Plenária do SINPAF reivindica melhorias para planos de saúde, salários e contra desmonte das empresas de base

Plenária do SINPAF reivindica melhorias para planos de saúde, salários e contra desmonte das empresas de base

Por: Camila Bordinha | | Notícias gerais

No segundo dia da 21ª Plenária Nacional do SINPAF, neste sábado (4), os delegados e convidados aproveitaram momentos com representantes dos trabalhadores e trabalhadoras, que ocupam cargos voluntários em instâncias deliberativas das empresas de base, para demandar ações e reivindicar melhorias para a categoria e para as próprias empresas.

Pela manhã, a plenária recebeu os representantes nos conselhos dos planos de saúde Casembrapa e Casec (Codevasf), Felipe Pilger e Aline Camargo (que finalizou seu mandato em maio), respectivamente. O ex-diretor de Administração e Finanças da Casec, José Carlos Diniz, também participou dos debates

REDE CREDENCIADA

João Fonseca, da Embrapa em Recife, denunciou a falta de rede credenciada da Casembrapa na cidade. “Utilizam o plano da Unimed, mas isso impacta na renda dos trabalhadores que acabam pagando a coparticipação.” Um problema parecido ocorre em Roraima, conforme explicou Paulo Lima, que disse que “só tem emergência na cidade, e os trabalhadores aproveitam as férias em outros locais para fazer checkups.

Para Paulo José, da Codevasf em Petrolina, a falta de rede credenciada da Casec acontecia devido as diferenças regionais e culturais da categoria. De acordo com ele, eram designados para a gestão administrativa do plano somente pessoal da sede da empresa, em Brasília-DF.  “A cabeça da empresa fica em Brasília, mas as raízes ficam no Nordeste”, explicou o sindicalista.

ESTATUTO CASEMBRAPA

Outro ponto debatido foi a reforma que a Casembrapa tenta promover no Estatuto da instituição, enfrentada pela Diretoria Nacional do SINPAF, que conseguiu compor uma comissão para analisar a proposta e que causou o adiamento dessas mudanças sem o conhecimento da categoria.

De acordo com Jean Kleber, de Belém-PA, é “importante fazer de tudo para manter nosso plano de saúde porque, por ser de autogestão, segue a lógica de que somos donos dele e quebra alguns paradigmas.” 

CONSELHOS ADMINISTRATIVOS

Com a presença dos representantes dos/as trabalhadores/as nos Conselhos de Administração da Embrapa e da Codevasf, Selma Beltrão e Carlos Hermínio de Aguiar Oliveira, respectivamente, os delegados fizeram diversas reivindicações.

Em destaque esteve o desmonte da Codevasf, com a redução do orçamento próprio da empresa e as denúncias da imprensa do uso indevido de emendas parlamentares.

A delegada Milena Lisita, da Embrapa Sede, demonstrou “indignação sobre o que vem acontecendo com a empresa, desde o golpe da Dilma.” Para ela, “o projeto Transforma Embrapa busca destruir totalmente a empresa, fazendo-a perder o seu viés social com o povo brasileiro, de combate à fome.”

Mário Urchei, delegado de Jaguariúna-SP, sugeriu aumentar a interação do Sindicato com os conselheiros dos/as trabalhadores/as, criando uma agenda dinâmica e periódica. Ele denuncia que o atual Governo Federal “acabou com conselhos que representam os movimentos e a sociedade de uma forma geral.”

CAMPANHA SALARIAL

A supervisora técnica do Dieese Brasília, Mariel Angeli Lopes, mostrou aos delegados da Plenária do SINPAF as perdas salariais dos últimos anos.

De acordo com o estudo do Dieese, encomendado pela Diretoria Nacional do SINPAF, as perdas salariais de 2018 para 2022 acumularam em 11,86% para a Embrapa e Codevasf. Conforme a inflação deste ano, o reajuste necessário para manter a recomposição salarial do ACT 2022-2023 seria de 12,47% (INPC) ou 12,13 (IPCA).

Mariel também mostrou que as categorias quem têm tido mais capacidade de fazer greves são os servidores ligados aos problemas econômicos que estão mais aparentes no momento, como o setor de energia (Petrobrás e Eletrobrás).

“As reivindicações na hora da greve não estão relacionadas a novos ganhos ou de cláusulas diferentes dos Acordos Coletivos, mas de manutenção de emprego como contra privatizações, contra demissão e condições sanitárias de segurança.

Auditoria Fiscal Nacional: A AFN apresentou os relatórios fiscais das contas das Seções Sindicais dos exercícios de 2019, 2020 e 2021. Depois de quantificar as contas auditadas das Seções Sindicais, a membra titular da Auditoria, Leny Machado Nascimento, disse que foram apresentadas e analisadas “100% das contas do período, algo inédito já mostrado nas Plenárias Nacionais do SINPAF.”

Eli Gusmão, também membro titular da AFN, explicou as regras para doações nas instâncias do SINPAF. De acordo com ele, o manual de procedimentos diz que é “expressamente vedada a doação para pessoas físicas.” O auditor também explicou que o item 10 do Manual diz que “caso as despesas não sejam comprovadas, o valor deverá ser devolvido ao cofre do SINPAF.”

A auditoria também fez recomendações a respeito de prestação de contas e custas de viagem.

Contas do SINPAF: Após apresentação das despesas, feita pelo contador do escritório AMC, José João Appel Matos, e pelo diretor Administrativo-financeiro, Antônio Aparecido Guedes, os delegados aprovaram as contas do SINPAF por maioria, com apenas 2 abstenções e nenhuma reprovação.

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