Pesquisador com projeto reconhecido pela sociedade é ignorado pela Embrapa

O projeto Sisteminha existe há mais de 10 anos e já atendeu cerca de 4,6 mil famílias. Porém, o êxito e o grande impacto social desse projeto reconhecido inclusive fora do Brasil têm sido ignorados pela Embrapa, que vem dificultando as ações do pesquisador responsável.

Por: Camila Bordinha | | Notícias gerais

REPRODUCAO GLOBO RURAL

Neste domingo (23/6), o programa Globo Rural elevou, mais uma vez, o nome da Embrapa por seus grandes feitos ao desenvolvimento rural e à sociedade brasileira. O destaque, dessa vez, deu-se em função do projeto “Sisteminha”, desenvolvido pelo pesquisador da empresa Luiz Carlos Guilherme.

Clique aqui para assistir ao vídeo e ler a notícia sobre o projeto Sisteminha no Globo Rural.

Segundo a produção do programa, a matéria obteve uma audiência próxima a 30 milhões de telespectadores, mais de 150 mil visualizações no site e uma infinidade de elogios e agradecimentos, feitos, especialmente, por pequenos produtores que, graças ao projeto e à dedicação do pesquisador Luiz Carlos Guilherme, conseguiram sair da condição de pobreza extrema para uma vida com dignidade em subsistência.

Apesar dessa recente repercussão da matéria, o projeto Sisteminha existe há mais de 10 anos e já atendeu cerca de 4,6 mil famílias na Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Piauí, o semi-árido nordestino e até diversos países africanos, como Camarões, Etiópia, Tanzânia, Gana, Uganda, Angola, Senegal e Moçambique, onde comunidades têm acesso extremamente precário a água.

O êxito e o grande impacto social desse projeto reconhecido fora do Brasil têm sido ignorados pela Embrapa, que vem dificultando as ações do pesquisador responsável.

A unidade demonstrativa do Sisteminha implantada na Embrapa Parnaíba, e que já foi palco de inúmeras visitações, hoje está totalmente abandonada, resultado do desinteresse dos gestores da Embrapa Meio-Norte. Confira as fotos abaixo: 

Para o SINPAF, é inexplicável a falta de visão dos gestores da empresa, que condenam um projeto de imenso impacto social. Impressiona ainda mais que o pesquisador Luiz Guilherme seja uma das vítimas de uma norma interna de avaliação de desempenho subjetiva e injusta, inclusive alvo de Inquérito Civil Público do Ministério Público do Trabalho.

Ao mesmo tempo em que a dedicação ao trabalho, os resultados e o reconhecimento da sociedade ao pesquisador são anunciados em rede nacional, Luiz Guilherme vem sofrendo assédio moral por parte dos gestores da empresa que, além de desconsiderar todo o trabalho desenvolvido, dificultam sua participação em eventos e proíbem-no, desde 2017, de fazer apresentações sobre o Sisteminha e promover maior alcance dos seus benefícios.

Luiz Guilherme trabalha na Embrapa desde 2008 e já recebeu 8 premiações em reconhecimento pelo seu desempenho como pesquisador da empresa. No início deste ano, foi convidado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, do inglês Food and Agriculture Organization) para representar o Brasil e a América do Sul num evento na China, apresentando o projeto Sisteminha como alternativa de combate à fome e pobreza. No entanto, a Embrapa, com empecilhos burocráticos, inviabilizou a viagem do pesquisador, que teria todas as despesas pagas pela Organização e pelo governo Chinês.

Em contato com Guilherme, ele disse que não deixa os resultados da avaliação de desempenho da Embrapa afetar o seu trabalho e que está alinhado, acima de tudo, à missão da empresa que é “viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira”.

“O que me valoriza hoje, independente de nota de avaliação ou de punição, é a missão da empresa, que sigo cumprindo. Como posso não ter reconhecimento interno se tenho tanto reconhecimento externo? A empresa é muito maior que tudo isso. Já a chefia, é passageira”, afirmou Guilherme.

Para o presidente do SINPAF, Carlos Henrique Garcia, a notícia do Globo Rural expõe as incoerências na norma de avaliação. “Os gestores da Embrapa, guiados por um sistema de avaliação extremamente subjetivo, acabam por punir bons empregados que produzem grandes resultados para a sociedade”. 

REPERCUSSÃO - Após a matéria sobre o Sisteminha, o pesquisador recebeu diversas mensagens de pequenos agricultores buscando orientações para introduzir o projeto em suas propriedades.

Dessas mensagens, Guilherme citou uma trabalhadora, mãe de 3 filhos, que lhe pediu ajuda para complementar a renda da família, de R$ 1.087. Ela é proprietária de 3 mil metros quadrados de terras e precisa de orientação para que seu marido otimize o trabalho na roça, contribuindo melhor com a manutenção da família.

Um telespectador encaminhou mensagem dizendo que “o pesquisador Luiz Carlos Guilherme desenvolveu um sistema que dá o peixe, a vara de pesca e ensina a pescar, acabando com um grande problema em regiões pobres, trazendo esperança de uma vida melhor para pequenos agricultores, para o homem do campo e das periferias poderem sustentar sua família com honra, honestidade e respeito à natureza”.

MPT - O SINPAF já encaminhou os principais pontos a serem ajustados na norma de avaliação vigente e aguarda a posição da empresa, conforme solicitação da procuradora Paula de Ávila, do MPT-DF. Caso não haja acordo sobre a necessidade de ajustes na norma, a procuradora irá se posicionar quanto à proposição de uma Ação Civil Pública.

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