias gerais

Embrapa pública

A segurança alimentar do Brasil e de diversos países que dependem da produção agrícola brasileira são motivos apontados pelo gestor que há anos vêm sendo divulgados pelo SINPAF. Agora o Sindicato chama a atenção da sociedade e dos legisladores brasileiros para o fato de o aporte financeiro de R$ 80 milhões definidos pelo Congresso Nacional ainda ser insuficiente para se manter as atividades da empresa.

"A pesquisa pública agropecuária produzida pela Embrapa deveria estar em destaque na política econômica brasileira, com investimentos para a compra de insumos, de equipamentos e de toda a base necessária para que seus empregados, que possuem reconhecidas capacidades intelectuais e técnicas, possam continuar desenvolvendo suas atividades com excelência, produzindo cada vez mais tecnologias em prol da sociedade, com foco especial sobre a agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros", disse Carlos Henrique Garcia, presidente do SINPAF. 

Ao contrário do que se apregoa, o Sindicato não tem objeção ao apoio da iniciativa privada às pesquisas desenvolvidas pela empresa, que já acontece há anos. Há, sim, uma grande preocupação com os limites dessas parcerias para que a empresa não se afaste da sua missão. É preciso estabelecer mecanismos de proteção para que a Embrapa não se torne refém das grandes empresas, trabalhando apenas em benefício dos interesses dos grandes produtores, em detrimento das necessidades da população brasileira e da segurança alimentar.

O que o SINPAF questiona é a estrutura pública agindo na concessão de vantagens à iniciativa privada, ao contrário do que acontece em vários outros países, onde as empresas apoiam a pesquisa agropecuária para beneficiar o desenvolvimento do País ao mesmo tempo em que proporcionam retorno social, permitindo que o alimento chegue às mesas de milhares de cidadãos em situação de carência sócio-econômica.

É importante ressaltar que o último balanço realizado pela Embrapa, demonstrando números do ano de 2017, por exemplo, revelou que a empresa gerou riqueza para o Brasil em torno R$ 37,18 bilhões por meio da adoção, pelo setor agropecuário, de cerca de 113 tecnologias e 200 cultivares. Isso significa que, em 2017, para cada R$ 1 aplicado na Embrapa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade em forma de tecnologias, conhecimento e emprego.

Precarização do trabalho e compromisso com a missão da Embrapa

Outra preocupação do SINPAF é com relação à terceirização da mão de obra de campo e de laboratório, citada por Celso Moretti na entrevista. É do conhecimento dos empregados que trabalham nesses locais que falta pessoal para cumprir todas as tarefas, ainda mais quando se trata de pesquisas cujo processo e ciclo de resultados podem necessitar de acompanhamento em qualquer hora das 24 do dia.

Nesse ponto, a atenção do Sindicato se pauta sobre a precariedade das relações de trabalho entre empresas contratadas pela Embrapa e seus empregados, a rotatividade dos contratados, além da necessidade de termos mão de obra especializada e comprometida com a missão da empresa. O Sindicato também alerta que terceirizar trabalhadores de campo e de laboratório, no exercício de atividades-fim da Embrapa, pode ser um risco para a empresa pelo fácil acesso a informações das pesquisas.

Agrotóxicos

É notório e de acesso público que o Governo Federal liberou, somente em 2019, 382 tipos de pesticidas, vários deles condenados e proibidos em diversos países desenvolvidos. Os registros contabilizaram que, atualmente, o Brasil utiliza 450 agrotóxicos, agindo na contramão da tendência mundial de consumo de alimentos orgânicos, livres de venenos. No entanto, quando questionado sobre o uso de agrotóxicos nas lavouras brasileiras, para amenizar o sentido e as consequências da utilização desses químicos, Celso Moretti usou o termo “defensivos agrícolas”.

Como é possível defender a política de envenenamento dos alimentos que este governo vem promovendo desde o início de seu mandato quando é papel da Embrapa zelar pela saúde dos alimentos e de quem os consome, desenvolvendo tecnologias que promovam a produção até em climas e terrenos inóspitos?

Concordar com uma política de uso indiscriminado de “defensivos agrícolas” é fortalecer multinacionais como a farmacêutica Bayer, que se aliou à Monsanto, líder do setor de sementes transgênicas e pesticidas, empresas que sempre estarão de olho na Embrapa.

Acervo genético

Como bem lembrou Moretti durante a entrevista, a Embrapa possui um vasto conhecimento e um banco de amostras que vem sendo constituído ao longo dos seus 45 anos, que abriga cerca de 120 mil exemplares de plantas, animais e microrganismos no projeto intitulado “Arca de Noé Brasileira”.

Atualmente, o foco da empresa tem sido o desenvolvimento de tecnologias digitais para o campo. Para isso, é preciso que sejam investidos os recursos necessários para que o campo tenha acesso às inovações tecnológicas e para que a Embrapa disponha dos insumos imprescindíveis ao atendimento dessas novas demandas.

Somado a isso, é fundamental capacitar os empregados e promover concurso público para que novas cabeças contribuam para a construção de uma Embrapa moderna e ágil em dar respostas positivas aos novos desafios, mantendo-se em destaque na liderança do processo de geração de inovações científicas e tecnológicas voltadas à sustentabilidade alimentar e o status de empresa estratégica, reconhecida internacionalmente como a principal instituição de pesquisa de agricultura tropical do mundo.

Saiba mais em:

http://www.sinpaf.org.br/index.php/comunicacao/noticias/995-embrapa-publica-significa-brasil-forte

http://www.sinpaf.org.br/index.php/comunicacao/noticias/897-desmonte-da-embrapa-coloca-em-risco-a-seguranca-alimentar-brasileira

http://www.sinpaf.org.br/index.php/comunicacao/noticias/898-sinpaf-contra-a-proposta-de-reestruturacao-da-embrapa

 

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